A Aloft nasceu em 2013, em Matosinhos, com o objetivo de dar apoio técnico a marcas de calçado no desenvolvimento de solas. Até que, em 2015, a empresa deu um salto decisivo: adquiriu uma fábrica em Vila do Conde e passou a controlar todo o processo, do desenho à distribuição das solas.
Na história da Aloft, o ano de 2015 é um marco importante. “Foi aí que fixámos a nossa base industrial e nos transformámos de empresa de apoio técnico em fabricante de solas a sério”, recorda o CEO da empresa, Pedro Castro. Esse seria um passo decisivo para o desenvolvimento da empresa, que passou então a contar com mais dois sócios.
Em 2018 a Aloft alargou a sua atividade à injeção de calçado completo em termoplástico, não só solas. A partir de 2020 reforçou o setor hospitalar e profissional, com socas e galochas técnicas, e iniciou um investimento na transição ecológica, energética e na automação dos processos. Já em 2023 ficou concluída a nova unidade em Vila do Conde, que implicou um investimento de 6,5 milhões de euros de investimento. Ao longo deste percurso, a empresa foi também organizada em vários departamentos – Comercial, Qualidade, Marketing, Recursos Humanos, Sustentabilidade e Operações –, com laboratório interno e equipa de investigação e desenvolvimento próprios.
De uma equipa de 23 pessoas e uma faturação de 0,8 milhões de euros, em 2014, a empresa cresceu para 160 colaboradores e uma faturação de 16 milhões de euros, em 2025. Nesses anos, a produção passou também de 4500 pares de solas por dia para 10.000 pares de solas, 5.000 pares de calçado injetado em plástico e 600 pares de calçado desportivo totalmente injetado por dia. “Este ano os nossos objetivos são ainda mais ambiciosos: continuamos a crescer com o mesmo espírito com que começámos, resolver, com rigor técnico, aquilo que os clientes ainda não sabem bem como pedir”, adianta Pedro Castro.
Hoje a Aloft trabalha em três grandes áreas: calçado de segurança e proteção profissional, incluindo bombeiros e forças militares, calçado desportivo de alta performance e calçado hospitalar, com socas e galochas técnicas para ambientes exigentes. “O que nos distingue da concorrência asiática de grande volume é o domínio técnico do material, formulação química, análise laboratorial e computacional, a par de uma inovação de produto muito própria”, explica o CEO da empresa. “Desenvolvemos geometrias com recurso a generative design, ajustadas aos pontos de pressão do pé, materiais autoextinguíveis para calçado de bombeiros, e soluções como termopigmentos sensíveis à temperatura. É um nível de detalhe técnico que a produção em grande volume raramente persegue, e que nos torna parceiro de desenvolvimento e não apenas fornecedor”.
A Aloft tem conquistado também diversas certificações internacionais, como a REACH e a CADS, sendo frequentemente auditada pelas várias marcas internacionais com que trabalha. A aposta na inovação, por outro lado, resultou no desenvolvimento da tecnologia MuCell. “Em vez de agentes químicos de expansão, injetamos um gás inerte em condições supercríticas diretamente no polímero fundido, o que cria uma estrutura celular muito mais controlada”, adianta Pedro Castro. “As vantagens são claras: calçado desportivo substancialmente mais leve, com melhor retorno de energia, mais macio e mais durável, porque a estrutura celular resultante é mais homogénea. Tudo isto produzido na Europa de forma eficiente em custo e amiga do ambiente”.
A sustentabilidade que obriga a inovar melhor
A sustentabilidade é uma questão central na atividade da empresa, que mudou o seu lema de “Great is the new good” para “Green is the new good”. Instalou painéis solares na cobertura de todas as fábricas e abriu um setor de reciclagem que recolhe, tritura e reintroduz o desperdício de produção no fabrico de novos produtos. É também signatária da Carta para a Descarbonização da cadeia de valor do calçado. “O que aprendemos é que, quando tratamos a sustentabilidade como requisito de engenharia desde o desenho do molde, ela não trava a inovação, obriga-nos a inovar melhor”, conclui Pedro Castro.
Depois do investimento na unidade de Vila do Conde, concluído em 2023, a Aloft tem continuado a modernizar a injeção de borracha, com seis estações independentes, um novo sistema de arrefecimento para pré-formas e tiras e um melhor controlo do composto. A procura por calçado técnico com solas de borracha de alta durabilidade tem vindo a crescer, e é também a razão de uma parceria que a Aloft mantém, há já alguns anos, com a Michelin.
Pedro Castro prevê que a área do calçado técnico continue a crescer, sobretudo em áreas como o calçado hospitalar e o calçado desportivo totalmente injetado. Nesse sentido, a empresa tem procurado reforçar a sua posição na cadeia de valor internacional do calçado técnico de alto desempenho. “Estamos a acelerar o nosso plano de industrialização, com metas e responsáveis definidos, e a reforçar competências internas em moldes, ventilação, acabamento superficial e impressão 3D, em parceria com fabricantes de moldes especializados, porque é aí que hoje se ganha ou se perde velocidade”, considera o responsável da Aloft. “Continuamos também a consolidar o setor de reciclagem e a incorporação de borracha micronizada em toda a oferta, e o projeto BioShoes4All mantém-se como veículo central de investigação aplicada em economia circular no setor”.
A estratégia da Aloft para crescer a partir de Portugal tem assentado em três ideias. Primeiro, controlar toda a cadeia, do desenho à manufatura, porque isso permite responder com a velocidade e a customização técnica que a produção em grande escala não consegue. Segundo, transformar clientes em parceiros de inovação, reforçando a ligação direta aos centros técnicos das marcas internacionais, explica Pedro Castro. “A proximidade em relação aos laboratórios e às equipas de industrialização é hoje tão importante quanto o produto em si”. Finalmente, a Aloft pretende também continuar a investir no talento e nos trabalhadores, “porque o maior ativo da empresa continua a ser quem a constrói todos os dias”.
Para o CEO da Aloft, os objetivos da empresa para o futuro próximo podem resumir-se numa frase: “Ser o parceiro que as marcas procuram quando o problema é difícil, o prazo é apertado e a exigência técnica é elevada”. Se continuar a crescer assim, adianta Pedro Castro, “a Aloft tem espaço para continuar a crescer a dois dígitos nos próximos anos, sempre a partir de Vila do Conde”.