A AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, E.P.E. acaba de publicar o estudo “Acordo de Livre Comércio UE-Austrália: Uma oportunidade para as empresas portuguesas”, que analisa o impacto do futuro acordo comercial entre a União Europeia e a Austrália e identifica áreas com potencial para reforçar a presença das empresas portuguesas nesse mercado.
Concluídas as negociações entre a União Europeia e a Austrália em março de 2026, o acordo prevê a eliminação dos direitos aduaneiros sobre quase 100% das exportações europeias para a Austrália. A redução das barreiras ao comércio poderá facilitar o acesso das empresas europeias a um mercado desenvolvido, estável e com elevado poder de compra.
Apesar do potencial, a Austrália representa atualmente apenas 0,24% das exportações portuguesas de bens, ocupando a 39.ª posição entre os mercados de destino das exportações nacionais. Em 2025, Portugal exportou bens para a Austrália no valor de 191 milhões de euros, com mais de 1.100 empresas portuguesas a vender neste mercado.
O estudo identifica, contudo, uma margem significativa para aumentar a presença nacional. Entre os produtos analisados, com base no cálculo do Índice de Potencial de Exportação (IPE), foram identificados 5 produtos com potencial elevado e 267 com potencial médio.
Setores com oportunidades por explorar
Nos setores industriais, onde Portugal já apresenta uma presença estável, como o automóvel, os materiais (plásticos, borracha, madeira e a cortiça) e a indústria química, o acordo cria condições particularmente favoráveis para a expansão das exportações portuguesas.
Também o agroalimentar poderá beneficiar da eliminação de tarifas e da proteção de indicações geográficas, enquanto, nos setores dos têxteis, do vestuário e do calçado, a diferenciação e o posicionamento em segmentos de maior valor acrescentado poderão reforçar a competitividade da oferta portuguesa.
O acordo prevê ainda a proteção de 28 produtos portugueses com indicação geográfica, incluindo azeites, queijos, vinhos, bebidas espirituosas e outros produtos tradicionais, reforçando a proteção e valorização destes produtos no mercado australiano.
As oportunidades identificadas não significam, contudo, um aumento automático das exportações. A capacidade de aproveitar o novo enquadramento dependerá da competitividade das empresas, da diferenciação da oferta, da criação de parcerias locais e da capacidade para responder aos desafios associados à distância geográfica e aos custos logísticos.
Num contexto de diversificação dos mercados de exportação, o acordo UE-Austrália poderá contribuir para reforçar a presença das empresas portuguesas na região da Ásia-Pacífico e abrir novas oportunidades num mercado onde existe ainda margem para aumentar a presença nacional.
Consulte o estudo completo aqui.