A Península Ibérica está a reforçar a sua posição nas infraestruturas digitais europeias, com Madrid, Lisboa e Barcelona a formarem um ecossistema distribuído de conectividade, cloud e Inteligência Artificial (IA), segundo um estudo do Dstream Group, desenvolvido em parceria com a DE-CIX e apresentado durante a conferência Atlantic Convergence.
O relatório A Península Ibérica como uma Capital Digital Distribuída: A impulsionar a Cloud e a IA através de uma nova geografia de hubs digitais identifica a região como uma alternativa aos tradicionais hubs europeus conhecidos como FLAP — Frankfurt, Londres, Amesterdão e Paris.
Segundo o estudo, a região beneficia do investimento em data centres, cabos submarinos, redes de fibra ótica e Internet Exchanges, bem como da sua localização nos fluxos de dados entre a Europa, as Américas, África e o Mediterrâneo.
A infraestrutura ibérica inclui 35 cabos submarinos, 20 pontos de amarração costeiros, 13 Internet Exchanges e mais de 100 data centres em funcionamento. Existem ainda 8,95 GW de capacidade em projetos de data centres planeados, de acordo com os dados apresentados no relatório.
Portugal assume uma posição relevante neste ecossistema, nomeadamente através de Lisboa e Sines. O estudo estima que os novos centros de dados planeados em Lisboa deverão representar mais de 12 mil milhões de euros de investimento até 2030, com um impacto económico global estimado em 26 mil milhões de euros.
Entre os projetos identificados em Portugal estão o campus de data centres da Merlin Properties, com capacidade prevista de 1,3 GW e utilização de energia renovável, e o Sines Data Center, desenvolvido pela Start Campus, com projetos associados à Microsoft e à Nscale e infraestrutura baseada em tecnologia NVIDIA Blackwell Ultra.
A conectividade é outro dos fatores destacados pelo estudo. Espanha apresenta uma cobertura de Fiber-to-the-Home de 94,9% e Portugal de 92,3%, enquanto a cobertura de redes 5G chega a 99% nos dois países. As ligações entre os principais centros urbanos permitem ainda latências de 7 milissegundos entre Madrid e Barcelona, 8 milissegundos entre Madrid e Lisboa e 15 milissegundos entre Lisboa e Barcelona.
O estudo considera que Madrid, Lisboa e Barcelona cumprem mais de 80% dos critérios definidos pelo Dstream Group para uma capital digital, defendendo que a combinação das três cidades permite criar uma infraestrutura distribuída, com maior diversidade geográfica e resiliência.
A expansão da IA aumenta a relevância deste modelo, uma vez que o crescimento dos workloads de Inteligência Artificial está a elevar a procura por capacidade computacional, energia e conectividade de elevado desempenho. O estudo salienta que, enquanto o treino de modelos tende a concentrar capacidade computacional, a inferência exige infraestruturas mais próximas dos utilizadores e das aplicações.
Serge Radovcic, senior consultant do Dstream Group, considera que a integração de Madrid, Lisboa e Barcelona coloca a Península Ibérica entre os principais ecossistemas digitais mundiais. Ivo Ivanov, CEO da DE-CIX, defende, por sua vez, que a região poderá tornar-se uma “primeira capital digital distribuída” para a era da IA.
Além das três principais cidades, o ecossistema inclui outros polos, como Sines, Valência e Bilbau, bem como as regiões de Aragão e Extremadura, contribuindo para uma maior distribuição das infraestruturas digitais.
Fonte: Dstream Group / DE-CIX – estudo apresentado na Atlantic Convergence.
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