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CABEÇALHO

FMI espera agora menos crescimento este ano a nível global, mas também nos principais mercados para os quais Portugal vende.

Mais inflação do que o esperado, condições de financiamento mais apertadas: o FMI espera agora menos crescimento este ano a nível global, mas também nos principais destinos das exportações portuguesas. Cenário pode deteriorar-se rapidamente, admite o Fundo.


O crescimento do PIB de dois terços dos destinos das exportações portuguesas deve abrandar este ano, travando depois novamente em 2023, segundo o FMI, que reviu em forte baixa as suas estimativas para quase todos estes países.


O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou esta terça-feira uma atualização ao "World Economic Outlook" e o cenário é de pessimismo: a estimativa de crescimento do PIB mundial foi revista em baixa (para 3,2%) e a de inflação em alta (para 6,6% nas economias avançadas).


Embora a instituição internacional não apresente estimativas para Portugal, um abrandamento significativo na economia global - e nos principais destinos das exportações portuguesas - pode ter impacto também no PIB português.
Por isso, o Negócios olhou para as estimativas do FMI para os principais mercados das exportações portuguesas: Espanha, França, Alemanha, Estados Unidos, Itália e Reino Unido - que, juntos, representam dois terços (66%) das vendas portuguesas ao exterior. E o pessimismo do FMI mantém-se, com uma forte revisão em baixa das estimativas de crescimento de praticamente todos estes países. A exceção é Itália, cujo ritmo de crescimento foi revisto em alta este ano (para 3%).


Por ordem de importância para as exportações portuguesas, o FMI espera agora que a economia espanhola cresça 4%, a francesa 2,3%, a alemã 1,2%, a norte-americana 2,3% e a britânica 3,2%. Estas novas estimativas implicam reduções significativas pelo FMI, que rondam entre os 0,5 (no Reino Unido) e os 1,4 pontos percentuais (nos EUA).

3,2%
PIB global
O FMI estima que a economia global cresça 3,2% este ano, menos 0,4 pontos do que o esperado anteriormente.

"O crescimento na Zona Euro também é revisto em baixa, em 0,2 pontos percentuais em 2022. A melhoria das perspetivas para o turismo e a atividade em Itália é mais do que anulada pelas significativas revisões em baixa em França, Alemanha e Espanha", frisa o FMI.


Segundo os economistas do Fundo, isto reflete os efeitos de contágio da guerra na Ucrânia, bem como as condições de financiamento mais apertadas, depois de o Banco Central Europeu ter decidido acabar com as compras líquidas de ativos e subir as taxas de juro.


Nos Estados Unidos, um crescimento mais baixo do que o antecipado no início do ano, uma quebra no poder de compra (e menor consumo privado) e a subida das taxas de juro pela Fed também influenciaram a revisão em baixa do crescimento económico norte-americano.


Em relação à inflação, a entidade liderada por Kristalina Georgieva está também mais pessimista estima que os preços disparem 7,7% nos Estados Unidos, 7,3% na Zona Euro e 10,5% no Reino Unido (revisões em alta, nestes dois últimos casos, próximas dos 3 pontos percentuais).


Crescimento pode ser dos mais baixos desde 1970


Mas as previsões divulgadas agora pelo FMI são "extraordinariamente incertas" e "esmagadoramente a pender para a revisão em baixa". É que as projeções baseiam-se em assunções que podem ser rapidamente ultrapassadas pela realidade, como a inexistência de novas reduções inesperadas no abastecimento de gás russo à Europa, a manutenção das expectativas de longo prazo da inflação e a ausência de "ajustamentos desordenados" nos mercados financeiros.


"No entanto, há um risco significativo de que parte destes pressupostos base, ou todos, não se materializem", diz o FMI.


A instituição começa por frisar que a guerra na Ucrânia pode levar a um corte abrupto do abastecimento do gás russo à Europa - aliás, os receios nesse sentido são cada vez maiores (ainda na segunda-feira mais uma turbina do Nord Stream foi fechada). Depois, pode ser mais difícil baixar a inflação e uma inversão na política monetária pode colocar as dívidas soberanas sob pressão - tudo isto a somar às renovadas vagas de covid-19 e respetivos confinamentos.


