O valor médio dos bens exportados entre 2023 e 2025 subiu 59% face ao triénio 2014-2016, mas o vestuário de malha e o calçado não aguentaram a passada, saindo do top 10. Em sentido contrário, produtos farmacêuticos e instrumentos de medição e precisão ganham protagonismo.
Os automóveis, várias maquinarias e os combustíveis continuam a dominar as exportações de bens nacionais, e o top 10, quando somado, mantém sensivelmente o mesmo peso face ao total (55%). Só que, ao longo da última década, nem tudo ficou na mesma, com algumas das alterações a sinalizarem uma transformação progressiva, mas profunda, para segmentos com maior valor acrescentado.
O Jornal Económico (JE) analisou as 98 subcategorias que o Instituto Nacional de Estatística (INE) utiliza para dividir as exportações, comparando dois triénios separados por uma década: a média anual entre 2023 e 2025 face a 2014-2016 (que corresponde, grosso modo, ao pós-Troika, tendo em conta que o resgate financeiro do país terminou em maio de 2014).
Ao longo desta década, as exportações de bens cresceram 59%, segundo as contas do JE, mas 27 tipologias de produtos tiveram uma subida para mais do dobro, incluindo quatro das mais relevantes (exportações que, em média, ficaram acima de mil milhões de euros em cada um dos últimos três anos).
Remédios e velocidade
O maior destaque de subida no top 20 vai para os produtos farmacêuticos (sobretudo medicamentos), em que 48% das vendas são dirigidas para a Alemanha e 25% para os Estados Unidos. Entre estes dois triénios, as exportações subiram de uma média de 911 milhões para 3,6 mil milhões, ou seja, quatro vezes mais (297%), galgando 10 posições no ranking, de 15.º para 5.º lugar. E se a análise se centrar apenas em 2025, já atingiu mesmo a quarta posição (com 4,8 mil milhões de euros) depois de ultrapassar os combustíveis (num contexto anterior à guerra do Irão, de preços mais baixos).
No entanto, este não é caso único. Com desempenho semelhante estiveram os instrumentos de medição, controlo e precisão (nome usado pelo JE para resumir uma longa subcategoria que junta indicadores de velocidade para carros, instrumentos para medicina ou artigos ortopédicos, por exemplo): cresceu 249,4% para 2,2 mil milhões de euros, dando um salto de 11 lugares, de 21.º para 10º.
Os indicadores de velocidade para carros valem cerca de metade desta subcategoria (1,1 mil milhões de euros, dos quais 556 milhões para a Alemanha). Portugal é o segundo maior exportador deste tipo de equipamentos (cerca de 15% do respetivo comércio mundial), muito perto do México, de acordo com o Observatório da Complexidade Económica (OEC, na sigla inglesa), que se baseia em dados da ONU.
O valor exportado em indicadores de velocidade para carros multiplicou por nove neste período (+816%), considerando que teve, em média, apenas 134 milhões entre 2014 e 2016. A escalada foi constante entre 2013 e 2024, com os grandes saltos a verificarem-se entre 2017 e 2019. A primeira quebra só surgiu no ano passado.
Estas foram as duas subcategorias de produtos que entraram no top 10 face ao período pós-Troika. Entre os seus protagonistas estão duas empresas alemãs: a Pfizer Ireland Pharmaceuticals (maior exportador germânico no ano passado) e a Bosh Car Multimedia, também um dos maiores exportadores em Portugal.
Merecem ainda referência as gorduras e óleos (sobretudo azeite) — subiram de 25.º para 14.º lugar no ranking dos últimos três anos, triplicando o valor (196,6%) para 1,7 mil milhões de euros — e as frutas, que escalaram 10 lugares, para 18.º. A subida foi de 129,8%, para 1,1 mil milhões de euros.
Entre as 98 subcategorias, há aumentos percentuais ainda mais expressivos neste período, mas com um valor mais baixo. Por exemplo: “Outras fibras têxteis vegetais; fios de papel e tecidos de fios de papel” cresceram 800%, embora não tenham ultrapassado os 36 milhões de euros.
