Rússia pesou 6% nas importações de gás natural de Portugal desde a guerra na Ucrânia.
Última encomenda de gás natural liquefeito (GNL) com origem na Rússia chegou ao Porto de Sines no passado mês de maio.
Desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, até ao momento, o gás natural liquefeito (GNL) da Rússia representou 6,2% do total das importações de Portugal deste produto energético.
As contas, feitas pelo PÚBLICO com base nos dados da Direcção-Geral da Energia e Geologia (DGEG), mostram que as compras de GNL à Rússia se realizaram sem grandes oscilações nesse período, tendo a última carga chegado a Sines no passado mês de maio (os dados mais recentes são de agosto).
Em 2022, o peso no total das importações de GNL foi de 4,8%, subindo depois para 7,5% no ano seguinte ao da invasão. Já em 2024 fixou-se nos 6,3%, em linha com o registado nos primeiros oito meses deste ano (6,35%).
Esta prática, que ainda é legal, vai ter de acabar, conforme foi decidido a nível europeu. Na passada quinta-feira, numa reunião do Conselho Europeu, os 27 anteciparam em um ano o fim das compras de GNL à Rússia, passando a data para 1 de janeiro de 2027.
Inserida no âmbito do mais recente pacote de sanções, o 19.°, a medida prevê que a iniciativa tenha eficácia a partir dessa data "para contratos de longo prazo" e "no prazo de seis meses a partir da entrada em vigor das sanções para os contratos de curto prazo".
Sanções "severas"
De acordo com o comunicado da Comissão Europeia, "a completa proibição das importações de gás natural liquefeito russo", aliada a "um reforço das restrições impostas à frota-fantasma", é das "sanções mais severas de sempre contra o crucial sector energético da Rússia". O pacote inclui também medidas ligadas aos serviços, infra-estruturas, comércio e serviços financeiros, "incluindo, pela primeira vez, os criptoactivos".
Nos primeiros oito meses deste ano, foram importados 2922,6 milhões de metros cúbicos de GNL, com destaque para a Nigéria, com 1515,6 milhões. Na segunda posição ficaram os EUA, com 942,8 milhões, na terceira ficou Espanha, com 278,5 milhões. A Rússia ficou na quarta e última posição, com 185,5 milhões.
A primeira vez que Portugal importou gás natural da Rússia foi em 2019, com 92 milhões de metros cúbicos, uma quantidade correspondente a 2% do total. Em 2020, o volume de abastecimento de gás russo subiu para 542,9 milhões, equivalente a 10% do total, mantendo-se nesse volume em 2021.
O caso do petróleo
A proibição de compras de petróleo russo surgiu mais cedo, devido à maior dependência de gás por parte de alguns países europeus. Em Maio de 2022, no âmbito do sexto pacote de sanções, foi acordado em Bruxelas o embargo ao petróleo russo e refinados até ao final desse ano.
Durante dois anos, em 2017 e 2018, a Rússia foi mesmo o principal abastecedor de petróleo de Portugal. Em 2017, os 3,035 milhões de toneladas de crude importadas deste país representaram 22% do total, mais 10% do que no ano anterior, tendo ultrapassado Angola.
Comparada com 2015, a quantidade importada quase que se multiplicou por cinco nesse ano.
A liderança russa manteve-se em 2018. Já em 2019 perdeu a primeira posição para Angola, e em 2020 acabou mesmo por desaparecer da tabela. Desde 2020, a liderança de abastecimento desta matéria-prima a Portugal tem estado com o Brasil.
Russa Lukoil vende activos
O mais recente pacote de sanções da UE também apertou o controlo às energéticas russas, a Rosneft e a Gazprom, acabando com algumas medidas de excepção. Assim, haverá uma "proibição total de transacções" com estas empresas.
Em paralelo, os EUA também anunciaram sanções na semana passada, visando a Rosneft e Lukoil, com o secretário de Estado do Tesouro, Scott Bessent, a afirmar que o objectivo era atingir "as duas maiores companhias petrolíferas que alimentam a máquina de guerra do Kremlin", uma vez que "o presidente Putin se recusa a acabar com esta guerra sem sentido".
As sanções anunciadas pelos EUA abrangem entidades que façam negócios com estas petrolíferas. Esta segunda-feira, a Lukoil, uma das maiores petrolíferas a nível mundial, anunciou que ia vender os seus activos internacionais "devido à introdução de medidas restritivas contra a companhia e suas subsidiárias".