Nesse sentido, o FMI fez questão de sublinhar, ao contrário de outras vezes, "um cenário alternativo plausível". Se parte desses riscos se materializarem, a inflação sobe ainda mais e o ritmo de crescimento global baixa para 2,6% em 2022 e para 2% em 2023, admite o FMI.


Nesse caso, o crescimento global ficaria nos 10% mais baixos desde 1970: só por cinco vezes desde então o crescimento do PIB mundial foi inferior a 2%.

Compensar apoios com mais impostos ou menos despesa


O FMI diz que os governos devem travar a perda de poder de compra das famílias mais pobres, mas defende que esses apoios devem ser compensados com mais impostos ou menos despesa. "Com a subida dos preços a a esmagar as condições de vida a nível mundial, conter a inflação deve ser a primeira prioridade dos decisores políticos", começa por frisar.

 

Assim, frisa que "apoios direcionados" podem ajudar a atenuar o impacto para as famílias mais vulneráveis. Mas há um problema, considera: os orçamentos nacionais já estão no limite (e a política macroeconómica deve ser "desinflacionista"). Por isso, diz que "essas medidas vão ter de ser compensadas por impostos mais elevados ou menos despesa pública".

FMI continua a ver inflação alta na Zona Euro em 2023


O FMI reviu em forte alta as estimativas de inflação na Zona Euro em 2023, esperando que fique nos 3,9%. Cenário alternativo põe Europa estagnada no próximo ano.


O FMI continua a prever uma inflação elevada para a zona euro em 2023, piorando agora a sua estimativa para 3,9%. E admite, caso vários riscos se verifiquem, que o crescimento na Europa fique perto de zero em 2023, ou seja, estagnação.


Na atualização ao "World Economic Outlook" divulgada esta terça-feira,o FMI reviu em forte alta a estimativa de inflação na Zona Euro para este ano (em 2,9 pontos percentuais, para 7,3%). Mas a revisão é também elevada para 2023: se em abril o Fundo esperava que a inflação (medida pelo IHPC) baixasse para 2,3%, a estimativa de redução mantém-se. Mas o número esperado para o próximo ano é bastante superior: 3,9%.


O FMI lembra que na Zona Euro a inflação atingiu máximos históricos desde a criação da moeda única E diz que, tal como em outras economias avançadas, "a inflação subjacente [que exclui as componentes mais voláteis] também tem vindo a subir", refletindo o contágio aos preços de outros bens que não os energéticos e alimentares.


Por outro lado, e "embora as expectativas de longo prazo se mantenham estáveis na maioria das economias, começaram a subir, por exemplo, nos Estados Unidos, segundo alguns indicadores", acrescenta.


"Espera-se que a inflação regresse aráveis pré-pandemia no final de 2024", diz o FMI. Mas com o nível de incerteza associado ao contexto atual, "vários fatores podem fazer com que a inflação se mantenha e que as expectativas de longo prazo subam".

 

Em causa estão mais choques do lado da oferta relacionados com a guerra na Ucrânia - e com impactos nos preços dos bens alimentares e da energia - e que podem "fazer disparar a inflação e transmiti-la à inflação subjacente, desencadeando mais um apertar da política monetária", avisa o FMI. Esses tipos de choques, "se forem severos, podem juntar uma recessão a inflação alta e persistente (estagflação)". Mas isso "está fora do cenário base" da entidade.

Crescimento perto de zero na Europa


No entanto, e ao contrário do que aconteceu com outras atualizações do WEO, a instituição diz que, face aos riscos "altamente descendentes" da previsão, há um "cenário alternativo plausível", que corta as estimativas de crescimento. Esse cenário - mais pessimista - prevê que pelo menos parte dos riscos se materializem: mais cortes no fornecimento de gás russo, mais restrições da política monetária e dificuldades em baixar a inflação.


Nesse caso, a Europa seria "particularmente afetada": baixaria 1,3 pontos percentuais "implicando um crescimento perto de zero na região", avisa o FMI.

3,9%
Inflação
O FMI reviu em forte alta as estimativas de inflação para a Zona Euro: 7,3% em 2022 e 3,9% em 2023.

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