Os seis projectos portugueses seleccionados neste concurso, dos quais dois estão integrados em Lisboa e Vale do Tejo, um no Norte, um no centro, um no Alentejo e um no Algarve, representam cerca de 30% do financiamento total europeu
Do Norte ao Algarve, passando pelo centro, por Lisboa e Vale do Tejo e pelo Alentejo, seis projectos portugueses receberam financiamento europeu no valor de 81 milhões de euros para criar ou modernizar centros de investigação de excelência na última edição do concurso Teaming for Excellence da Comissão Europeia, no âmbito do programa Horizonte Europa.
No total, esta edição do concurso recebeu 64 propostas dos vários Estados-membros e países associados, com um envelope financeiro indicativo disponível de 270 milhões de euros.
As seis candidaturas portuguesas representam 30% do financiamento total europeu, destaca um comunicado da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), "um resultado de grande impacto para o sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação", e incluem o compromisso de financiamento complementar nacional (através da FCT e das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional - CCDR), de "montante equivalente ao financiamento europeu, promovendo sinergias de fontes de financiamento e conjugando investimento estratégico nacional e europeu".
Dos seis projectos seleccionados, dois estão integrados na região de Lisboa e Vale do Tejo, um no Norte, um no centro, um no Alentejo e um no Algarve, actuando em áreas estratégicas: medicina genómica; ciências sociais e biomédicas; saúde humana e ambiental; regeneração e monitorização de solos mediterrânicos; sistemas de inteligência artificial sustentável; e arqueologia e património cultural.
As instituições irão agora iniciar a preparação do acordo de subvenção com a Comissão Europeia e os projectos deverão decorrer entre 2027 e 2032.
Juntando o financiamento vindo da Comissão Europeia, do Estado português e o investimento que os próprios institutos arrecadaram, o investimento totaliza 170,7 milhões de euros que serão alocados a estes seis projectos em Portugal.
Medicina genómica
Um dos projectos financiados, liderado pelo Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) e intitulado i3S- Health, propõe criar o primeiro centro de excelência em medicina genómica de Portugal, com um financiamento total que ascende a 36 milhões de euros -15 milhões da Comissão Europeia, 15 milhões do Governo português e seis milhões de investimento privado.
O centro de medicina genómica integrará "sequenciação de ADN de nova geração, biologia computacional, bioinformática orientada por inteligência artificial e genómica funcional de alto débito", destaca um comunicado do i3S.
Espera-se que o projecto, que será desenvolvido sob a orientação do Laboratório Europeu de Biologia Molecular e conta com parceiros nacionais - como o Ipatimup Diagnósticos e o Centro de Genética Preditiva e Preventiva do Instituto de Biologia Molecular e Celular -, permita aumentar "a capacidade e a precisão do diagnóstico, a formação de novos especialistas, o desenvolvimento de algoritmos preditivos para doenças genéticas complexas e a identificação de biomarcadores mul- tiómicos com aplicação clínica".
"Vamos ser capazes de fazer diagnóstico genético de muitas doenças diferentes, desde o cancro, doenças metabólicas, doenças neu- rodegenerativas e outras, ao nível do melhor que se faz no mundo", explica ao PÚBLICO Cláudio Sunkel, director do i3S. "Vamos adquirir equipamento que nos permite fazer
isto e vamos construir um centro informático com uma capacidade de armazenamento e computacional de nível internacional. E isto vai criar a primeira base de dados genética em Portugal."
Além da investigação e do estudo de amostras dos doentes para "tentar descobrir novas variantes pato- génicas que ainda não estão descobertas", a informação reunida será utilizada "para novos diagnósticos" e o objectivo passa por "conversar com a indústria para desenvolver novas terapias e tratamentos", diz Cláudio Sunkel, acrescentando que o projecto - que vai durar sete anos e que envolverá a construção de um espaço físico próprio - prevê ainda uma forte articulação com as várias unidades locais de saúde (ULS) de referência da região norte e terá uma componente de formação, assim como de comunicação e literacia.
Ciências sociais
Em Coimbra, o cientista Lino Ferreira, líder de grupo no Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra e no Centro de Biomedicina e Biotecnologia Inovadoras, vai coordenar o projecto IISB (Instituto de Avaliação Social e Biológica Integrada), que "tem como objectivo desenvolver abordagens inovadoras e interdisciplinares, cruzando as ciências sociais e biológicas para responder a desafios complexos nas áreas da saúde, bem- estar e políticas públicas".
