Depois de um ano em que Portugal viu voar para unicórnio a Tekever, em 2026 espera-se um ano (ainda) de liquidez apesar das incertezas geopolíticas com impacto nos mercados financeiros. Na hora de investir, as startups.IA continuarão a agarrar a atenção dos fundos, mas também — sinal dos tempos — as tecnologias de uso dual.
“Estamos a assistir ao aparecimento de uma nova geração de startups que desenvolvem soluções tecnológicas que têm aplicação tanto no setor da defesa como em contextos civis — conhecidas como dual purpose — que estão a captar cada vez mais atenção dos investidores”, aponta Lurdes Gramaxo. “Sem dúvida que a área da segurança e da defesa estará em crescimento e representa uma oportunidade relevante para Portugal”, considera a partner da Bynd VC. “Portugal tem competências científicas e tecnológicas em domínios como a robótica, inteligência artificial e comunicações seguras, que podem posicionar o país de forma competitiva neste novo ciclo.”
Uma visão corroborada por Stephan Morais. “Há vários fundos de private equity e de venture capital a olhar para diversas empresas portuguesas que atuam na área da defesa. Esta é, portanto, uma área com potencial para que possam existir vários investimentos nos próximos tempos”, diz.
“Continuaremos a assistir a muito investimento em aplicações e infraestruturas de IA, bem como robótica, tecnologias espaciais e, eventualmente, biotecnologia ligada à longevidade”, estima o general managing partner da Indico Capital que, em novembro, lançou um fundo com um capital objetivo de 125 milhões de euros — têm já garantidos 30 milhões de euros do Fundo Europeu de Investimento — para investir em tecnologia espacial e oceânica, mas também deep tech e IA.
“A adoção generalizada da IA cria novas e urgentes necessidades de produtos e serviços de infraestrutura até aqui razoavelmente estabilizados. Pense-se, por exemplo, nas novas necessidades ao nível da cibersegurança num mundo onde os ataques cibernéticos ganham a sofisticação da IA; nas vulnerabilidades que podem surgir num mundo em que a maioria das linhas de código são geradas por IA e não escritas por um programador; pense-se nas necessidades de autenticação e autorização nas aplicações de software num mundo em que muitas ações são tomadas não por utilizadores humanos, mas sim por agentes de IA…”, elenca o managing partner da Armilar que, em novembro, arrancou com um fundo de mais de 120 milhões de euros tendo como alvo, entre outros, setores como cibersegurança, uso dual, IA ou spacetech.