Em 2025, o e‑commerce em França atingiu um novo recorde, com 196,4 mil milhões de euros gastos online, o que representa um crescimento de 7% e confirma o papel estrutural do canal digital no consumo das famílias.
Segundo a FEVAD (Fédération e-commerce et vente à distance), apesar de bons, estes resultados confirmam uma desaceleração do crescimento de vendas neste canal desde 2021, ano em que foi de +15,2%. Há um ano, a evolução foi de +9,3%.
Mais transações de menor valor
Este valor recorde traduz-se em 3,2 mil milhões de transações online – mais 10% do que em 2024. O crescimento do e‑commerce foi impulsionado sobretudo pela frequência de compra, e não pelo valor de cada transação: os franceses fazem mais compras online, mas o valor do cabaz médio recuou 3%, fixando-se em cerca de 62 euros. Tanto os produtos (-4%) como os serviços (-3%) registaram transações com menor valor médio, demonstrando que os consumidores têm maior sensibilidade ao preço, sendo este é um fator determinante que os leva a comprar online.
As vendas de serviços mantiveram-se como o principal motor do crescimento (+9% para cerca de 120,3 mil milhões de euros), e representam 61% do mercado e-commerce. O setor das viagens foi o que mais cresceu (+10%). Por sua vez, as vendas de produtos cresceram 4%, para cerca de 76 mil milhões de euros, o que corresponde a 12% do total de vendas a retalho. Os produtos de eletrónica e eletrodomésticos foram os que mais cresceram (+5,2%), recuperando da queda de vendas observada nos últimos anos. Estes foram seguidos de perto pelos artigos de desporto (+5,1%) e pelo mobiliário e decoração (+3%) – categoria particularmente pressionada pela procura de preços baixos. O crescimento foi menor nos setores dos têxteis lar (+2,9%), bens de grande consumo (+2,7%) e beleza (+2%). Em sentido contrário, o setor da moda registou uma quebra no valor das vendas (-0,5%), apesar de o número de transações ter aumentado – um reflexo da pressão trazida pelas plataformas chinesas e pelas vendas em segunda mão.
Papel crescente da IA generativa no e-commerce francês
No mesmo período, a inteligência artificial (IA) generativa ganhou peso como alavanca de crescimento no e‑commerce, integrando-se progressivamente nas etapas de pesquisa, recomendação, atendimento e marketing. Assistentes conversacionais, motores de pesquisa e sistemas de recomendação avançados ajudam crescentemente a orientar as escolhas dos consumidores num contexto de oferta abundante e de cabazes médios menores.
Segundo a FEVAD, 31% dos compradores online já recorreram à IA – um número que é maior entre as faixas etárias dos 15-24 anos (49%) e 25-34 anos (46%), assim como entre os habitantes da região de Paris (40%). Por outro lado, aqueles que usam a IA no seu percurso de compra tendem a repetir o seu uso: 54% dos compradores declaram fazê-lo cada vez mais. Este fenómeno tem lugar, sobretudo, antes da compra (58% dos utilizadores), para ganhar tempo, obter informações neutras, comparar produtos e fazer uma primeira seleção. O seu uso é mais limitado para fazer a compra (27%) ou após a mesma (35%). Esta tendência é mais acentuada para compras mais complexas ou exigentes do ponto de vista técnico. Assim, os produtos técnicos e eletrodomésticos representam 29% das pesquisas, apesar de esta não ser a categoria de produtos mais comprados online. Por outro lado, a IA é menos utilizada para comprar artigos de vestuário, calçado e moda (21%), que são dos mais vendidos.
Apesar da adoção crescente e a uma velocidade inédita desta tecnologia, existe ainda alguma desconfiança por parte dos compradores: 57% diz não ter certezas sobre a neutralidade dos agentes de IA e 46% não confiam na segurança dos seus modos de pagamento.
Os relatórios da FEVAD relativos às vendas do e-commerce e à utilização da IA podem ser consultados aqui e aqui, respetivamente.
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França: e-commerce atinge novo recorde de vendas em 2025.
AICEP França
04/03/2026