Sauditas interessados nas grandes obras em Portugal
O presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal lamenta a dificuldade das empresas do seu país em aceder a informação sobre oportunidades de investimento. Garante que quando tiverem esse acesso "veremos muitas empresas sauditas a investir em Portugal".
O presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal, que lidera a delegação de 15 decisores públicos, líderes empresariais e investidores sauditas que tem estado esta semana de visita a Portugal, garante que as empresas do seu país "estão muito interessadas em investir nos grandes projetos em Portugal", como a alta velocidade, as concessões portuárias ou o novo aeroporto, mas lamenta a dificuldade que têm em "aceder às oportunidades".
Em entrevista ao Negócios, Alwalid Albatan explica que a questão não tem a ver com a velocidade desses processos, mas sim com o facto de "não recebermos qualquer informação sobre as oportunidades de investimento". "Não temos acesso a esses projetos e não sabemos como aceder à oportunidade para que as empresas sauditas possam concorrer", afirma, lamentando que não haja em Portugal "uma plataforma" com toda essa informação, como existe na Arábia Saudita, onde é possível "conhecer todas as oportunidades lançadas pelo governo e as datas das candidaturas". "Em Portugal não sei como chegar às oportunidades", frisou.
"Muitas empresas sauditas quereriam vir se soubessem dos concursos, tivessem acesso a como participar e tudo fosse claro", afirmou, lembrando que como presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal tem o papel de "encontrar estas oportunidades e dar-lhes acesso aos investidores certos". "Acreditem, quando os empresários sauditas tiverem o acesso certo à oportunidade certa, veremos muitos empresários sauditas em Portugal", garantiu o responsável, para quem este é o principal desafio que existe hoje em Portugal.
Para Alwalid Albatan, o país tem ainda um outro desafio: "Devia haver mais iniciativas do Governo de Portugal relativamente ao investimento internacional". Dando como exemplo a Arábia Saudita, onde "existem muitas iniciativas relevantes para as empresas internacionais, assim como muita ajuda e apoio do Governo para o setor internacional", o presidente do Conselho Empresarial garante que "se Portugal o conseguir fazer, o investimento internacional, não apenas saudita, mas a nível mundial, duplicará em poucos anos".
Já quanto aos pontos fortes do país como destino de investimento, Alwalid Albatan realça "a influência de Portugal em muitos países" para explicar que "nós, sauditas, vemos Portugal como um acesso ao Brasil, a Angola e a muitos países que falam português". Outra vantagem, diz, é a localização, já que "é uma porta de entrada da Europa para África e também da Ásia para a América do Sul". Em terceiro lugar, frisa, "vemos que existe um grande potencial". "Sentimos que Portugal é o diamante da Europa que ainda ninguém conhece", afirma.
Desde segunda-feira e até ao próximo domingo, a delegação saudita tem se reunido em Portugal com governantes e autarcas, assim como com empresários e entidades como a Federação Portuguesa de Futebol ou a ANJE.
Alwalid Albatan salienta que os setores-chave para os sauditas investirem em Portugal são a inteligência artificial, a energia verde, o turismo e a indústria transformadora, como "mármores, porcelana ou indústria mineira".
Já os setores com potencial para as empresas portuguesas investirem neste país do Médio Oriente, acrescenta Abílio Alagôa da Silva, presidente do Conselho Empresarial Luso-Saudita, são os da energia verde, construção, engenharia e arquitetura, mas áreas como a cibersegurança e novas tecnologias. De acordo com o responsável, também empresas farmacêuticas e da metalurgia e da mecânica estão interessadas em ir para a Arábia Saudita, salientando que "o potencial é enorme". "Os giga projetos que existem na Arábia Saudita estão a começar e esta é a altura certa de ir para lá e fazer parte do crescimento do país", assegura
Líder da missão abre empresas em Portugal
O líder do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal, Alwalid Albatan, vai abrir duas empresas em Portugal que ficarão sedeadas em Vila Nova de Gaia Trata-se da Strategic Deals Company for Investment (SDCI), uma "holding" de investimento para oportunidades de negócio no país, e da Prestige, empresa de soluções urbanas para projetos municipais, explicou ao Negócios o responsável das empresas que já têm atividade na Arábia Saudita
No caso da SDCI, o foco é investir em PME através da aquisição de participações acionistas, minoritárias ou maioritárias, e apoiar e estruturar "joint ventures" e parcerias estratégicas entre sociedades portuguesas e sauditas. Na mira da "holding" estão também projetos habitacionais e o apoio à expansão de empresas portuguesas para a Arábia Saudita, promovendo as exportações, incluindo ajuda na entrada no mercado e identificação de parceiros. Atrair investidores sauditas e apoiar investimentos transfronteiriços alinhados com a Vision 2030 saudita e as prioridades económicas de Portugal é outro do âmbito da sociedade.