Última encomenda de gás natural liquefeito (GNL) com origem na Rússia chegou ao Porto de Sines no passado mês de maio.
Desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, até ao momento, o gás natural liquefeito (GNL) da Rússia representou 6,2% do total das importações de Portugal deste produto energético.
As contas, feitas pelo PÚBLICO com base nos dados da Direcção-Geral da Energia e Geologia (DGEG), mostram que as compras de GNL à Rússia se realizaram sem grandes oscilações nesse período, tendo a última carga chegado a Sines no passado mês de maio (os dados mais recentes são de agosto).
Em 2022, o peso no total das importações de GNL foi de 4,8%, subindo depois para 7,5% no ano seguinte ao da invasão. Já em 2024 fixou-se nos 6,3%, em linha com o registado nos primeiros oito meses deste ano (6,35%).
Esta prática, que ainda é legal, vai ter de acabar, conforme foi decidido a nível europeu. Na passada quinta-feira, numa reunião do Conselho Europeu, os 27 anteciparam em um ano o fim das compras de GNL à Rússia, passando a data para 1 de janeiro de 2027.
Inserida no âmbito do mais recente pacote de sanções, o 19.°, a medida prevê que a iniciativa tenha eficácia a partir dessa data "para contratos de longo prazo" e "no prazo de seis meses a partir da entrada em vigor das sanções para os contratos de curto prazo".
Sanções "severas"
De acordo com o comunicado da Comissão Europeia, "a completa proibição das importações de gás natural liquefeito russo", aliada a "um reforço das restrições impostas à frota-fantasma", é das "sanções mais severas de sempre contra o crucial sector energético da Rússia". O pacote inclui também medidas ligadas aos serviços, infra-estruturas, comércio e serviços financeiros, "incluindo, pela primeira vez, os criptoactivos".
Nos primeiros oito meses deste ano, foram importados 2922,6 milhões de metros cúbicos de GNL, com destaque para a Nigéria, com 1515,6 milhões. Na segunda posição ficaram os EUA, com 942,8 milhões, na terceira ficou Espanha, com 278,5 milhões. A Rússia ficou na quarta e última posição, com 185,5 milhões.
A primeira vez que Portugal importou gás natural da Rússia foi em 2019, com 92 milhões de metros cúbicos, uma quantidade correspondente a 2% do total. Em 2020, o volume de abastecimento de gás russo subiu para 542,9 milhões, equivalente a 10% do total, mantendo-se nesse volume em 2021.
O caso do petróleo
A proibição de compras de petróleo russo surgiu mais cedo, devido à maior dependência de gás por parte de alguns países europeus. Em Maio de 2022, no âmbito do sexto pacote de sanções, foi acordado em Bruxelas o embargo ao petróleo russo e refinados até ao final desse ano.
Durante dois anos, em 2017 e 2018, a Rússia foi mesmo o principal abastecedor de petróleo de Portugal. Em 2017, os 3,035 milhões de toneladas de crude importadas deste país representaram 22% do total, mais 10% do que no ano anterior, tendo ultrapassado Angola.
Comparada com 2015, a quantidade importada quase que se multiplicou por cinco nesse ano.
A liderança russa manteve-se em 2018. Já em 2019 perdeu a primeira posição para Angola, e em 2020 acabou mesmo por desaparecer da tabela. Desde 2020, a liderança de abastecimento desta matéria-prima a Portugal tem estado com o Brasil.
Russa Lukoil vende activos
O mais recente pacote de sanções da UE também apertou o controlo às energéticas russas, a Rosneft e a Gazprom, acabando com algumas medidas de excepção. Assim, haverá uma "proibição total de transacções" com estas empresas.
Em paralelo, os EUA também anunciaram sanções na semana passada, visando a Rosneft e Lukoil, com o secretário de Estado do Tesouro, Scott Bessent, a afirmar que o objectivo era atingir "as duas maiores companhias petrolíferas que alimentam a máquina de guerra do Kremlin", uma vez que "o presidente Putin se recusa a acabar com esta guerra sem sentido".
As sanções anunciadas pelos EUA abrangem entidades que façam negócios com estas petrolíferas. Esta segunda-feira, a Lukoil, uma das maiores petrolíferas a nível mundial, anunciou que ia vender os seus activos internacionais "devido à introdução de medidas restritivas contra a companhia e suas subsidiárias".