"O projecto pretende estabelecer uma nova unidade de investigação na Universidade de Coimbra que irá investigar a contribuição das intervenções sociais na biologia humana. Pretende ainda contribuir para a monitorização e identificação de soluções não farmacológicas para o bem-estar humano", explica, citado em comunicado, Lino Ferreira.
O IISB vai beneficiar de um finan
ciamento europeu na ordem dos 15 milhões de euros, ao qual acresce financiamento nacional complementar de montante equivalente, elevando o investimento global estimado para cerca de 30 milhões de euros. Coordenado pela Universidade de Coimbra, conta com a participação do parceiro nacional Colab4Ageing, bem como do Centro de Estudos Sociais e da ULS de Coimbra, e ainda com parceiros internacionais, nomeadamente a Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e a Universidade Rovira i Virgili, em Espanha.
Fármacos e ambiente
Na região de Lisboa e Vale do Tejo, um dos projectos financiados, associado à Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa (UNL) em parceria com a Universidade de Leiden e o Centro Médico da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, denomi- na-se Nova-i4SF.
Com um investimento global de cerca de 30 milhões de euros, por parte da Comissão Europeia e do Estado Português, tem como objectivo criar o primeiro centro de excelência na Europa para a redução do
impacto ambiental de fármacos, integrando as dimensões da saúde humana e ambiental ao longo de todo o ciclo de vida dos medicamentos.
Segundo Eurico Cabrita, subdirector para a Inovação e Investigação daFCT-UNL, "o Nova-i4SF representa um passo estrutural na forma como abordamos o desenvolvimento de medicamentos". "Ao integrar critérios de sustentabilidade desde as fases iniciais de investigação, este centro de excelência permitirá reduzir o impacto ambiental dos fármacos sem comprometer a sua eficácia. Este projecto posiciona Portugal de forma clara no contexto europeu, contribuindo para uma abordagem mais integrada e responsável no sector farmacêutico."
Esta faculdade diz ainda que o projecto "combinará competências avançadas em química verde, biotecnologia, ciências ambientais, medicina de precisão e ciência de dados e inteligência artificial", uma integração que "permitirá desenvolver soluções farmacêuticas de nova geração, simultaneamente mais eficazes, seguras e sustentáveis". Um dos pilares do Nova-i4SF será também a formação avançada de recursos humanos, com "o objectivo de preparar uma nova geração de
investigadores capazes de actuar na interface entre saúde, ambiente e inovação".
IA confiável
Liderado pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores - Investigação e Desenvolvimento (INESC-ID), uma unidade de investigação associada ao Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, o Laboratório de Inteligência Artificial Sustentável (SAIL, na sigla em inglês) dedicar-se-á ao desenvolvimento de inteligência artificial (IA) "de última geração, sustentável e de confiança". Com 13 milhões de euros vindos da Comissão Europeia, esse montante será complementado por 14,2 milhões de euros de financiamento nacional (13 milhões do Governo português e 1,2 milhões do INESC-ID), totalizando 27,2 milhões de euros.
O INESC-ID vai unir forças com o Instituto Max Planck para Sistemas de Software, na Alemanha, e o Centro Alemão de Investigação em Inteligência Artificial, tendo como objectivo responder "a grandes desafios da IA, como a explicabili- dade e o raciocínio sobre acções e resultados da IA, a sustentabilidade
das suas computações e a segurança na utilização da IA".
Arlindo Oliveira, presidente do Inesc-ID, salienta que a ideia central do projecto SAIL "foi a de aplicar o conceito de investigação translacio- nal, desenvolvido na área médica, à área das tecnologias de IA", preten- dendo-se também "contribuir de forma activa para a definição de um enquadramento ético e legal sólido que assegure o uso responsável,
transparente e seguro da IA".
O projecto, frisa um comunicado do Inesc-ID, "desenvolverá uma rede de infra-estruturas físicas e computacionais para o desenvolvimento e teste de tecnologias". Terá também um forte foco na educação e na formação de recursos humanos, através do lançamento de um programa de duplo doutoramento em IA, atribuído pelo Instituto Superior Técnico e pela Universidade Técnica de Kaiserslautern, na Alemanha, e criará ainda um Hub de Ética e Regulação da IA.
Solos e território
Rumo ao Sul do país, em Évora, o projecto com o acrónimo MEDSoil+ pretende reforçar o papel de Portugal nos esforços europeus de restauro dos solos e do território, assim como a "capacidade nacional para apoiar gestores do território, o sector agro-alimentar e a administração pública na transição para práticas regenerativas do solo e na implementação da Lei Europeia de Monitorização dos Solos".
