O Banco de Portugal revê em baixa o crescimento deste ano em 0,5 pontos percentuais, refletindo a deterioração do contexto internacional, na sequência do conflito no Médio Oriente, que implicou o aumento do preço dos bens energéticos e a expetativa de agravamento das condições de financiamento. Os eventos climáticos extremos do início do ano e a evolução mais fraca da atividade no final de 2025 face ao projetado em dezembro também contribuíram para a revisão em baixa. Este quadro adverso é mitigado, em 2026, pela solidez do mercado de trabalho, a execução do PRR e uma política orçamental expansionista. Em 2027 e 2028, a atividade será condicionada pelo abrandamento da oferta de trabalho e pela diminuição dos fundos europeus.
No horizonte de projeção, a procura interna será o principal motor do crescimento. A economia portuguesa continuará a crescer acima da média da área do euro, ainda que o diferencial se estreite ao longo do horizonte.
O mercado de trabalho continuará sólido, com uma taxa de desemprego estabilizada em níveis historicamente baixos. A criação de emprego abrandará, fruto da diminuição dos fluxos migratórios e do aumento mais contido da taxa de atividade.
A inflação deverá aumentar para 2,8% em 2026, refletindo o aumento das pressões de origem externa. O conflito no Médio Oriente explica, em larga medida, as revisões em alta da inflação em 2026 e 2027. A dissipação do efeito do choque energético nos preços e a manutenção das expetativas de inflação de longo prazo ancoradas deverão contribuir para a redução da inflação para 2% em 2028.
A incerteza é elevada e os riscos intensificaram-se desde dezembro. As hipóteses do exercício de projeção têm por base as expetativas implícitas nos mercados financeiros até 13 de março, pressupondo uma duração relativamente limitada do conflito no Médio Oriente e efeitos contidos na confiança das famílias e empresas e nas cadeias de abastecimento globais. A intensificação ou prolongamento das hostilidades teria um impacto mais significativo nos preços e na atividade. Internamente, o principal risco está relacionado com a capacidade de execução do PRR. Em sentido contrário, a economia portuguesa poderá ser estimulada pelo recém-anunciado PTRR (Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência) e pelo reforço do investimento europeu em defesa e infraestruturas.
Neste contexto de tensão geopolítica e constrangimentos demográficos, é essencial Portugal manter a trajetória de redução do endividamento público e privado, continuar a reforçar as qualificações da população e criar as condições para aumentar o investimento e a adoção de novas tecnologias.
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