As exportações do Vinho Verde cresceram 31% em volume e 25% em valor entre Janeiro e Novembro de 2024, revela a CVRVV, que apresentou esta quinta-feira a sua agenda para a competitividade.
Ana Isabel Pereira As exportações do Vinho Verde cresceram 31% em volume e 25% em valor entre Janeiro e Novembro de 2024, revelou, esta quinta-feira, a presidente da Comissão de Viticultura da Região (CVRVV), durante a apresentação de uma radiografia ao sector vitivinícola no que respeita a Investigação & Desenvolvimento (I&D) e Inovação e da agenda para a competitividade que nasceu desse levantamento da realidade .
Ao PÚBLICO, e à margem do evento, Dora Simões concretizou que naquele período do ano passado a região demarcada exportou 42,3 milhões de litros de vinho, que corresponderam a um encaixe financeiro de 106 milhões de euros. E ainda que, no final de Novembro, as "exportações de Vinho Verde branco" representavam 56% do total da comercialização da região.
Em 2023, as exportações de Vinho Verde já tinham aumentado face ao ano anterior, com crescimentos de 8% e 11% em volume e valor, respectivamente, ou seja, as vendas lá fora já cresciam a dois dígitos, pelo menos em valor, mas os dados de 2024 (e sem o mês de Dezembro, note-se) confirmam uma trajectória de sucesso.
Para que essas "taxas de crescimento interessantes, muito interessantes", como lhes chamou o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, António Cunha, presente no evento que decorreu na Porto Business School, sejam sustentáveis, a CVRVV lançou uma agenda com prioridades ambientais, sociais, económicas e de governança.
Fê-lo depois de ouvir o tecido empresarial da região. O "documento orientador", como lhe chamou Dora Simões, estabelece cinco áreas prioritárias: é necessário descomplicar o acesso ao financiamento; a região só tem a ganhar com colaboração; e deve investir na capacitação dos seus recursos humanos; o foco tem de ser na sustentabilidade e adaptação e a CVRVV compromete-se a abrir as portas da sua Estação Vitivinícola Amândio Galhano , onde decorrem vários ensaios a pensar no futuro da região, para acções de demonstração, e a continuar a ajudar os agentes económicos in situ e noutros locais ; e a modernização tecnológica é urgente e deve abranger toda a cadeia de valor. Como explicou Alexander Cornejo Pino , director de Sustentabilidade da CVRVV e responsável pelo projecto Academia do Vinho Verde, a comissão de viticultura auscultou "agentes económicos, técnicos, instituições público-privadas, académicos e investigadores", num inquérito que decorreu online entre 14 de Maio e 14 Junho 2024 e recolheu 130 contributos, dos quais 124 respostas consideradas válidas.
Minutos antes, Dora Simões congratulara-se com o nível de participação do estudo: "124 respostas válidas, num universo de cerca de 390 engarrafadores e em que muitos são também viticultores" .
O objectivo era, segundo Cornejo Pino, "recolher informações-chave sobre o estado actual da investigação, desenvolvimento e inovação na região demarcada dos Vinhos Verdes", para poder "delinear estratégias conjuntas para ultrapassar os desafios elencados".
E no que diz respeito à situação dentro de portas 88% dos inquiridos referiram ser agentes económicos os participantes vêem o copo meio cheio: a percepção global é de que, nas suas empresas, o compromisso com I&D+I está nos 2,83 numa escala de 0 a 5.
Ou seja, "existe margem de trabalho", interpretou o investigador. Já num ponto do inquérito que se focava no reconhecimento da importância da I&D+I na região, a percepção global dos inquiridos todos com formação superior, 85% homens e a maioria em cargos de gestão e direcção foi de 4,46 em 5. E 89% consideraram a I&D+I "importante ou muito importante", sendo que desse grupo 59% disseram mesmo ser "extremamente importante".
Foto Agenda para a competitividade do Vinho Verde destina-se "a estabelecer pontes de colaboração entre quem precisa de inovar e quem pode oferecer esses serviços", explicou Dora Simões Rui Oliveira Na secção "Onde estamos", e no que diz respeito à intenção de investir, "em processos produtivos", 72% disseram ter intenção de investir em métodos para produzir ou desenvolver bens e serviços, e quanto a apostar "em inovação", 77,3% prevê um investimento significativo em equipamento, maquinaria, software e infra-estrutura, com o foco na modernização tecnológica das suas empresas.