O projecto, em parceria com as instituições alemãs ATB e ZALF, "criará uma infra-estrutura alinhada com as políticas públicas para produzir dados de qualidade, formar especialistas e utilizadores, e apoiar decisões baseadas em evidência", refere um comunicado. "Prevê, ainda, modernizar infra-estruturas de investigação e aplicar agricultura de precisão, detecção remota e sistemas inteligentes de monitorização, contribuindo para melhorar a saúde do solo, a retenção de água e a capacitação de comunidades para a sustentabilidade a longo prazo."
Para isso, o MEDSoil+ conta com um financiamento de oito milhões de euros da Comissão Europeia e outros oito milhões do Governo português, num investimento total de 16 milhões de euros, que será "dividido" entre a adaptação do edifício, a compra de equipamentos, a contratação de recursos humanos e a transferência de conhecimento e tecnologia, avança ao PÚBLICO Fátima Baptista, uma das coordenadoras do projecto.
"O solo é uma fonte absolutamente importante e fundamental até para a produção alimentar e temos grande parte dos solos na Europa e no nosso país altamente degradados. Temos de promover o restauro e a conservação dos solos", diz a coordenadora.
Património arqueológico
No Algarve, o Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano (ICArEHB) da Universidade do Algarve assegurou um financiamento de 31,5 milhões de euros - 15 milhões da Comissão Europeia, com 16,5 milhões de financiamento nacional - para a criação do UAlgTec Heritage, "um novo centro europeu de excelência dedicado à inovação tecnológica em património arqueológico", destaca um comunicado.
O projecto será liderado pelo ICArEHB em parceria com a Universidade de Quiel, na Alemanha, a empresa portuguesa ERA Arqueologia e a consultora tecnológica irlandesa Zartis e pretende usar a tecnologia, em particular a IA, para "proteger, estudar e dar a conhecer o património arqueológico".
"Entre as soluções em desenvolvimento contam-se sistemas que ajudam a antecipar riscos sobre sítios arqueológicos ameaçados pelas alterações climáticas ou pela pressão urbana, experiências imersivas em realidade virtual e aumentada para visitantes, e ferramentas de apoio à decisão destinadas a autarquias e entidades públicas responsáveis pelo ordenamento do território", frisa o comunicado.
João Cascalheira, director do ICArEHB, destaca que, "durante muito tempo, a arqueologia foi vista como um sector à margem da transformação digital". "O UAlgTec Heritage quer inverter essa narrativa e mostrar que o património pode ser um dos motores mais dinâmicos da inovação tecnológica na próxima década."
Do Norte ao Algarve, passando pelo centro, por Lisboa e Vale do Tejo e pelo Alentejo, seis projectos portugueses receberam financiamento europeu no valor de 81 milhões de euros para criar ou modernizar centros de investigação de excelência na última edição do concurso Teaming for Excellence da Comissão Europeia, no âmbito do programa Horizonte Europa.
No total, esta edição do concurso recebeu 64 propostas dos vários Estados-membros e países associados, com um envelope financeiro indicativo disponível de 270 milhões de euros.
As seis candidaturas portuguesas representam 30% do financiamento total europeu, destaca um comunicado da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), "um resultado de grande impacto para o sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação", e incluem o compromisso de financiamento complementar nacional (através da FCT e das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional - CCDR), de "montante equivalente ao financiamento europeu, promovendo sinergias de fontes de financiamento e conjugando investimento estratégico nacional e europeu".
Dos seis projectos seleccionados, dois estão integrados na região de Lisboa e Vale do Tejo, um no Norte, um no centro, um no Alentejo e um no Algarve, actuando em áreas estratégicas: medicina genómica; ciências sociais e biomédicas; saúde humana e ambiental; regeneração e monitorização de solos mediterrânicos; sistemas de inteligência artificial sustentável; e arqueologia e património cultural.
As instituições irão agora iniciar a preparação do acordo de subvenção com a Comissão Europeia e os projectos deverão decorrer entre 2027 e 2032.
Juntando o financiamento vindo da Comissão Europeia, do Estado português e o investimento que os próprios institutos arrecadaram, o investimento totaliza 170,7 milhões de euros que serão alocados a estes seis projectos em Portugal.
Medicina genómica
Um dos projectos financiados, liderado pelo Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) e intitulado i3S- Health, propõe criar o primeiro centro de excelência em medicina genómica de Portugal, com um financiamento total que ascende a 36 milhões de euros -15 milhões da Comissão Europeia, 15 milhões do Governo português e seis milhões de investimento privado.
O centro de medicina genómica integrará "sequenciação de ADN de nova geração, biologia computacional, bioinformática orientada por inteligência artificial e genómica funcional de alto débito", destaca um comunicado do i3S.
