Foram divulgados os dados do ComexStat, plataforma estatística oficial do Governo brasileiro, sob tutela do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços, relativos às importações brasileiras em 2025 e, como tal, afigura-se relevante analisar os números referentes aos produtos portugueses.
O valor total das importações portuguesas pelo Brasil, após o recorde histórico de 2024, cifrou-se em 1,25 mil milhões de USD, praticamente inalterado face ao ano anterior, registando uma ligeira quebra de 1,2%. Em comparação com 2023, verifica-se um aumento de 17,6% e, num horizonte de cinco anos, um crescimento de 55,1% face a 2020. Para os mesmos períodos, as importações globais do Brasil aumentaram 6,7% em comparação com 2024, 16,4% face a 2023 e 76,6% face a 2020.
Portugal manteve a trajetória de recuperação da sua quota de mercado enquanto fornecedor do Brasil nos últimos anos, essencialmente devido à diminuição das importações globais brasileiras em 2023 e 2024 e ao aumento significativo das importações de azeite provenientes de Portugal nesse período. No acumulado a cinco anos, o crescimento geral do Brasil foi de 76,6%, enquanto o de Portugal foi de 56,4% — uma trajetória positiva, uma vez que, embora abaixo do valor global, apresenta ganhos superiores aos da média dos principais mercados fornecedores do Brasil.
Em 2025, os produtos do segmento agroalimentar voltaram a predominar no top 10 dos bens mais importados pelo Brasil. De resto, a composição deste top 10 inclui os mesmos produtos que habitualmente integram a lista dos principais bens comercializados por Portugal no mercado brasileiro. No entanto, registam-se alterações no impacto e na distribuição do seu peso. O principal produto que contribuiu para manter as importações em níveis positivos foi Partes de aparelhos aéreos das posições 88.01, 88.02 e 88.06, com um crescimento expressivo de quase 20%. Este produto tem vindo a registar crescimentos consecutivos nos últimos três anos e representa já cerca de 20% do total das exportações portuguesas para o Brasil. Importa sublinhar o forte aumento da produção da Embraer nos últimos anos, que ajuda a explicar esta dinâmica.
O azeite continua a ser o líder indiscutido das exportações portuguesas, com uma quota de 33%, em linha com a média dos últimos cinco anos. Este produto registou uma descida de preços nos mercados internacionais, o que se refletiu numa redução do valor total importado (menos 50 milhões de USD face a 2024). Ainda assim, Portugal reforçou a sua quota de mercado no Brasil para 69% em 2025, tendo sido o único país fornecedor a aumentar a sua presença.
O vinho, por seu lado, registou o melhor ano de sempre desde que há registos, com um valor total de 84 milhões de USD, correspondendo a um ligeiro aumento de 3,7% face a 2024. Note-se que, até novembro, a previsão apontava para uma ligeira quebra, o que permite inferir que o mês de dezembro teve um desempenho comercial muito positivo. Apesar destes resultados, nos últimos cinco anos o preço médio dos vinhos portugueses foi o que menos cresceu no mercado (8%), representando cerca de um terço do crescimento médio do Brasil (22%). Atualmente, o vinho português só é mais barato do que o vinho chileno, principal fornecedor do mercado. Trata-se de uma questão relevante para reflexão sobre o posicionamento que Portugal pretende assumir neste segmento e enquanto origem de qualidade.
As frutas (com destaque para maçãs e peras) continuam a apresentar uma performance muito positiva e a encontrar no Brasil um parceiro relevante. Desde 2020, as exportações portuguesas destes produtos cresceram 67% e, de forma ainda mais favorável, o preço médio das frutas portuguesas aumentou acima da média do Brasil (44% face a 29%).
No que respeita aos peixes congelados (com predominância do bacalhau, mas também cação e outros peixes em filete), Portugal, apesar de nova quebra de 27% (mais do dobro da variação negativa total da categoria, que foi de 13%), continua a liderar isoladamente o ranking de fornecedores do Brasil. O valor das importações provenientes de Portugal foi de aproximadamente 50 milhões de USD, ao nível de 2021, mas com uma quota de mercado superior (40% face a 27%). Neste período, importa ainda destacar o forte aumento do preço médio desta categoria, atualmente 109% superior ao registado em 2021.
Por último, uma nota sobre uma gama de produtos com crescimento assinalável: partes e acessórios para veículos automóveis das posições 8701 a 8705. Embora Portugal ainda esteja longe de ser percecionado como um ator de primeira linha neste setor (com importações próximas de 14 milhões de USD, num mercado de quase 9 mil milhões de USD), em 2025 registou-se um crescimento de 39% nas exportações portuguesas para o Brasil neste segmento. Desde 2020, o setor apresenta uma subida expressiva de 135%, enquanto as importações globais do Brasil cresceram 70%.