Os principais obstáculos que as empresas de vinho dizem enfrentar são a obtenção de financiamento e os custos elevados dos projectos (64% deram essa resposta), logo seguidos das dificuldades em conseguir apoios públicos (61%). Apenas 8% respondeu não reconhecer benefícios associados à inovação e desenvolvimento. Desta parte do inquérito, notou Alexander Cornejo Pino, resulta a constatação de que há uma necessidade muito grande de aconselhamento e acompanhamento em matéria de financiamento público.
O retrato que a própria região faz quando se olha ao espelho, "rumo a um ecossistema de inovação eficaz", é o seguinte: é necessário focar o investimento na produção, mas financiar essa aposta é um desafio; deve haver "complementaridade entre tecnologia e capital humano, mas com necessidade de apoios públicos"; há potencial de melhoria em áreas de suporte logística, recursos humanos e marketing e "necessidade de ultrapassar outras barreiras", como a falta de pessoal qualificado; há uma consciencialização generalizada do "valor da I&D+I como motor para ultrapassar barreiras".
O que estão os inquiridos a fazer para inovar? A esmagadora maioria disse ter investimentos em curso (19%) ou previstos para os próximos dois anos (52%), 13% responderam ter investido recentemente nesta área e apenas 16% declarou que não pretende fazer investimentos em I&D+I. Questionados sobre o investimento mais importante feito pela região nos últimos 20 anos, 28% apontaram o trabalho de marketing e promoção do Vinho Verde.
Que desafios enfrenta o Vinho Verde? No que toca à viticultura, os inquiridos no estudo da CVRVV indicaram como desafios as alterações climáticas e a necessária adaptação a essa nova realidade, a "gestão de recursos hídricos e sistemas de rega eficientes", "práticas sustentáveis e amigas do ambiente", nomeadamente no controlo de pragas e doenças, como a flavescência dourada, que afecta particularmente a região dos Vinhos Verdes; e, por fim, "encontrar soluções fitossanitárias mais ecológicas" para combater essas ameaças. Sem surpresa no actual panorama de redução do consumo de vinho e procura por vinhos menos alcoólicos, na enologia o principal desafio é a produção de vinhos mais leves sem perder qualidade e identidade ("como conseguir produzir vinhos com menor teor alcoólico, mantendo a acidez característica da região e também a sua tipicidade?").
A par, claro, da inovação e da diversificação também na adega e nos perfis de vinho a produzir e da "sustentabilidade e rentabilidade". No marketing e comércio, o tecido empresarial dos Vinhos Verdes põe a tónica na "valorização e preço" dos seus produtos. Assim como na necessidade de fazer uma "comunicação eficaz da diversidade de estilos" produzidos na região, na "internacionalização" ("expansão e consolidação" de mercados) e na urgência de "atrair novos consumidores" para o Vinho Verde. Por onde começar? Para 82,3%, o combate a pragas e doenças da vinha deve uma prioridade ambiental rumo a uma viticultura sustentável; 72,6% indicaram ser prioritária também a conservação do solo; 70,6% entendem que urge promover a biodiversidade; e 74,2% quer ver a região adaptar-se às alterações climáticas.
Foto Os produtores do Vinho Verde entendem como prioritária a conservação do solo; na imagem a experiência de Anselmo Mendes com a produção de matéria orgânica a partir do bagaço da uva para aplicação na Quinta da Torre (Monção) Anna Costa No plano social, 77,4% entende que a gestão da paisagem, do território e dos ecossistemas deve ser uma prioridade.
O enoturismo vem a seguir, com 70,1% dos inquiridos a identificá-lo como área prioritária. E 63,7% gostavam de ver implementadas "políticas de responsabilidade social corporativa" As prioridades económicas e de governança devem ser o estabelecimento de estratégias para aumentar a rentabilidade e competitividade (78%), a implementação de sistemas de compras sustentáveis (74,2%), o desenvolvimento de sistemas de controlo de qualidade e rastreabilidade (64,5%) e a realização de estudos de mercado e preferências do consumidor (65,3%).
Numa questão aberta, explicou Alexander Cornejo Pino, os inquiridos "foram convidados a referir outras prioridades" que não surgiam antes no inquérito e a formação e capacitação técnica foi a prioridade mais referida. "No final do inquérito pretendia-se perceber o interesse de aderir a uma rede colaborativa de investigação, desenvolvimento e inovação: 68% estavam disponíveis ou muito disponíveis para integrar uma rede colaborativa e 32% mostraram-se pouco disponíveis ou indisponíveis." Para além da própria CVRVV, a auscultação relevou uma "preferência por instituições locais e regionais" na hora de eleger parceiros em matéria de I&D+I, com os inquiridos a apontar a Universidade do Porto (UPorto), a de Trás-os-Montes e Alto Douro, e a do Minho (UMinho), o Instituto Politécnico de Viana do Castelo e a Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID) Cluster da Vinha e do Vinho como instituições com quem gostariam de trabalhar. "Há três coisas muito importantes: capacitação, capacitação, capacitação .
É aí que está a chave da mudança", observou, num dos painéis de debate que se seguiram à apresentação da agenda de I&D+I, Cláudia Pascoal. Precisamente a directora do Instituto de Ciência e Inovação para a Bio-Sustentabilidade da UMinho, uma das entidades referidas no inquérito à região. A investigadora, que se tem focado nas alterações climáticas e na biodiversidade, enalteceu a ideia da rede colaborativa: "Há uma oportunidade imensa de nós colaborarmos via projectos com co-financiamento", disse, referindo-se não apenas à UMinho, mas, em geral, a diferentes entidades, "locais, nacionais e internacionais", bem posicionadas para tomar a liderança nessas candidaturas. "Há projectos de co-promoção que podem atingir valores bastante simpáticos. A empresa só tem de co-financiar 25% ou 30%, dependendo dos projectos." Tal como Cláudia Pascoal, Ruth Pereira, directora do GreenUPorto Centro de Investigação em Produção Agro-alimentar Sustentável da UPorto, só desejou que a procura por financiamento não consumisse tanto tempo a académicos e gestores. E defendeu "uma visão holística" que olhe para o "ecossistema como um todo" e não apenas para os solos: "Acordamos agora para os solos.
A produtividade, a resposta da cultura, pode não ser só do solo. Temos de olhar para o ecossistema como um conjunto, tentar restaurar a sua saúde." Num painel diferente, Rui Couto Viana, director do programa Wine Business Management, da Porto Business School, comentou que "o mais difícil [para as empresas] é ter uma estratégia pensada e implementada". "Tendo uma estratégia, conseguem identificar onde precisam de ajuda. Porque não basta eu ter uma estratégia, tenho de saber como é que posso implementar a estratégia. Se eu souber o que sou e para onde vou, com certeza saberei dizer quem vem comigo." Beatriz Machado defendeu que o enoturismo tem de fazer parte da estratégia, mas numa lógica de criar embaixadores que depois possam vir a significar vendas e não o contrário. Sem pressa, nem medos. "No fundo, o vinho pode ser um fio condutor para [um turista] conhecer Portugal. Não é preciso ter tudo impecável. Podemos fazer com a prata da casa. Ou esta discussão não passará à concretização. O primeiro passo é abrir a porta", argumentou a directora de marketing e turismo da Niepoort. Na sua intervenção, Dora Simões sublinhou que a região e em concreto a sua comissão de viticultura tinham um longo historial de inovação e a apresentação pública desta quinta-feira se destinava sobretudo "a estabelecer pontes de colaboração entre quem precisa de inovar e quem pode oferecer esses serviços". Defendeu a necessidade de o Vinho Verde "adoptar um modelo de trabalho mais aberto e participativo", no qual dá a conhecer as suas necessidades e convida "quem trabalha na investigação e na inovação" a conhecer e a discutir essas problemáticas.
Das suas palavras percebe-se outro intuito também: colocar a semente da colaboração nas mentes da academia, até para que a região possa aceder, por via dessa colaboração, aos recursos financeiros de que precisa para se desenvolver.
Ana Isabel Pereira As exportações do Vinho Verde cresceram 31% em volume e 25% em valor entre Janeiro e Novembro de 2024, revelou, esta quinta-feira, a presidente da Comissão de Viticultura da Região (CVRVV), durante a apresentação de uma radiografia ao sector vitivinícola no que respeita a Investigação & Desenvolvimento (I&D) e Inovação e da agenda para a competitividade que nasceu desse levantamento da realidade .
Ao PÚBLICO, e à margem do evento, Dora Simões concretizou que naquele período do ano passado a região demarcada exportou 42,3 milhões de litros de vinho, que corresponderam a um encaixe financeiro de 106 milhões de euros. E ainda que, no final de Novembro, as "exportações de Vinho Verde branco" representavam 56% do total da comercialização da região.
Em 2023, as exportações de Vinho Verde já tinham aumentado face ao ano anterior, com crescimentos de 8% e 11% em volume e valor, respectivamente, ou seja, as vendas lá fora já cresciam a dois dígitos, pelo menos em valor, mas os dados de 2024 (e sem o mês de Dezembro, note-se) confirmam uma trajectória de sucesso.
Para que essas "taxas de crescimento interessantes, muito interessantes", como lhes chamou o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, António Cunha, presente no evento que decorreu na Porto Business School, sejam sustentáveis, a CVRVV lançou uma agenda com prioridades ambientais, sociais, económicas e de governança.
Fê-lo depois de ouvir o tecido empresarial da região. O "documento orientador", como lhe chamou Dora Simões, estabelece cinco áreas prioritárias: é necessário descomplicar o acesso ao financiamento; a região só tem a ganhar com colaboração; e deve investir na capacitação dos seus recursos humanos; o foco tem de ser na sustentabilidade e adaptação e a CVRVV compromete-se a abrir as portas da sua Estação Vitivinícola Amândio Galhano , onde decorrem vários ensaios a pensar no futuro da região, para acções de demonstração, e a continuar a ajudar os agentes económicos in situ e noutros locais ; e a modernização tecnológica é urgente e deve abranger toda a cadeia de valor. Como explicou Alexander Cornejo Pino , director de Sustentabilidade da CVRVV e responsável pelo projecto Academia do Vinho Verde, a comissão de viticultura auscultou "agentes económicos, técnicos, instituições público-privadas, académicos e investigadores", num inquérito que decorreu online entre 14 de Maio e 14 Junho 2024 e recolheu 130 contributos, dos quais 124 respostas consideradas válidas.
Minutos antes, Dora Simões congratulara-se com o nível de participação do estudo: "124 respostas válidas, num universo de cerca de 390 engarrafadores e em que muitos são também viticultores" .
O objectivo era, segundo Cornejo Pino, "recolher informações-chave sobre o estado actual da investigação, desenvolvimento e inovação na região demarcada dos Vinhos Verdes", para poder "delinear estratégias conjuntas para ultrapassar os desafios elencados".
E no que diz respeito à situação dentro de portas 88% dos inquiridos referiram ser agentes económicos os participantes vêem o copo meio cheio: a percepção global é de que, nas suas empresas, o compromisso com I&D+I está nos 2,83 numa escala de 0 a 5.
Ou seja, "existe margem de trabalho", interpretou o investigador. Já num ponto do inquérito que se focava no reconhecimento da importância da I&D+I na região, a percepção global dos inquiridos todos com formação superior, 85% homens e a maioria em cargos de gestão e direcção foi de 4,46 em 5. E 89% consideraram a I&D+I "importante ou muito importante", sendo que desse grupo 59% disseram mesmo ser "extremamente importante".
Foto Agenda para a competitividade do Vinho Verde destina-se "a estabelecer pontes de colaboração entre quem precisa de inovar e quem pode oferecer esses serviços", explicou Dora Simões Rui Oliveira Na secção "Onde estamos", e no que diz respeito à intenção de investir, "em processos produtivos", 72% disseram ter intenção de investir em métodos para produzir ou desenvolver bens e serviços, e quanto a apostar "em inovação", 77,3% prevê um investimento significativo em equipamento, maquinaria, software e infra-estrutura, com o foco na modernização tecnológica das suas empresas.
Os principais obstáculos que as empresas de vinho dizem enfrentar são a obtenção de financiamento e os custos elevados dos projectos (64% deram essa resposta), logo seguidos das dificuldades em conseguir apoios públicos (61%). Apenas 8% respondeu não reconhecer benefícios associados à inovação e desenvolvimento. Desta parte do inquérito, notou Alexander Cornejo Pino, resulta a constatação de que há uma necessidade muito grande de aconselhamento e acompanhamento em matéria de financiamento público.
O retrato que a própria região faz quando se olha ao espelho, "rumo a um ecossistema de inovação eficaz", é o seguinte: é necessário focar o investimento na produção, mas financiar essa aposta é um desafio; deve haver "complementaridade entre tecnologia e capital humano, mas com necessidade de apoios públicos"; há potencial de melhoria em áreas de suporte logística, recursos humanos e marketing e "necessidade de ultrapassar outras barreiras", como a falta de pessoal qualificado; há uma consciencialização generalizada do "valor da I&D+I como motor para ultrapassar barreiras".
O que estão os inquiridos a fazer para inovar? A esmagadora maioria disse ter investimentos em curso (19%) ou previstos para os próximos dois anos (52%), 13% responderam ter investido recentemente nesta área e apenas 16% declarou que não pretende fazer investimentos em I&D+I. Questionados sobre o investimento mais importante feito pela região nos últimos 20 anos, 28% apontaram o trabalho de marketing e promoção do Vinho Verde.
Que desafios enfrenta o Vinho Verde? No que toca à viticultura, os inquiridos no estudo da CVRVV indicaram como desafios as alterações climáticas e a necessária adaptação a essa nova realidade, a "gestão de recursos hídricos e sistemas de rega eficientes", "práticas sustentáveis e amigas do ambiente", nomeadamente no controlo de pragas e doenças, como a flavescência dourada, que afecta particularmente a região dos Vinhos Verdes; e, por fim, "encontrar soluções fitossanitárias mais ecológicas" para combater essas ameaças. Sem surpresa no actual panorama de redução do consumo de vinho e procura por vinhos menos alcoólicos, na enologia o principal desafio é a produção de vinhos mais leves sem perder qualidade e identidade ("como conseguir produzir vinhos com menor teor alcoólico, mantendo a acidez característica da região e também a sua tipicidade?").
A par, claro, da inovação e da diversificação também na adega e nos perfis de vinho a produzir e da "sustentabilidade e rentabilidade". No marketing e comércio, o tecido empresarial dos Vinhos Verdes põe a tónica na "valorização e preço" dos seus produtos. Assim como na necessidade de fazer uma "comunicação eficaz da diversidade de estilos" produzidos na região, na "internacionalização" ("expansão e consolidação" de mercados) e na urgência de "atrair novos consumidores" para o Vinho Verde. Por onde começar? Para 82,3%, o combate a pragas e doenças da vinha deve uma prioridade ambiental rumo a uma viticultura sustentável; 72,6% indicaram ser prioritária também a conservação do solo; 70,6% entendem que urge promover a biodiversidade; e 74,2% quer ver a região adaptar-se às alterações climáticas.
Foto Os produtores do Vinho Verde entendem como prioritária a conservação do solo; na imagem a experiência de Anselmo Mendes com a produção de matéria orgânica a partir do bagaço da uva para aplicação na Quinta da Torre (Monção) Anna Costa No plano social, 77,4% entende que a gestão da paisagem, do território e dos ecossistemas deve ser uma prioridade.
O enoturismo vem a seguir, com 70,1% dos inquiridos a identificá-lo como área prioritária. E 63,7% gostavam de ver implementadas "políticas de responsabilidade social corporativa" As prioridades económicas e de governança devem ser o estabelecimento de estratégias para aumentar a rentabilidade e competitividade (78%), a implementação de sistemas de compras sustentáveis (74,2%), o desenvolvimento de sistemas de controlo de qualidade e rastreabilidade (64,5%) e a realização de estudos de mercado e preferências do consumidor (65,3%).
Numa questão aberta, explicou Alexander Cornejo Pino, os inquiridos "foram convidados a referir outras prioridades" que não surgiam antes no inquérito e a formação e capacitação técnica foi a prioridade mais referida. "No final do inquérito pretendia-se perceber o interesse de aderir a uma rede colaborativa de investigação, desenvolvimento e inovação: 68% estavam disponíveis ou muito disponíveis para integrar uma rede colaborativa e 32% mostraram-se pouco disponíveis ou indisponíveis." Para além da própria CVRVV, a auscultação relevou uma "preferência por instituições locais e regionais" na hora de eleger parceiros em matéria de I&D+I, com os inquiridos a apontar a Universidade do Porto (UPorto), a de Trás-os-Montes e Alto Douro, e a do Minho (UMinho), o Instituto Politécnico de Viana do Castelo e a Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID) Cluster da Vinha e do Vinho como instituições com quem gostariam de trabalhar. "Há três coisas muito importantes: capacitação, capacitação, capacitação .
É aí que está a chave da mudança", observou, num dos painéis de debate que se seguiram à apresentação da agenda de I&D+I, Cláudia Pascoal. Precisamente a directora do Instituto de Ciência e Inovação para a Bio-Sustentabilidade da UMinho, uma das entidades referidas no inquérito à região. A investigadora, que se tem focado nas alterações climáticas e na biodiversidade, enalteceu a ideia da rede colaborativa: "Há uma oportunidade imensa de nós colaborarmos via projectos com co-financiamento", disse, referindo-se não apenas à UMinho, mas, em geral, a diferentes entidades, "locais, nacionais e internacionais", bem posicionadas para tomar a liderança nessas candidaturas. "Há projectos de co-promoção que podem atingir valores bastante simpáticos. A empresa só tem de co-financiar 25% ou 30%, dependendo dos projectos." Tal como Cláudia Pascoal, Ruth Pereira, directora do GreenUPorto Centro de Investigação em Produção Agro-alimentar Sustentável da UPorto, só desejou que a procura por financiamento não consumisse tanto tempo a académicos e gestores. E defendeu "uma visão holística" que olhe para o "ecossistema como um todo" e não apenas para os solos: "Acordamos agora para os solos.
A produtividade, a resposta da cultura, pode não ser só do solo. Temos de olhar para o ecossistema como um conjunto, tentar restaurar a sua saúde." Num painel diferente, Rui Couto Viana, director do programa Wine Business Management, da Porto Business School, comentou que "o mais difícil [para as empresas] é ter uma estratégia pensada e implementada". "Tendo uma estratégia, conseguem identificar onde precisam de ajuda. Porque não basta eu ter uma estratégia, tenho de saber como é que posso implementar a estratégia. Se eu souber o que sou e para onde vou, com certeza saberei dizer quem vem comigo." Beatriz Machado defendeu que o enoturismo tem de fazer parte da estratégia, mas numa lógica de criar embaixadores que depois possam vir a significar vendas e não o contrário. Sem pressa, nem medos. "No fundo, o vinho pode ser um fio condutor para [um turista] conhecer Portugal. Não é preciso ter tudo impecável. Podemos fazer com a prata da casa. Ou esta discussão não passará à concretização. O primeiro passo é abrir a porta", argumentou a directora de marketing e turismo da Niepoort. Na sua intervenção, Dora Simões sublinhou que a região e em concreto a sua comissão de viticultura tinham um longo historial de inovação e a apresentação pública desta quinta-feira se destinava sobretudo "a estabelecer pontes de colaboração entre quem precisa de inovar e quem pode oferecer esses serviços". Defendeu a necessidade de o Vinho Verde "adoptar um modelo de trabalho mais aberto e participativo", no qual dá a conhecer as suas necessidades e convida "quem trabalha na investigação e na inovação" a conhecer e a discutir essas problemáticas.
Das suas palavras percebe-se outro intuito também: colocar a semente da colaboração nas mentes da academia, até para que a região possa aceder, por via dessa colaboração, aos recursos financeiros de que precisa para se desenvolver.