São 187 metros de distância entre Macau e a ilha de Hengqin. É aqui que está a ser desenvolvido o futuro da China e do mundo. O Silicon Valley chinês quer atrair empresas e startups portuguesas para o gigantesco mercado do Império do Meio, com mais de 1,4 mil milhões de consumidores.
"A China tem um vasto mercado. Macau-Hengqin é um excelente lugar para começar negócios na China", diz Brooke lu, da Direção dos Serviços de Desenvolvimento Económico de Hengqin, ao lornal Económico (JE). "Providenciamos espaço para as empresas, boas políticas e todo o tipo de apoio para ajudar os países de língua portuguesa a entrarem no mercado chinês", acrescenta.
Perante a grande dependência da economia de Macau dos casinos, e a falta de espaço disponível, Pequim quis diversificar e transformou a ilha de Hengqin numa zona de cooperação aprofundada entre a província de Guangdong e Macau. Foi assim criado um estatuto especial para empresários poderem fazer negócio e des- locarem-se livremente entre Hengqin e Macau.
Existe também o chamado "duplo 15%", em referência à taxa única aplicada tanto a empresas como a indivíduos.
Brooke lu esteve em Portugal esta semana para o lançamento do Concurso Internacional de Inovação Científica e Tecnológica direcionado, que pela primeira vez destina-se a empresas e startups registadas em países de língua portuguesa.
Os prémios totalizam 25 milhões de euros com o primeiro prémio a atingir 1,8 milhões. No total, existem 100 prémios para distribuir, com a organização a esperar 500 candidaturas.
O concurso destina-se a seis grandes áreas: inteligência digital e inteligência artificial; energia verde e sustentabilidade; produção industrial de alto valor; medicina chinesa; turismo cultural; agricultura moderna.
O objetivo é que estas empresas se instalem em Hengqin, onde contam com acesso a impostos baixos, um ambiente internacional, espaço disponível, cadeias de abastecimento, políticas de apoio, resumiu a responsável na sua apresentação em Lisboa.
Começar em grande
A zona da Grande Baía é a grande aposta de Pequim para o futuro, com a região a incluir Macau, Hong Kong, Shenzhen ou Cantão, zonas de grande produção industrial, mas também de desenvolvimento tecnológico de ponta, com Shenzhen a ser o lar da Huawei, BYD ou Tencent.
Aqui vivem 70 milhões de pessoas, que produzem mais de um terço das exportações chinesas, gerando mais de 10% da riqueza do Império do Meio.
"Este projeto faz muito sentido. Envolvemo-nos na expectativa de que haja muitos concorrentes portugueses e que o vencedor seja também uma empresa portuguesa", afirmou ao JE o secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), Bernardo Mendia.
Regra geral, uma startup nacional começa "em Portugal e vai expandir para Espanha e para os mercados europeus". Mas este concurso promete fazer "toda a diferença. A nossa maior dificuldade é precisamente ir para o outro lado do mundo e isto serve como um incentivo para as empresas. A nossa expectativa é de que haja bastante adesão a este concurso", acrescenta o responsável da CCILC.
Macau desempenha assim um "papel singular" servindo como uma "ponte" entre a China e Portugal, lá Hengqin beneficia de um "ambiente de negócios com regras e práticas alinhadas com padrões internacionais" devido às suas "políticas de apoio, de fiscalidade e de ajuda ao financiamento", segundo Cao linfeng do comité executivo da Zona de Cooperação Guangdong-Macau, também presidente do conselho do Centro Económico e Comercial sino-português.
As empresas selecionadas para fazerem negócios ou incubarem em Hengqin têm direito a alojamento grátis de curto prazo, escritórios grátis durante um período, assim como apoio à deslocação na região e nas viagens aéreas.
A Grande Baía onde nascem os sonhos chineses
Pequim e Xangai são as duas maiores cidades chinesas, mas no sul do Império do Meio existe uma megalópole com 70 milhões de habitantes, de onde saem mais de um terço das exportações e que gera mais de 10% da riqueza nacional. Hong Kong, Macau, Shenzhen ou Cantão são as jóias do delta do Rio das Pérolas. "É a região mais jovem na China. A mais educada, mais rica em talentos. Tem muito capital. E infraestruturas fantásticas", resumiu Gordon Orr da McKinsey.
"É muito mais rica do que Silicon Valley", defendeu o consultor, com a região a ter indústrias tradicionais, mas também o setor tecnológico, com empresas como a BYD, mas também a Tencent ou a Ping An.
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Investimento
Silicon Valley chinês chama por startups portuguesas
Pequim quer atrair startups de vários setores, incluindo de energias renováveis e de IA.
Jornal Económico
24/04/2026
Imprensa Nacional