A Malásia está a preparar uma nova fase da sua transformação económica com o TVET 2.0, a evolução da estratégia nacional de Educação e Formação Técnica e Profissional para o período 2026-2035. A iniciativa pretende aproximar a formação das necessidades da indústria, reforçando a articulação entre instituições de ensino, empresas e políticas públicas.
Para as empresas portuguesas, em particular nos setores tecnológico, industrial e da formação profissional, esta estratégia poderá abrir oportunidades de entrada no mercado malaio e de expansão para o Sudeste Asiático.
Um país a investir nas competências do futuro
O TVET 2.0 surge num contexto em que a Malásia procura reforçar a sua posição nas cadeias globais de valor de setores estratégicos, como os semicondutores, a inteligência artificial, as energias renováveis e a indústria avançada. A iniciativa envolve cerca de 1.400 instituições de ensino e formação e prevê a coordenação de esforços entre 12 ministérios.
Uma das metas está ligada à estratégia nacional para os semicondutores, que prevê formar ou requalificar 60.000 engenheiros até 2030. O país pretende, em paralelo, atrair até 500 mil milhões de ringgit malaios (RM) em investimento para o setor.
Para alcançar estes objetivos, o Governo malaio pretende aprofundar a colaboração com a indústria, desenvolver programas de requalificação e aperfeiçoamento profissional e criar um Índice Nacional de Competências, destinado a avaliar os conhecimentos, as competências e as atitudes da força de trabalho.
Onde Portugal pode fazer a diferença
As empresas portuguesas com competências em software, transformação digital, automação industrial, robótica, cibersegurança, inteligência artificial e tecnologias educativas poderão encontrar oportunidades de colaboração no âmbito do TVET 2.0.
A experiência nacional na criação de academias empresariais, programas de formação profissional, sistemas de certificação de competências e plataformas digitais de aprendizagem poderá contribuir para modernizar os sistemas de formação da Malásia e aproximá-los das necessidades do mercado de trabalho.
Da formação à presença regional
Uma das vias de entrada passa por estabelecer parcerias entre empresas portuguesas, instituições de ensino superior e centros de formação técnica e profissional malaios. Estas colaborações poderão incluir o desenvolvimento conjunto de currículos especializados, a criação de laboratórios de Indústria 4.0, programas de aprendizagem ao longo da vida, certificações profissionais, formação presencial e digital, estágios empresariais e transferência de conhecimento.
Ao participarem na formação de técnicos e engenheiros qualificados, as empresas portuguesas poderão reforçar a sua presença local e desenvolver relações com autoridades, universidades e líderes industriais.
A localização estratégica da Malásia, a diversificação da sua economia e as ligações aos mercados regionais fazem do país uma possível plataforma de expansão para a ASEAN, bloco que reúne mais de 600 milhões de consumidores. Uma presença consolidada no mercado malaio poderá facilitar o acesso a outros mercados do Sudeste Asiático, como Singapura, Indonésia, Tailândia e Vietname.
Neste contexto, a participação no desenvolvimento do ecossistema TVET da Malásia poderá constituir uma oportunidade para as empresas portuguesas estabelecerem parcerias de longo prazo e reforçarem a sua competitividade na região.