“Nunca, em vinte e cinco anos, os promotores imobiliários venderam tão poucas habitações como em 2025”. Este é o título de um artigo do jornal Le Figaro de 12/02/26 que indica que 2025 terá sido o pior ano para a promoção imobiliária desde o início dos anos 2000.
Pela primeira vez, o patamar das 100 000 habitações vendidas ao longo do ano não foi atingido. Ao longo de 2025 foram registadas apenas 92.352 transações de casas novas, principalmente apartamentos, segundo os dados da Federação dos Promotores Imobiliários (FPI), o que representa uma queda de cerca de -45% em relação aos anos de 2017 a 2019, antes do início da crise.
Entre 2024 e 2025, a queda do mercado foi de 10,8%. As vendas caíram trimestre após trimestre ao longo do ano, com descidas de -20% ou mais por vezes, dando continuidade a uma tendência iniciada em 2023. Com uma aceleração no final do ano 2025, o quarto trimestre apresentou um tombo de 19,6%.
Esta crise das construções novas é o resultado de uma série de fatores:
- O fim dos principais incentivos de investimento nomeadamente o fim do dispositivo fiscal “Pinel” no final de 2024 que levou a um quase total desaparecimento de investidores privados no novo mercado imobiliário (estes representam apenas 19% dos compradores, comparando com quase 45/50% anteriormente.) Esta retirada de investidores reduziu drasticamente a procura por novas casas (tradicionalmente uma fonte importante de vendas.);
- Aumento das taxas de juro e condições de crédito. Embora as taxas imobiliárias tenham começado a descer ligeiramente em 2025 (cerca de 3,0/3,3%), continuam significativamente acima dos níveis muito baixos do período pré-2022. Tal reduz o poder de compra dos agregados familiares e torna mais caro o acesso à propriedade, especialmente para compradores que realizam a sua primeira aquisição (um segmento chave da procura.);
- Restrições da oferta e incertezas administrativas. A emissão de licenças de construção e a abertura de novos projetos continuam insuficientes, apesar de um ligeiro aumento na emissão de licenças de habitação. Os promotores também têm de lidar com períodos de venda muito longos (vários anos) e ainda um nível baixo dos processos de início de obra, o que reflete um desequilíbrio estrutural persistente entre oferta e procura no mercado das construções novas.
Outras causas como a atitude de espera e observação dos agregados familiares face à incerteza política e a perda de pontos de referência sobre apoios e fiscalidade contribuem para atrasar as decisões de compra, a par dos problemas estruturais do setor, como os custos elevados dos terrenos e da construção (média >5.000€/m²), dificuldades tesouraria de alguns promotores e desequilíbrios entre a oferta produzida e a procura real.
No caso dos grandes promotores (como a Nexity) também é evidente uma diminuição nas suas atividades e dos volumes de encomendas em 2025, mesmo que algumas medidas de racionalização tenham limitado a importância das perdas.
O ano de 2025 foi assim um choque de volume para o desenvolvimento do setor da promoção imobiliária em França: vendas historicamente baixas, enfraquecimento dos atores e desequilíbrios persistentes entre oferta e procura. Os sinais de recuperação dependem agora da capacidade das autoridades públicas para restaurar a atratividade do investimento no arrendamento e da capacidade dos promotores para se adaptarem (redução de custos, diversificação do mercado).
Para responder a esta situação existem já algumas respostas públicas e setoriais no final 2025 e início de 2026, como a introdução do estatuto de “senhorio privado”, vantagem fiscal prevista para incentivar os franceses a investir em habitações para arrendamento, para revitalizar o setor da habitação em todo o território. Espera-se que a adoção do novo programa fiscal “Jeanbrun” (introduzido no orçamento de estado para 2026) destinado a substituir o dispositivo “Pinel” ajude a revitalizar o investimento privado de arrendamento e impulsionar a recuperação do setor em 2026.
Os profissionais apostam nestas medidas para uma recuperação do setor em 2026.
Este quadro global é particularmente importante para as empresas de construção e para toda a fileira dos materiais de construção que têm em França um dos seus principais mercados.