O ministro da Defesa Nacional disse nesta tarde que o Governo conta com as empresas nacionais para os investimentos que se propõe fazer no sector, “fazendo fora só o necessário”, e mesmo aí “envolvendo empresas portuguesas”. Intervindo na abertura do 6.o Fórum Económico de Vila Nova de Famalicão, dedicado à Defesa e Inovação,
Nuno Melo sublinhou que Portugal foi dos primeiros países a apresentar candidaturas ao Instrumento de Acção para a Segurança da Europa (SAFE, na sigla inglesa), um programa de aquisição conjunta, e esteve no grupo dos primeiros países que viram aprovados os seus projectos – para terra, mar, ar, espaço e ciberespaço – num valor superior a 5,8 mil milhões de euros. “Portugal está a aproveitar as oportunidades, eu diria até melhor do que muitos outros países”, vincou o ministro. Falando aos jornalistas à margem do encontro, Nuno Melo reiterou que “entre Maio e Junho, parte substancial” dos contratos do SAFE, que dizem respeito a fragatas, veículos blindados e outros veículos, drones e sistemas de artilharia, que mobilizam vários sectores da indústria e do conhecimento, estarão assinados.
Questionado sobre se o Governo vai aguardar por uma clarificação da situação no Médio Oriente para apresentar o Conceito Estratégico de Defesa Nacional, para o qual tem vindo a dizer que aguarda o contributo do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o ministro lamentou a volatilidade do cenário geopolítico. “Infelizmente o mundo altera-se tão rapidamente diante dos nossos olhos que qualquer conceito estratégico que seja aprovado ficará necessariamente datado. O que hoje é uma realidade geoestratégica, daqui a seis meses pode ser totalmente diferente.” De qualquer forma, assegurou que o conceito deverá ser apresentado em breve à Assembleia da República. E rejeitou que a falta deste documento possa prejudicar a realização dos investimentos na Defesa: “Os investimentos que temos a fazer na defesa assentam em muitos outros documentos estratégicos e em decisões políticas que justificam que as opções sejam estas e não outras.” Lajes: fazer “o que se espera” de um aliado,
Quanto à opção – diferente das de outros países da NATO – de permitir aos Estados Unidos a utilização da Base das Lajes na guerra contra o Irão, Nuno Melo contrariou a ideia de que Portugal está firmemente ao lado dos EUA neste conflito. “O que é suposto é que os aliados se comportem tal e qual como aliados. O facto de auxiliarmos um aliado não significa necessariamente que concordemos com todas as incidências de um determinado conflito, mas aquilo que estamos a fazer é feito no contexto das nossas alianças, daquilo que se espera de Portugal, e bem.” Nuno Melo deixou uma crítica que atinge Espanha, França, Reino Unido e Itália: “Portugal é um país credível e é considerado também por isso, ao contrário de outros. Esse é outro activo que vem a crédito do Estado português.” Outro interveniente na sessão de abertura do fórum, que teve por tema “A melhor Defesa é a Inovação”, foi Paulo Portas, que também já foi também ministro da Defesa e líder do CDS, como Nuno Melo, cujo desempenho no Governo elogiou.
Questionado também à margem do fórum sobre se concordava com a decisão do Governo sobre as Lajes, Portas disse reservar essa opinião para o seu espaço de comentário na TVI. Mas foi aconselhando a que “não se confundam países com os seus presidentes”. Afirmou que Trump é apenas o 47.o Presidente dos EUA e não será o último. Quer Nuno Melo quer Paulo Portas, nas suas intervenções, observaram que a União Europeia e os membros da NATO devem, e estão, a investir mais em defesa. Portas, contudo, vincou que isso não se deveu às pressões de Donald Trump ou de anteriores presidentes dos EUA, mas à decisão de Vladimir Putin, de invadir a Ucrânia. Melo afirmou que os EUA são um “parceiro fundamental”, mas do qual a defesa europeia não deve depender exclusivamente. Portas não discordou, mas garantiu que uma defesa atlântica sem os EUA “custaria caro e não seria eficaz”.
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Investimento
Investimentos na Defesa envolverão sempre empresas nacionais
Nuno Melo prevê assinaturas dos contratos SAFE em breve.
Público
30/04/2026
Imprensa Nacional