Portugal e a Turquia reforçaram as relações económicas com a assinatura de um memorando de entendimento entre a AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal e o Foreign Economic Relations Board of Türkiye (DEİK), no âmbito da 5.ª reunião da Comissão Económica e Comercial Conjunta Portugal–Turquia (JETCO), realizada em Lisboa. O acordo visa reforçar a cooperação institucional, promover o investimento e intensificar as relações comerciais, criando um quadro de colaboração que apoia empresas portuguesas na Turquia e empresas turcas em Portugal.
Na sessão de abertura, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, destacou a importância crescente do fórum bilateral, afirmando que este se tornou “indispensável para o diálogo económico e diplomático entre Portugal e Turquia”. Sublinhando que em 2026 se assinala um século de relações diplomáticas entre os dois países, defendeu uma nova ambição para o relacionamento bilateral.
O ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu uma visão geoestratégica reforçada para a relação bilateral, propondo que esta seja encarada como uma aliança baseada na complementaridade dos dois países. O governante afirmou que Portugal e a Turquia devem ser vistos como portas estratégicas da Europa, com Portugal ligado ao espaço euro-atlântico e ao mundo lusófono, e a Turquia como ponte para o Cáucaso, Médio Oriente e Ásia Central.
O ministro do Comércio da Turquia, Ömer Bolat, reforçou esta ideia de que “ambos os países ocupam posições estratégicas em relação ao continente europeu” e destacou o interesse das empresas turcas em participar em projetos portugueses, afirmando que o país está “pronto a dar o melhor contributo para projetos portugueses, em parceria com empresas portuguesas”.
A presidente da AICEP, Madalena Oliveira e Silva, sublinhou o papel da agência no apoio às empresas, destacando a presença em Ancara como um instrumento de facilitação das relações económicas. “Acreditamos que existe um grande potencial para Portugal e a Turquia desenvolverem as suas relações comerciais”. A presidente da AICEP destacou o crescimento recente das trocas comerciais, sobretudo nos setores automóvel, da maquinaria e dos bens industriais. “Este progresso positivo mostra que há margem para aprofundar a nossa relação”, referiu a presidente da AICEP, destacando três áreas prioritárias de cooperação: parcerias industriais, desenvolvimento conjunto em tecnologias e energias renováveis, com destaque para a solar, e colaboração em infraestruturas.
O secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, destacou a evolução positiva das relações económicas, mas alertou que ainda estão aquém do potencial. “Sinto que estamos satisfeitos com os resultados que obtivemos, mas estamos longe do nosso verdadeiro potencial”, afirmou, defendendo uma maior presença empresarial nos mercados. “Não podemos fazer negócios sentados nos nossos escritórios, nos nossos países. Temos de compreender o mercado, estar presentes e estabelecer parcerias.” O governante sublinhou ainda o posicionamento estratégico de Portugal, nomeadamente na energia renovável, incluindo solar, eólica e hidrogénio verde, bem como o papel da AICEP enquanto facilitador do investimento estrangeiro: “A AICEP é a porta a que se deve bater”.
O secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, destacou o objetivo de afirmar Portugal como hub europeu de centros de dados, no contexto de um conjunto alargado de investimentos em infraestruturas, incluindo transportes, habitação e mobilidade.