Já a Prestige tem como foco exclusivo as oportunidades em soluções urbanas e projetos municipais, como soluções de estacionamento e mobilidade, serviços urbanos e projetos de cidades inteligentes e infraestruturas de entretenimento e lazer, uma área que, salientou Alwalid Albatan, "está a crescer muito em todo o mundo e em Portugal é uma oportunidade". Ao Negócios, o responsável adiantou que está na fase de registo das empresas, frisando que o valor do investimento dependerá das oportunidades que identificar. Explicou ainda ter escolhido Vila Nova de Gaia para a sua sede "devido às novas iniciativas que o presidente da Câmara anunciou relativamente a empresas internacionais que têm alguns benefícios fiscais".
PERGUNTAS A ALWALID ALBATAN
Presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal
"Este é o momento certo para irem para a Arábia Saudita"
Qual é o objetivo desta terceira visita promovida pelo Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal?
O principal objetivo é aumentar o investimento e as parcerias entre empresários dos dois países. O objetivo que eu e o presidente do Conselho Empresarial Luso-Sau- dita, Alagôa da Silva, temos é construir pontes entre o setor privado de ambos os países e explorar o canal certo para o partilhar com os empresários sauditas. O objetivo é que da infraestrutura que construímos em 2025 vermos algum resultado em 2026. Há grandes oportunidades de investimento no turismo em Portugal e na energia verde, mas também na IA e nas PME, mas o meu papel é explorar todos os setores para os apresentarás empresas sauditas.
A relação económica entre os dois países intensificou- -se com Cristiano Ronaldo? Gostamos muito dele e claro que tem alguma influência nos negócios, ele próprio está a trazer as suas empresas para a Arábia Saudita. Mas o estabelecimento dos cônsules de negócios, sauditas e portugueses, ajuda muito esta relação a crescer.
A Mota-Engil, que vão visitar esta sexta-feira, disse estar interessada em entrar na Arábia Saudita pelos grandes planos de investimento do país. Qual é o objetivo do encontro? A principal razão para reunirmos é o facto de ser uma das empresas que tem uma sucursal e que não está a ter bons resultados. O meu trabalho é tentar perceber porquê e como podemos apoiar e envolver-nos mais.
Pode aproveitar o plano Vision 2030 e infraestruturas que serão necessárias, por exemplo, à Expo 2030 em Riade ou ao campeonato do mundo de futebol em 2034?
Há grandes oportunidades na Arábia Saudita, temos a chegar a Expo, o Mundial, o Campeonato Asiático e temos previstos grandes eventos recreativos, desportivos e empresariais.
Não há já muitas grandes construtoras presentes? Temos muitos grupos de construção europeus, mas há gigaprojetos e muito para fazer, por isso a oportunidade é grande. A Arábia Saudita está a transformar-se e tem um grande potencial. Este é o momento certo para os empresários portugueses virem. Daqui a uns anos talvez cheguem muitas empresas internacionais e já não haja potencial para os portugueses.
Portugal exportou 186 milhões em 2024
As exportações portuguesas para a Arábia Saudita somaram 186,44 milhões de dólares em 2024, ano em que as vendas daquele país para Portugal se ficaram pelos 131,35 milhões. Os principais produtos exportados por Portugal são mobiliário, veículos, produtos lácteos, maquinaria, madeira, eletrónica e produtos farmacêuticos, enquanto daquele país do Médio Oriente chegaram principalmente plásticos, ferro e aço e produtos químicos inorgânicos.
Sentimos que Portugal é o diamante da Europa que ainda ninguém conhece.
Em Portugal não sei como chegar às oportunidades.