Espera-se que o projecto, que será desenvolvido sob a orientação do Laboratório Europeu de Biologia Molecular e conta com parceiros nacionais - como o Ipatimup Diagnósticos e o Centro de Genética Preditiva e Preventiva do Instituto de Biologia Molecular e Celular -, permita aumentar "a capacidade e a precisão do diagnóstico, a formação de novos especialistas, o desenvolvimento de algoritmos preditivos para doenças genéticas complexas e a identificação de biomarcadores mul- tiómicos com aplicação clínica".
"Vamos ser capazes de fazer diagnóstico genético de muitas doenças diferentes, desde o cancro, doenças metabólicas, doenças neu- rodegenerativas e outras, ao nível do melhor que se faz no mundo", explica ao PÚBLICO Cláudio Sunkel, director do i3S. "Vamos adquirir equipamento que nos permite fazer
isto e vamos construir um centro informático com uma capacidade de armazenamento e computacional de nível internacional. E isto vai criar a primeira base de dados genética em Portugal."
Além da investigação e do estudo de amostras dos doentes para "tentar descobrir novas variantes pato- génicas que ainda não estão descobertas", a informação reunida será utilizada "para novos diagnósticos" e o objectivo passa por "conversar com a indústria para desenvolver novas terapias e tratamentos", diz Cláudio Sunkel, acrescentando que o projecto - que vai durar sete anos e que envolverá a construção de um espaço físico próprio - prevê ainda uma forte articulação com as várias unidades locais de saúde (ULS) de referência da região norte e terá uma componente de formação, assim como de comunicação e literacia.
Ciências sociais
Em Coimbra, o cientista Lino Ferreira, líder de grupo no Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra e no Centro de Biomedicina e Biotecnologia Inovadoras, vai coordenar o projecto IISB (Instituto de Avaliação Social e Biológica Integrada), que "tem como objectivo desenvolver abordagens inovadoras e interdisciplinares, cruzando as ciências sociais e biológicas para responder a desafios complexos nas áreas da saúde, bem- estar e políticas públicas".
"O projecto pretende estabelecer uma nova unidade de investigação na Universidade de Coimbra que irá investigar a contribuição das intervenções sociais na biologia humana. Pretende ainda contribuir para a monitorização e identificação de soluções não farmacológicas para o bem-estar humano", explica, citado em comunicado, Lino Ferreira.
O IISB vai beneficiar de um finan
ciamento europeu na ordem dos 15 milhões de euros, ao qual acresce financiamento nacional complementar de montante equivalente, elevando o investimento global estimado para cerca de 30 milhões de euros. Coordenado pela Universidade de Coimbra, conta com a participação do parceiro nacional Colab4Ageing, bem como do Centro de Estudos Sociais e da ULS de Coimbra, e ainda com parceiros internacionais, nomeadamente a Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e a Universidade Rovira i Virgili, em Espanha.
Fármacos e ambiente
Na região de Lisboa e Vale do Tejo, um dos projectos financiados, associado à Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa (UNL) em parceria com a Universidade de Leiden e o Centro Médico da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, denomi- na-se Nova-i4SF.
Com um investimento global de cerca de 30 milhões de euros, por parte da Comissão Europeia e do Estado Português, tem como objectivo criar o primeiro centro de excelência na Europa para a redução do
impacto ambiental de fármacos, integrando as dimensões da saúde humana e ambiental ao longo de todo o ciclo de vida dos medicamentos.
Segundo Eurico Cabrita, subdirector para a Inovação e Investigação daFCT-UNL, "o Nova-i4SF representa um passo estrutural na forma como abordamos o desenvolvimento de medicamentos". "Ao integrar critérios de sustentabilidade desde as fases iniciais de investigação, este centro de excelência permitirá reduzir o impacto ambiental dos fármacos sem comprometer a sua eficácia. Este projecto posiciona Portugal de forma clara no contexto europeu, contribuindo para uma abordagem mais integrada e responsável no sector farmacêutico."
Esta faculdade diz ainda que o projecto "combinará competências avançadas em química verde, biotecnologia, ciências ambientais, medicina de precisão e ciência de dados e inteligência artificial", uma integração que "permitirá desenvolver soluções farmacêuticas de nova geração, simultaneamente mais eficazes, seguras e sustentáveis". Um dos pilares do Nova-i4SF será também a formação avançada de recursos humanos, com "o objectivo de preparar uma nova geração de
investigadores capazes de actuar na interface entre saúde, ambiente e inovação".
IA confiável
Liderado pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores - Investigação e Desenvolvimento (INESC-ID), uma unidade de investigação associada ao Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, o Laboratório de Inteligência Artificial Sustentável (SAIL, na sigla em inglês) dedicar-se-á ao desenvolvimento de inteligência artificial (IA) "de última geração, sustentável e de confiança". Com 13 milhões de euros vindos da Comissão Europeia, esse montante será complementado por 14,2 milhões de euros de financiamento nacional (13 milhões do Governo português e 1,2 milhões do INESC-ID), totalizando 27,2 milhões de euros.
O INESC-ID vai unir forças com o Instituto Max Planck para Sistemas de Software, na Alemanha, e o Centro Alemão de Investigação em Inteligência Artificial, tendo como objectivo responder "a grandes desafios da IA, como a explicabili- dade e o raciocínio sobre acções e resultados da IA, a sustentabilidade
das suas computações e a segurança na utilização da IA".
Arlindo Oliveira, presidente do Inesc-ID, salienta que a ideia central do projecto SAIL "foi a de aplicar o conceito de investigação translacio- nal, desenvolvido na área médica, à área das tecnologias de IA", preten- dendo-se também "contribuir de forma activa para a definição de um enquadramento ético e legal sólido que assegure o uso responsável,
transparente e seguro da IA".
O projecto, frisa um comunicado do Inesc-ID, "desenvolverá uma rede de infra-estruturas físicas e computacionais para o desenvolvimento e teste de tecnologias". Terá também um forte foco na educação e na formação de recursos humanos, através do lançamento de um programa de duplo doutoramento em IA, atribuído pelo Instituto Superior Técnico e pela Universidade Técnica de Kaiserslautern, na Alemanha, e criará ainda um Hub de Ética e Regulação da IA.
Solos e território
Rumo ao Sul do país, em Évora, o projecto com o acrónimo MEDSoil+ pretende reforçar o papel de Portugal nos esforços europeus de restauro dos solos e do território, assim como a "capacidade nacional para apoiar gestores do território, o sector agro-alimentar e a administração pública na transição para práticas regenerativas do solo e na implementação da Lei Europeia de Monitorização dos Solos".
O projecto, em parceria com as instituições alemãs ATB e ZALF, "criará uma infra-estrutura alinhada com as políticas públicas para produzir dados de qualidade, formar especialistas e utilizadores, e apoiar decisões baseadas em evidência", refere um comunicado. "Prevê, ainda, modernizar infra-estruturas de investigação e aplicar agricultura de precisão, detecção remota e sistemas inteligentes de monitorização, contribuindo para melhorar a saúde do solo, a retenção de água e a capacitação de comunidades para a sustentabilidade a longo prazo."
Para isso, o MEDSoil+ conta com um financiamento de oito milhões de euros da Comissão Europeia e outros oito milhões do Governo português, num investimento total de 16 milhões de euros, que será "dividido" entre a adaptação do edifício, a compra de equipamentos, a contratação de recursos humanos e a transferência de conhecimento e tecnologia, avança ao PÚBLICO Fátima Baptista, uma das coordenadoras do projecto.
"O solo é uma fonte absolutamente importante e fundamental até para a produção alimentar e temos grande parte dos solos na Europa e no nosso país altamente degradados. Temos de promover o restauro e a conservação dos solos", diz a coordenadora.
Património arqueológico
No Algarve, o Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano (ICArEHB) da Universidade do Algarve assegurou um financiamento de 31,5 milhões de euros - 15 milhões da Comissão Europeia, com 16,5 milhões de financiamento nacional - para a criação do UAlgTec Heritage, "um novo centro europeu de excelência dedicado à inovação tecnológica em património arqueológico", destaca um comunicado.
O projecto será liderado pelo ICArEHB em parceria com a Universidade de Quiel, na Alemanha, a empresa portuguesa ERA Arqueologia e a consultora tecnológica irlandesa Zartis e pretende usar a tecnologia, em particular a IA, para "proteger, estudar e dar a conhecer o património arqueológico".
"Entre as soluções em desenvolvimento contam-se sistemas que ajudam a antecipar riscos sobre sítios arqueológicos ameaçados pelas alterações climáticas ou pela pressão urbana, experiências imersivas em realidade virtual e aumentada para visitantes, e ferramentas de apoio à decisão destinadas a autarquias e entidades públicas responsáveis pelo ordenamento do território", frisa o comunicado.
João Cascalheira, director do ICArEHB, destaca que, "durante muito tempo, a arqueologia foi vista como um sector à margem da transformação digital". "O UAlgTec Heritage quer inverter essa narrativa e mostrar que o património pode ser um dos motores mais dinâmicos da inovação tecnológica na próxima década."