Na reta final do mandato, o Governo marroquino apresenta um balanço marcado pela gestão de um contexto excecional, caracterizado por choques externos, tensões geopolíticas e crises climáticas. Num documento divulgado pela Presidência do Governo, o Executivo defende a consistência da sua ação, destacando a preservação dos equilíbrios macroeconómicos e a criação de bases para um crescimento sustentado, com uma meta de 5% até 2026.
Ao longo da legislatura, a ação governativa foi fortemente condicionada pela gestão de várias crises. Entre os efeitos persistentes da pandemia, o conflito Rússia e Ucrânia, as tensões no Médio Oriente, o terramoto de Al Haouz e uma seca estrutural, o Executivo operou num ambiente de elevada incerteza. Ainda assim, sublinha que a economia marroquina demonstrou resiliência, não só absorvendo os choques, como reforçando os seus fundamentos.
Crescimento e transformação estrutural
Do ponto de vista macroeconómico, o balanço evidencia uma trajetória de recuperação progressiva. Após um crescimento de 8,2% em 2021, verificou‑se um abrandamento para 1,8% em 2022, refletindo o impacto do choque inflacionista global. Seguiu‑se uma retoma gradual, com 3,7% em 2023 e 3,8% em 2024, devendo esta dinâmica acelerar para 4,8% em 2025 e ultrapassar os 5% em 2026.
Um dos principais resultados do mandato reside na mudança estrutural da economia. O crescimento tem sido cada vez mais sustentado pelos setores não agrícolas, que registaram um aumento médio de 4% entre 2022 e 2024, compensando a contração média anual de cerca de 5% na agricultura, fortemente penalizada pela seca. Esta evolução traduz uma menor dependência das condições climáticas e maior robustez do modelo económico.
Consolidação orçamental com reforço social
Outro eixo central do balanço prende-se com o equilíbrio entre o reforço do Estado social e a disciplina orçamental. O Governo destaca uma abordagem de “governação flexível”, com medidas direcionadas para mitigar a inflação, proteger o poder de compra das famílias e preservar a competitividade empresarial.
Apesar das pressões, a consolidação orçamental foi prosseguida sem comprometer o investimento público. O Executivo aponta melhorias na cobrança fiscal e o recurso a mecanismos inovadores de financiamento como fatores chave para sustentar as reformas sociais e reduzir gradualmente o défice para níveis pré-crise.
Duas fases de governação
O mandato é apresentado como dividido em duas fases distintas: uma primeira, entre 2021 e 2023, centrada na gestão da crise e na recuperação; e uma segunda, iniciada em 2024, focada na consolidação e aceleração do crescimento. Com a prevista estabilização das pressões inflacionistas a nível global, o Governo considera existir agora maior margem para aprofundar reformas estruturais.
Em síntese, este balanço de fim de mandato sublinha que, apesar de um persistente contexto de stress hídrico e incerteza internacional, o Executivo lançou as bases de um modelo de crescimento mais diversificado, resiliente e sustentável, ancorado na industrialização e na integração nas cadeias de valor globais.
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Macroeconomia
Marrocos - Equilíbrios macroeconómicos
Equilíbrios macroeconómicos: balanço de um mandato num contexto de várias crises
AICEP Marrocos
15/05/2026