ALWALID ALBATAN
Presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal
O presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal lamenta a dificuldade das empresas do seu país em aceder a informação sobre oportunidades de investimento. Garante que quando tiverem esse acesso "veremos muitas empresas sauditas a investir em Portugal".
O presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal, que lidera a delegação de 15 decisores públicos, líderes empresariais e investidores sauditas que tem estado esta semana de visita a Portugal, garante que as empresas do seu país "estão muito interessadas em investir nos grandes projetos em Portugal", como a alta velocidade, as concessões portuárias ou o novo aeroporto, mas lamenta a dificuldade que têm em "aceder às oportunidades".
Em entrevista ao Negócios, Alwalid Albatan explica que a questão não tem a ver com a velocidade desses processos, mas sim com o facto de "não recebermos qualquer informação sobre as oportunidades de investimento". "Não temos acesso a esses projetos e não sabemos como aceder à oportunidade para que as empresas sauditas possam concorrer", afirma, lamentando que não haja em Portugal "uma plataforma" com toda essa informação, como existe na Arábia Saudita, onde é possível "conhecer todas as oportunidades lançadas pelo governo e as datas das candidaturas". "Em Portugal não sei como chegar às oportunidades", frisou.
"Muitas empresas sauditas quereriam vir se soubessem dos concursos, tivessem acesso a como participar e tudo fosse claro", afirmou, lembrando que como presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal tem o papel de "encontrar estas oportunidades e dar-lhes acesso aos investidores certos". "Acreditem, quando os empresários sauditas tiverem o acesso certo à oportunidade certa, veremos muitos empresários sauditas em Portugal", garantiu o responsável, para quem este é o principal desafio que existe hoje em Portugal.
Para Alwalid Albatan, o país tem ainda um outro desafio: "Devia haver mais iniciativas do Governo de Portugal relativamente ao investimento internacional". Dando como exemplo a Arábia Saudita, onde "existem muitas iniciativas relevantes para as empresas internacionais, assim como muita ajuda e apoio do Governo para o setor internacional", o presidente do Conselho Empresarial garante que "se Portugal o conseguir fazer, o investimento internacional, não apenas saudita, mas a nível mundial, duplicará em poucos anos".
Já quanto aos pontos fortes do país como destino de investimento, Alwalid Albatan realça "a influência de Portugal em muitos países" para explicar que "nós, sauditas, vemos Portugal como um acesso ao Brasil, a Angola e a muitos países que falam português". Outra vantagem, diz, é a localização, já que "é uma porta de entrada da Europa para África e também da Ásia para a América do Sul". Em terceiro lugar, frisa, "vemos que existe um grande potencial". "Sentimos que Portugal é o diamante da Europa que ainda ninguém conhece", afirma.
Desde segunda-feira e até ao próximo domingo, a delegação saudita tem se reunido em Portugal com governantes e autarcas, assim como com empresários e entidades como a Federação Portuguesa de Futebol ou a ANJE.
Alwalid Albatan salienta que os setores-chave para os sauditas investirem em Portugal são a inteligência artificial, a energia verde, o turismo e a indústria transformadora, como "mármores, porcelana ou indústria mineira".
Já os setores com potencial para as empresas portuguesas investirem neste país do Médio Oriente, acrescenta Abílio Alagôa da Silva, presidente do Conselho Empresarial Luso-Saudita, são os da energia verde, construção, engenharia e arquitetura, mas áreas como a cibersegurança e novas tecnologias. De acordo com o responsável, também empresas farmacêuticas e da metalurgia e da mecânica estão interessadas em ir para a Arábia Saudita, salientando que "o potencial é enorme". "Os giga projetos que existem na Arábia Saudita estão a começar e esta é a altura certa de ir para lá e fazer parte do crescimento do país", assegura
Líder da missão abre empresas em Portugal
O líder do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal, Alwalid Albatan, vai abrir duas empresas em Portugal que ficarão sedeadas em Vila Nova de Gaia Trata-se da Strategic Deals Company for Investment (SDCI), uma "holding" de investimento para oportunidades de negócio no país, e da Prestige, empresa de soluções urbanas para projetos municipais, explicou ao Negócios o responsável das empresas que já têm atividade na Arábia Saudita
No caso da SDCI, o foco é investir em PME através da aquisição de participações acionistas, minoritárias ou maioritárias, e apoiar e estruturar "joint ventures" e parcerias estratégicas entre sociedades portuguesas e sauditas. Na mira da "holding" estão também projetos habitacionais e o apoio à expansão de empresas portuguesas para a Arábia Saudita, promovendo as exportações, incluindo ajuda na entrada no mercado e identificação de parceiros. Atrair investidores sauditas e apoiar investimentos transfronteiriços alinhados com a Vision 2030 saudita e as prioridades económicas de Portugal é outro do âmbito da sociedade.
