De acordo com a fDi Markets, em 2023 o investimento greenfield de empresas chinesas no exterior (ODI) atingiu um novo recorde de 146,2 mil milhões de euros (mM€), aos quais devem ser adicionados 35,8 mM€ de investimento por meio de fusões e aquisições de empresas (M&A), de acordo com um relatório da EY. Dada a queda nas entradas de investimento direto estrangeiro (IDE) na China, em 2023 o seu investimento direto líquido registou um défice de -128 mM€.
Durante décadas, a estratégia de desenvolvimento da China baseou-se fortemente na atração de IDE. A criação de grandes corporações e grupos económicos competitivos chineses em literalmente todos os campos, a acumulação de capital e o crescimento dos mercados financeiros da China, tornaram o IDE menos necessário para o crescimento da economia chinesa. No entanto, a procura de crédito por parte das empresas chinesas continua a ser elevada, como o demonstra a elevada dimensão do “shadow banking” e os reiterados apelos do governo chinês para que as empresas financeiras estrangeiras venham para a China (apesar da decisão de não abrir o setor bancário à concorrência estrangeira).
Estes apelos têm sido bem-sucedidos e grupos financeiros ocidentais eficientes estão a ganhar um bom dinheiro em operações financeiras na China; porém, não podendo conceder crédito, não podem substituir o shadow banking senão parcialmente. No entanto, os grupos industriais ou de serviços estrangeiros preferem investir noutros mercados – onde há custos mais baixos, maior crescimento do PIB, com menos riscos de guerras comerciais e de dissociação geopolítica, de preferência naqueles com fácil acesso ao mercado chinês. Por outro lado, de acordo com a fDi Markets, “atrair IDE para serviços de alto valor agregado, que foi priorizado pelo governo [chinês], está a revelar-se mais difícil do que o esperado”.
Concomitantemente, o ritmo acelerado de internacionalização das empresas chinesas está a aumentar o ODI, seja em casos de nearshoring, seja em países onde as empresas e investimentos chineses são bem-vindos.
Esta evolução mostra uma mudança significativa na posição da China no panorama global do investimento, revelando os últimos anos uma tendência em que as saídas de investimentos chineses para o estrangeiro excederam substancialmente as entradas de IDE na China. O perfil do IDE da China parece, assim, estar a sofrer uma mudança, passando de importador para exportador de capital. Com a Ásia a continuar a ser o principal destino dos investimentos externos das empresas chinesas (foi assim nos últimos 5 anos), é provável que o Sudeste Asiático (já o maior parceiro comercial da China) se torne o destino preferido desse investimento, bem como de muito IDE ocidental que anteriormente preferia a China.
Jorge Costa Oliveira, Consultor financeiro e business developer
Durante décadas, a estratégia de desenvolvimento da China baseou-se fortemente na atração de IDE. A criação de grandes corporações e grupos económicos competitivos chineses em literalmente todos os campos, a acumulação de capital e o crescimento dos mercados financeiros da China, tornaram o IDE menos necessário para o crescimento da economia chinesa. No entanto, a procura de crédito por parte das empresas chinesas continua a ser elevada, como o demonstra a elevada dimensão do “shadow banking” e os reiterados apelos do governo chinês para que as empresas financeiras estrangeiras venham para a China (apesar da decisão de não abrir o setor bancário à concorrência estrangeira).
Estes apelos têm sido bem-sucedidos e grupos financeiros ocidentais eficientes estão a ganhar um bom dinheiro em operações financeiras na China; porém, não podendo conceder crédito, não podem substituir o shadow banking senão parcialmente. No entanto, os grupos industriais ou de serviços estrangeiros preferem investir noutros mercados – onde há custos mais baixos, maior crescimento do PIB, com menos riscos de guerras comerciais e de dissociação geopolítica, de preferência naqueles com fácil acesso ao mercado chinês. Por outro lado, de acordo com a fDi Markets, “atrair IDE para serviços de alto valor agregado, que foi priorizado pelo governo [chinês], está a revelar-se mais difícil do que o esperado”.
Concomitantemente, o ritmo acelerado de internacionalização das empresas chinesas está a aumentar o ODI, seja em casos de nearshoring, seja em países onde as empresas e investimentos chineses são bem-vindos.
Esta evolução mostra uma mudança significativa na posição da China no panorama global do investimento, revelando os últimos anos uma tendência em que as saídas de investimentos chineses para o estrangeiro excederam substancialmente as entradas de IDE na China. O perfil do IDE da China parece, assim, estar a sofrer uma mudança, passando de importador para exportador de capital. Com a Ásia a continuar a ser o principal destino dos investimentos externos das empresas chinesas (foi assim nos últimos 5 anos), é provável que o Sudeste Asiático (já o maior parceiro comercial da China) se torne o destino preferido desse investimento, bem como de muito IDE ocidental que anteriormente preferia a China.
Jorge Costa Oliveira, Consultor financeiro e business developer