Arrancou ontem, em Milão, mais uma edição da Lineapelle. No total, 29 empresas nacionais de componentes e peles apresentam as tendências para a próxima estação. O evento integra um conjunto de 11 iniciativas promocionais que o setor português do calçado está a dinamizar até ao final de fevereiro. Esta aposta na internacionalização é promovida pela APICCAPS, em parceria com a AICEP, contando com o apoio do programa Compete 2030. No mesmo período do ano passado, o setor participou em apenas sete iniciativas no exterior.
“Em apenas dois meses, praticamente 100 portuguesas integram ações em mercados internacionais, confirmando o dinamismo e a ambição exportadora do sector”, destaca Luís Onofre.
Ao longo destas iniciativas, as empresas nacionais marcaram presença em oito mercados estratégicos Alemanha, Colômbia Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Itália e Reino Unido, reforçando o posicionamento do calçado português junto de clientes, distribuidores e parceiros internacionais.
Para o Presidente da APICCAPS, este esforço coletivo assume particular relevância no atual contexto económico internacional. “As empresas portuguesas de calçado estão a fazer um esforço notável para procurar novos mercados e consolidar os existentes, num momento conjuntural especialmente complexo. A internacionalização continua a ser um eixo central da competitividade do sector.”
O responsável sublinha ainda que esta estratégia reflete a capacidade de adaptação das empresas nacionais. “Mesmo num cenário marcado por incerteza, inflação e retração do consumo em alguns mercados, o sector mantém uma atitude proativa, investindo na promoção externa, na inovação e no reforço das relações comerciais internacionais.” Em fevereiro merece particular destaque a ‘invasão’ portuguesa a Milão, em Itália, com praticamente 80 empresas a integrarem a MICAM (39) e a Lineapelle (29).“A APICCAPS considera que a forte adesão das empresas às ações internacionais demonstra a confiança no valor do produto nacional e na diferenciação do calçado português, reconhecido pela qualidade, design e sustentabilidade”, destaca Luís Onofre. Atualmente, o cluster do setor do calçado e artigos de pele exporta mais de 90% da sua produção para 174 países, nos cinco continentes em valores próximos dos 2 100 milhões de euros anuais.
No cluster, nota de destaque para o investimento reforçado em curso protagonizado pelo setor de componentes para calçado. Desde início do ano, integrou iniciativas promocionais em Espanha, Estados Unidos da América, França, Itália e Reino Unido.
Estas ações contam com o apoio da APICCAPS, no âmbito da sua estratégia de internacionalização e valorização da fileira do calçado nacional. As iniciativas previstas incluem a participação em feiras especializadas, ações de valorização da oferta, privilegiando o contacto direto com compradores e marcas e internacionais. O objetivo passa por afirmar a excelência técnica, a capacidade de inovação e a competitividade das empresas portuguesas de componentes, reforçando a sua integração nas cadeias de valor internacionais. O setor dos componentes para calçado é constituído por 238 empresas, responsáveis por 4 378 postos de trabalho e exporta anualmente cerca de 72 milhões de euros. Assume um papel central na afirmação da indústria portuguesa, sendo reconhecido pela elevada especialização, flexibilidade produtiva e capacidade de resposta às exigências das marcas internacionais. A forte aposta em investigação, desenvolvimento e sustentabilidade tem permitido às empresas nacionais posicionarem-se como parceiros estratégicos de referência no contexto europeu e global. Para o presidente da APICCAPS, estas iniciativas representam “um passo decisivo no reforço da visibilidade internacional do setor dos componentes, que é um verdadeiro pilar da competitividade do calçado português”. Para Luís Onofre “não existe um calçado forte sem um setor de componentes igualmente sólido, inovador e alinhado com as novas exigências do mercado”.
Onofre destaca ainda que “Portugal dispõe hoje de um ecossistema industrial completo, onde componentes, materiais, tecnologia e design trabalham de forma integrada”, acrescentando que o apoio da APICCAPS visa “criar condições para que as empresas possam crescer, diversificar mercados e captar novas oportunidades de negócio”. Com esta aposta em mercados-chave, o setor de componentes para calçado reafirma a sua ambição internacional e o seu contributo estratégico para o desempenho global da indústria portuguesa do calçado, consolidando uma imagem assente na qualidade, inovação e sustentabilidade, valores cada vez mais determinantes nas decisões de compra a nível internacional.