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CABEÇALHO

O concurso mundial com mais prestígio reconheceu 32 vinhos verdes com dez medalhas de ouro e 22 de prata. O certame reuniu os melhores especialistas do setor para provarem 7.300 amostras vindas de 40 países.

Entre os premiados estão produtores dos países com mais tradições, mas também néctares produzidos em locais tão improváveis como a China ou o Cazaquistão. Portugal alcançou 296 medalhas, ocupando o quarto lugar, atrás da França (445), Espanha (433) e Itália (351). 

 

Entre os produtores da Região do Vinho Verde, a Quinta da Raza, em Veade, Celorico de Basto, foi quem arrecadou mais galardões, com seis medalhas, duas de ouro e quatro de prata. A sub-região de Basto esteve em destaque nesta edição do “Concours Mondial Bruxelles”, com a Garantia das Quintas, um produtor que fica na mesma freguesia da Quinta da Raza, a conseguir outras quatro medalhas, duas delas de ouro.

 

Diogo Teixeira Coelho, o homem à frente dos destinos da Quinta da Raza, explica o que faz os vinhos desta sub-região tão peculiares. “Estamos aqui numa área protegida dos ventos atlânticos, numa zona de solo xistoso, com verões quentes e invernos frios”. O vinho na propriedade familiar é uma produção secular. Em tempos, os 50 hectares tinham vários caseiros e na casa de cada um deles havia um lagar. Foi só em 1922 que o bisavô do atual proprietário construiu dez lagares junto da casa grande e centralizou a produção. Os lagares de granito, são hoje um motivo de orgulho, “mas não são uma peça de museu, faz-se aqui vinho todos os anos”, assegura Diogo Teixeira Coelho.

 

Paixão pela terra é negócio de família

 

A Quinta da Raza é um negócio familiar que nasceu da paixão pela terra e pela natureza. Uma paixão que se reconhece na forma como Diogo, mas também Mafalda Teixeira Coelho (a esposa) falam das vinhas, mas, sobretudo, nos pequenos gestos. A sala de provas da adega é decorada com centros de mesa recheados de tomates, pimentos de várias cores, pepinos e pequenas aboboras amarelas, tudo produzido na horta familiar. Na quinta, há um galinheiro, onde belas e gordas galinhas da raça portuguesa pedrês garantem um suprimento de ovos. São detalhes que nada têm que ver com “core business” da Quinta da Raza, mas que distinguem uma casa agrícola familiar, em que o domicílio dos proprietários repousa no meio das vinhas, de uma sociedade anónima, com sede numa grande cidade.

 

O gosto de Diogo Teixeira Coelho pelas coisas do campo veio-lhe das gerações anteriores, quando naquelas terras se cultivava um pouco de tudo, desde o milho, aos pomares de fruta passando pelo gado bovino. Entre o pós-25 de abril e o meio da década de oitenta a Quinta da Raza, “como toda a agricultura portuguesa”, passou por tempos maus, reconhece o viticultor. Diogo Teixeira Coelho não tem dúvida  de que o momento de viragem foi a entrada de Portugal na União Europeia (então Comunidade Económica Europeia, CEE).

 

Em 1987, por morte do avô, Diogo Teixeira Coelho tomou as rédeas da propriedade e focou todas as energias na produção vinícola. Os fundos da CEE permitiram plantar novas vinhas, abandonando a condução em altura, típica da região, onde o centro dos terrenos era reservado para outras culturas. “A mudança da condução da vinha e a introdução de novas castas foi fundamental para o incremento da qualidade”, afirma Diogo Teixeira Coelho. “As novas vinhas foram plantadas a meia encosta, viradas a sul, com ótima exposição solar e a condução também contribuiu para melhorar a exposição das uvas ao sol e, portanto, melhorou os processos de maturação”, acrescenta.

 

Primeira marca própria arrancou em 1999

 

A década de noventa testemunhou este processo de crescimento, mas as uvas da Quinta da Raza, como era costume na região, ainda acabavam na adega cooperativa local. A primeira marca da Quinta da Raza, a “Dom Diogo”, nasceu em 1999. Esta chancela mantêm-se no portefólio, com o Dom Diogo Arinto (medalha de prata), Dom Diogo Azal (medalha de ouro), Dom Diogo Padeiro (rosé) e o Dom Diogo Vinhão (tinto).

 

Raza e Quinta da Raza são os outros dois selos deste produtor e também contribuíram para a arrecadação de prémios no Concurso Mundial de Bruxelas. Os Quinta da Raza Alvarino 2021 e Avesso/Alvarinho 2019, obtiveram uma medalha de ouro e outra de prata, respetivamente. O rosé Raza (Vinhão, Padeiro, Espadeiro) obteve uma medalha de prata, no que foi seguido pelo branco Raza 2021.

 

Vindima feita à mão

 

O salto de qualidade, desde o tempo em que a maioria das uvas da quinta eram da casta Vinhão e o objetivo era a quantidade, foi o resultado da alteração dos processos, respeitando a tradição, mas trazendo tecnologia e conhecimento para a vinificação.