O Jornal Económico
Os automóveis, várias maquinarias e os combustíveis continuam a dominar as exportações de bens nacionais, e o top 10, quando somado, mantém sensivelmente o mesmo peso face ao total (55%). Só que, ao longo da última década, nem tudo ficou na mesma, com algumas das alterações a sinalizarem uma transformação progressiva, mas profunda, para segmentos com maior valor acrescentado.
O Jornal Económico (JE) analisou as 98 subcategorias que o Instituto Nacional de Estatística (INE) utiliza para dividir as exportações, comparando dois triénios separados por uma década: a média anual entre 2023 e 2025 face a 2014-2016 (que corresponde, grosso modo, ao pós-Troika, tendo em conta que o resgate financeiro do país terminou em maio de 2014).
Ao longo desta década, as exportações de bens cresceram 59%, segundo as contas do JE, mas 27 tipologias de produtos tiveram uma subida para mais do dobro, incluindo quatro das mais relevantes (exportações que, em média, ficaram acima de mil milhões de euros em cada um dos últimos três anos).
Remédios e velocidade
O maior destaque de subida no top 20 vai para os produtos farmacêuticos (sobretudo medicamentos), em que 48% das vendas são dirigidas para a Alemanha e 25% para os Estados Unidos. Entre estes dois triénios, as exportações subiram de uma média de 911 milhões para 3,6 mil milhões, ou seja, quatro vezes mais (297%), galgando 10 posições no ranking, de 15.º para 5.º lugar. E se a análise se centrar apenas em 2025, já atingiu mesmo a quarta posição (com 4,8 mil milhões de euros) depois de ultrapassar os combustíveis (num contexto anterior à guerra do Irão, de preços mais baixos).
No entanto, este não é caso único. Com desempenho semelhante estiveram os instrumentos de medição, controlo e precisão (nome usado pelo JE para resumir uma longa subcategoria que junta indicadores de velocidade para carros, instrumentos para medicina ou artigos ortopédicos, por exemplo): cresceu 249,4% para 2,2 mil milhões de euros, dando um salto de 11 lugares, de 21.º para 10º.
Os indicadores de velocidade para carros valem cerca de metade desta subcategoria (1,1 mil milhões de euros, dos quais 556 milhões para a Alemanha). Portugal é o segundo maior exportador deste tipo de equipamentos (cerca de 15% do respetivo comércio mundial), muito perto do México, de acordo com o Observatório da Complexidade Económica (OEC, na sigla inglesa), que se baseia em dados da ONU.
O valor exportado em indicadores de velocidade para carros multiplicou por nove neste período (+816%), considerando que teve, em média, apenas 134 milhões entre 2014 e 2016. A escalada foi constante entre 2013 e 2024, com os grandes saltos a verificarem-se entre 2017 e 2019. A primeira quebra só surgiu no ano passado.
Estas foram as duas subcategorias de produtos que entraram no top 10 face ao período pós-Troika. Entre os seus protagonistas estão duas empresas alemãs: a Pfizer Ireland Pharmaceuticals (maior exportador germânico no ano passado) e a Bosh Car Multimedia, também um dos maiores exportadores em Portugal.
Merecem ainda referência as gorduras e óleos (sobretudo azeite) — subiram de 25.º para 14.º lugar no ranking dos últimos três anos, triplicando o valor (196,6%) para 1,7 mil milhões de euros — e as frutas, que escalaram 10 lugares, para 18.º. A subida foi de 129,8%, para 1,1 mil milhões de euros.
Entre as 98 subcategorias, há aumentos percentuais ainda mais expressivos neste período, mas com um valor mais baixo. Por exemplo: “Outras fibras têxteis vegetais; fios de papel e tecidos de fios de papel” cresceram 800%, embora não tenham ultrapassado os 36 milhões de euros.
O Jornal Económico