Instrumentos de reporte e instrumentos de informação: as diferenças
O universo da informação sobre sustentabilidade é vasto e complexo, com múltiplos instrumentos que podem gerar alguma confusão. Standards, frameworks, índices, rankings, ratings, certificações são conceitos com que as empresas se deparam, mas quais as diferenças? Simplificadamente, os standards e os frameworks são os instrumentos que uma empresa ou organização utiliza quando pretende reportar informação relacionada com a sustentabilidade. Os índices, classificações, avaliações e certificações não são instrumentos de relatórios explícitos, mas são utilizados para compreender melhor o desempenho de sustentabilidade de uma empresa. Conheça as nuances.
Standards ou normas, são conjuntos de orientações, princípios ou requisitos estabelecidos por uma autoridade ou organização reconhecida. São normas para o reporte de sustentabilidade que fornecem instruções específicas sobre como reportar (métricas, disclosures e metodologias). No mundo do reporte de sustentabilidade, as normas são os requisitos mais completos que as organizações podem e devem cumprir porque exigem critérios e dados específicos que devem ser reportados sobre cada tópico. A utilização consistente destes critérios específicos de reporte significa também que se gera informação que é comparável entre organizações. Este é um dos grandes propósitos dos standards de reporte de sustentabilidade: criar um sistema de informação comum e padronizado sobre sustentabilidade que possa ser utilizado para compreender e comparar o desempenho de sustentabilidade das organizações.
Exemplos destas normas são as da UE (European Sustainability Reporting Standards - ESRS),1 as IFRS Sustainability Disclosure Standards (IFRS) 2 e a Global Reporting Initiative (GRI).3
Por outro lado, os frameworks são mais flexíveis e menos prescritivos que as normas. Fornecem uma estrutura conceptual e orientadora mais ampla para guiar o processo de reporte. Diferentemente das normas, os frameworks geralmente não incluem uma obrigação definida nem requisitos específicos relacionados com os dados.
As empresas e organizações podem utilizar os frameworks para orientar os relatórios sobre um determinado tema na ausência de uma norma ou para orientar as suas estratégias ou práticas relacionadas com a sustentabilidade. Em última análise, reportar através da utilização de frameworks significa que as informações sobre sustentabilidade são menos comparáveis entre organizações, uma vez que as decisões sobre as métricas e a estrutura dos relatórios são determinadas pela própria organização.
Como exemplos temos o Global Compact das Nações Unidas,4 que utiliza uma estrutura baseada em dez princípios para orientar o comportamento empresarial em áreas como os direitos humanos, o trabalho, o combate à corrupção e o ambiente. Fornece diretrizes gerais para a partilha de informações sobre o progresso das empresas em cada um destes tópicos, mas não exige que sejam comunicados dados específicos sobre cada um.
Os índices, rankings e ratings são normalmente utilizados para avaliar o desempenho de sustentabilidade das organizações, mas não são instrumentos de reporte propriamente ditos. Os autores e produtores destes índices, rankings e ratings recolhem informações de dados da empresa, incluindo relatórios de sustentabilidade, para realizar uma avaliação e atribuir uma pontuação a uma empresa baseada numa metodologia específica desenvolvida pelo avaliador. Estas análises e avaliações são geralmente baseadas em pontuações quantitativas ou pontuações de risco relacionadas com tópicos de sustentabilidade. Estas classificações são especialmente relevantes para investidores. Do lado das empresas, estas muitas vezes adotam um índice, ranking ou rating para se compararem ou referenciarem face a outras empresas do setor, para identificar áreas de melhoria ou para comunicar o seu compromisso com a sustentabilidade.
Exemplos destes índices e ratings incluem o S&P Sustainability and Climate Indices 5 e o Sustainalytics.6
As certificações são atribuídas por organizações externas na sequência de um processo de avaliação. Cada certificação tem o seu próprio método para avaliar se uma organização cumpre os seus critérios. As certificações podem focar-se em temas específicos, como as práticas de direitos humanos de uma organização, ou em setores específicos, como a indústria da construção, a agricultura e indústria agroalimentar ou outras. As empresas utilizam as certificações principalmente como ferramentas de branding para demonstrar o seu compromisso com os critérios de sustentabilidade. Estas certificações não são permanentes. Têm de ser renovadas periodicamente, processos que significam custos.
A BCorp 7 é um exemplo de esquema de certificação que exige que as empresas e organizações cumpram critérios de desempenho social, de sustentabilidade e ambiental. A certificação pode ser utilizada como uma ferramenta para demonstrar o compromisso e responsabilização de uma organização. A certificação é dada com base em critérios desenvolvidos pela BCorp.
A Certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) 8 é um exemplo de um programa amplamente reconhecido de certificação de edifícios verdes que avalia e verifica a sustentabilidade e o desempenho ambiental dos edifícios em termos de eficiência energética, uso de materiais sustentáveis e impacto ambiental.