 

“A vindima é toda manual, feita em pequenas caixas, para evitar o esmagamento das uvas e a oxidação. A vinificação é feita com prensas pneumáticas, usando baixa pressão e depois, a fermentação é controlada permanentemente, com uma grande atenção às temperaturas e à higienização”, explica Diogo Teixeira Coelho.

 

O produtor reconhece com honestidade que não é um percurso solitário, é um caminho em que foi acompanhado por outros vinicultores, “embora a Região do Vinho Verde tenha caminhado sempre um pouco atrás de outras regiões”. No passado, a Região estava muito focada no Vinhão, para produção do típico Verde tinto, muito apreciado no Minho, “mas com menos procura num mercado internacional em que a própria gastronomia está a mudar, a orientar-se para pratos mais leves”. Esta capacidade de reconhecer os gostos dos consumidores e de se adaptar faz com que, hoje, 80% do vinho engarrafado por este produtor seja para exportação. “Estamos em 33 países espalhados pelo mundo, da Alemanha à Rússia, passando pelo Canadá e pelo Brasil, até ao Japão e ao Vietname”, revela Mafalda Teixeira Coelho. 

 

Na Quinta da Raza, a casta Vinhão, que antes dominava, deu lugar às castas brancas, Azal, Arinto, Alvarinho, Loureiro e Trajadura. Entre 32 vinhos verdes premiados em Bruxelas, há um único tinto, o Quinta da Rabiana Oaked 2020, de Sebastião Martins Freitas Cabeça de Casal da Herança, com uma medalha de ouro. Este cenário diz tudo sobre a situação dos tintos na Região.  “O tinto é, provavelmente, um mercado por explorar na Região do Vinho Verde. Talvez seja preciso adotar outras castas para além do Vinhão, fazer ‘blends’, procurar aproximar mais o vinho do gosto do consumidor dos nossos dias”, aventa Diogo Teixeira Coelho.

 

2022 é um ano de bom vinho ensombrado pelo aumento dos custos

 

Na Quinta da Raza, espera-se que este seja um bom ano vinícola. “Esteve muito calor, as uvas estão carregadas de açúcar. Tivemos que alterar um pouco a programação, uma vez que a vindima vai acontecer cerca de uma semana mais cedo, este ano devemos começar ainda este mês, lá para dia 29”, prevê Diogo Teixeira Coelho. Todavia, nem tudo corre de feição, já que os custos relacionados com o aumento do preço dos combustíveis percorrem a cadeia e chegam a todas as empresas. “A indústria do vidro tem sido muito afetada pelo aumento do preço do gás, estamos a falar de mais 40% de subida no preço das garrafas. Isto é um custo que ainda não passamos para os consumidores, mas que na próxima colheita, inevitavelmente, vai ter que acontecer”, revela o vinicultor. A perda de mercados como a Rússia e a Ucrânia – em 2021, a Rússia foi o 11º maior importador de Vinho Verde, com 738 mil litros e a Ucrânia o 15º, com 373 mil litros – também fez mossa neste produtor.

 

Para quem quiser conhecer melhor a Quinta da Raza, “Um dia de Vindima” (55 euros) é um dos programas disponíveis nas ofertas de enoturismo da casa, com possibilidade de participar na colheita, conhecer a adega e almoçar na sala de provas. Há outros programas mais acessíveis e de mais curta duração, como o “Descubra os vinhos Naturais da Quinta da Raza”, em que o visitante tem oportunidade de descobrir como eram feitos os vinhos no tempo dos nossos avós. A prova é feita no terraço panorâmico da adega, com vista sobre as vinhas, com a Senhora da Graça, o Alvão e o Marão em plano de fundo.

 

Os outros Vinhos verdes vencedores no Concurso Mundial de Bruxelas 2022

 

Medalha de ouro:

 

Quinta de Santa Cristina Alvarinho 2021;

Dom Diogo Azal 2021;

Quinta da Raza Alvarinho 2021;

Quinta de Carapeços Alvarinho 2021;

Quinta Da Rabiana Oaked Branco 2020;

Quinta Da Rabiana Oaked 2020 (tinto);

Quinta de Linhares Azal 2021;

Pecado Capital Premium 2021;

Quinta dos Encados Grande Escolha 2021;

Quinta de Santa Cristina Alvarinho Trajadura 2021.

 

Medalha de prata:

 

Pouco Comum 2021;

Soalheiro Reserva 2020;

APDB 500 Sauvignon Blanc 2020;

Camaleão – João Cabral Almeida 2021;

Adega Ponte Lima Espumante Rosé 2019 (espumante);

Pluma Rose 2021;

Infusa Rosé – Quinta de Miramontes 2021;

Raza Rose 2021;

Vila Nova Alvarinho 2021;

Azulejo Alvarinho 2021;

Mosaico 2021;

Azevedo Alvarinho Reserva Vinho Verde 2021;

Azevedo Loureiro e Alvarinho Vinho Verde 2021;

ABCDarium Azal 2021;

Flor de Linho Azal 2021;

Quinta de Santa Cristina Reserva 2018;

Quinta de Santa Cristina Grande Escolha 2021;

Toucas Alvarinho 2020;

Raza 2021;

Dom Diogo Arinto 2021;

Quinta da Raza Avesso Alvarinho 2019;

Quinta da Lixa Escolha 2021.

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