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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O investimento direto estrangeiro terá caído a pique em 2020, mas há sinais que apontam para uma recuperação durante este ano. Segundo um estudo da EY, Portugal é o oitavo país da Europa que desperta mais interesse entre os investidores de todo o mundo.

Foi anunciado em julho do ano passado e começou a operar poucos meses depois. O centro de investigação e desenvolvimento da tecnológica alemã NFON foi um dos escassos investimentos dire- tos estrangeiros (IDE) revelados para Portugal em 2020. As contas finais ainda não estão feitas, mas alista será bem mais curta face a 2019, quando foram batidos todos os recordes. Nesse ano, foram anunciados 158 projetos de IDE e criados 12 mil empregos, o dobro face ao ano anterior.

 

Em 2020, a AICEP contabilizou, até ao fim do ano, 23 projetos, mas os especialistas da consultora EY acreditam que serão "um pouco mais".


"Não há dúvidas de que o IDE diminuiu em 2020", sintetiza Miguel Cardoso Pinto, líder de Estratégia e Inovação da consultora Em janeiro do ano passado, as probabilidades apontavam para um novo recorde, mas a pandemia colocou as decisões em suspenso. "Antes da covid-19, as previsões para a economia portuguesa eram positivas e a Europa estava a ser alvo da atenção dos investidores, pelo que uma subida do IDE face a 2019 era um cenário possível".


A quebra provocada pela crise pandémica deverá levar alguns anos a recuperar, mas os especialistas da EY já vislumbram sinais de melhoria. Tendo em conta o contexto atípico, a consultora decidiu, pela primeira vez, auscultar os investidores antes do final do ano, e notou "um aumento do otimismo" face ao estudo conduzido em abril. O inquérito mais recente, agora revelado, conclui que 42% dos investidores terão reduzido, de forma total, substancial ou pequena, os seus planos de investimento em 2020, o que se traduz numa melhoria face aos 66% antecipados em abril. A percentagem de executivos que optaram por adiar os investimentos previstos aumentou de 23% para 32%.


Pandemia potencia digital


Para Miguel Cardoso Pinto, este balanço intercalar, apesar de evidenciar um "pé no travão", permite elevar as expectativas para 2021. E Portugal parte bem posicionado. O mesmo estudo revela que o país surge em oitavo lugar, empatado com a Dinamarca, na listados mercados europeus considerados como "mais atrativos" para investir em 2021, à frente de economias "rivais" como Espanha, Itália, Grécia ou República Checa. Entre os inquiridos constam investidores europeus, asiáticos e norte-americanos.


Alista é encabeçada por Alemanha, França e Reino Unido. "Esta ordem deve-se, sobretudo, aos planos de recuperação económica que os investidores consideram mais credíveis", justifica o responsável da EY.


Aposição de Portugal na tabela não surpreende os especialistas da consultora, que destacam a diferença acentuada face às restantes economias do Sul da Europa (ver gráfico). "Antes da covid, o controlo do défice e a recuperação económica estavam a melhorar a nossa reputação internacional", sublinha Sara Lourosa, manager da EY-Parthenon. A maior parte dos investidores inquiridos ainda não está em Portugal, revela a especialista, "o que faz com que estes números ganhem mais peso".


Além destes fatores, Miguel Cardoso Pinto aponta três tendências "determinantes" para a escolha dos investidores: tecnologia, sustentabilidade e talento. "Todas elas são pontos fortes da economia portuguesa." Assim, acompanhando o movimento crescente dos últimos anos, grande parte dos projetos que estão por vir deverá girar à volta do digital, antecipa o especialista "E até poderá haver um aumento dos investimentos, nesta área", potenciado pela pandemia, vaticina "As cadeias de produção das indústrias sofreram alterações dramáticas. O tamanho reduzido do mercado português pode servir de plataforma de teste para alguns conceitos novos", conclui Cardoso Pinto.


No sentido inverso, acrescenta, "todo o investimento relacionado com turismo, aviação, transportes marítimos e lazer será mais penalizado, seguido pelo imobiliário e a construção".

Mais de 40% dos investidores inquiridos pela EY acreditam que a economia regressará à normalidade dentro de três anos. Ainda assim, alerta Miguel Cardoso Pinto, nota-se nas empresas algum desnorte, derivado do desconhecimento associado ao vírus. "Há mais incerteza do que nas crises anteriores", aponta, "o que impede previsões mais fidedignas".

PORTUGAL NO TOP 10 DOS INVESTIDORES


Países considerados mais atrativos para investir


Os investidores inquiridos pela EY foram desafiados a revelar os três países da Europa que consideram mais atrativos para investir em 2021. Portugal surge em oitavo lugar, a par da Dinamarca. Alemanha, Reino Unido e França lideram.
Fonte: EY Flash Survey

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