Quando empresas turcas ou chinesas vencem concursos públicos estruturantes, grande parte do dinheiro gerado sai do país, o contributo fiscal é mínimo e deixa de existir um ecossistema industrial nacional a beneficiar da chamada pública. O que parece eficiência imediata traduz-se, na verdade, numa perda de valor económico para Portugal.
Esta vulnerabilidade agrava-se pela falta de apoio público ao setor nacional. Apenas uma empresa portuguesa foi integrada em programas de industrialização, e faltam incentivos fundamentais, como o RCI (Regime Contratual de Investimento), os mecanismos da AICEP ou agendas mobilizadoras que reforcem a capacidade produtiva do país. O paradoxo é evidente: promove-se a industrialização estrangeira, enquanto a indústria portuguesa, que deveria ser prioridade, continua sem uma política estruturada de apoio.
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A industrialização da construção — baseada em fábricas, precisão, componentes repetíveis e digitalização — é o caminho óbvio para superar a baixa produtividade e a dificuldade de escalar que marcam o setor.
Portugal enfrenta um dilema estratégico que marcará o futuro do setor da construção: atrair construtoras estrangeiras, turcas, chinesas, entre outras, ou fortalecer a indústria nacional e o intercâmbio com os países onde as empresas portuguesas já operam.