Já a Prestige tem como foco exclusivo as oportunidades em soluções urbanas e projetos municipais, como soluções de estacionamento e mobilidade, serviços urbanos e projetos de cidades inteligentes e infraestruturas de entretenimento e lazer, uma área que, salientou Alwalid Albatan, "está a crescer muito em todo o mundo e em Portugal é uma oportunidade". Ao Negócios, o responsável adiantou que está na fase de registo das empresas, frisando que o valor do investimento dependerá das oportunidades que identificar. Explicou ainda ter escolhido Vila Nova de Gaia para a sua sede "devido às novas iniciativas que o presidente da Câmara anunciou relativamente a empresas internacionais que têm alguns benefícios fiscais".
PERGUNTAS A ALWALID ALBATAN
Presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal
"Este é o momento certo para irem para a Arábia Saudita"
Qual é o objetivo desta terceira visita promovida pelo Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal?
O principal objetivo é aumentar o investimento e as parcerias entre empresários dos dois países. O objetivo que eu e o presidente do Conselho Empresarial Luso-Sau- dita, Alagôa da Silva, temos é construir pontes entre o setor privado de ambos os países e explorar o canal certo para o partilhar com os empresários sauditas. O objetivo é que da infraestrutura que construímos em 2025 vermos algum resultado em 2026. Há grandes oportunidades de investimento no turismo em Portugal e na energia verde, mas também na IA e nas PME, mas o meu papel é explorar todos os setores para os apresentarás empresas sauditas.
A relação económica entre os dois países intensificou- -se com Cristiano Ronaldo? Gostamos muito dele e claro que tem alguma influência nos negócios, ele próprio está a trazer as suas empresas para a Arábia Saudita. Mas o estabelecimento dos cônsules de negócios, sauditas e portugueses, ajuda muito esta relação a crescer.
A Mota-Engil, que vão visitar esta sexta-feira, disse estar interessada em entrar na Arábia Saudita pelos grandes planos de investimento do país. Qual é o objetivo do encontro? A principal razão para reunirmos é o facto de ser uma das empresas que tem uma sucursal e que não está a ter bons resultados. O meu trabalho é tentar perceber porquê e como podemos apoiar e envolver-nos mais.
Pode aproveitar o plano Vision 2030 e infraestruturas que serão necessárias, por exemplo, à Expo 2030 em Riade ou ao campeonato do mundo de futebol em 2034?
Há grandes oportunidades na Arábia Saudita, temos a chegar a Expo, o Mundial, o Campeonato Asiático e temos previstos grandes eventos recreativos, desportivos e empresariais.
Não há já muitas grandes construtoras presentes? Temos muitos grupos de construção europeus, mas há gigaprojetos e muito para fazer, por isso a oportunidade é grande. A Arábia Saudita está a transformar-se e tem um grande potencial. Este é o momento certo para os empresários portugueses virem. Daqui a uns anos talvez cheguem muitas empresas internacionais e já não haja potencial para os portugueses.
Portugal exportou 186 milhões em 2024
As exportações portuguesas para a Arábia Saudita somaram 186,44 milhões de dólares em 2024, ano em que as vendas daquele país para Portugal se ficaram pelos 131,35 milhões. Os principais produtos exportados por Portugal são mobiliário, veículos, produtos lácteos, maquinaria, madeira, eletrónica e produtos farmacêuticos, enquanto daquele país do Médio Oriente chegaram principalmente plásticos, ferro e aço e produtos químicos inorgânicos.
Sentimos que Portugal é o diamante da Europa que ainda ninguém conhece.
Em Portugal não sei como chegar às oportunidades.
ALWALID ALBATAN
Presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal