Uma equipa de investigação liderada pelo Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal) da Universidade de Coimbra identificou uma nova variante da proteína p53, denominada Delta246p53, com um papel no controlo do envelhecimento celular e propriedades anticancerígenas.
Em testes laboratoriais, os investigadores demonstraram que esta variante induz a senescência celular, processo pelo qual as células deixam de se dividir, e inibe a formação de tumores em células. A descoberta poderá contribuir para compreender melhor os mecanismos de proteção do organismo contra a multiplicação de células danificadas ou com potencial tumoral.
Segundo Marco Candeias, líder do grupo de investigação responsável pelo estudo, a Delta246p53 atua sobre várias vias associadas a proteínas essenciais ao controlo da senescência celular, promovendo este processo e limitando a proliferação de células tumorais ou danificadas.
A nova variante é produzida a partir do gene TP53, conhecido pelo seu papel na regulação da divisão celular, na reparação do ADN e na proteção contra o desenvolvimento de cancro. A sua função mais específica poderá abrir novas perspetivas de investigação sobre o envelhecimento celular e as doenças oncológicas.
O estudo contou com a participação da Universidade de Quioto, no Japão, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e da Universidade de Trento, em Itália. Os resultados foram publicados na revista científica Cell Death Discovery, num artigo intitulado New Delta246p53 isoform responds to DNA damage to enhance p53 family functions in cellular senescence.