NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Acordo estratégico prevê rede de 11 mil pontos de carregamento público até 2030. Parceria inclui projetos de hidrogénio verde na Península Ibérica e Reino Unido.

A espanhola Iberdrola e a britânica BP anunciaram esta quinta-feira um acordo estratégico para a criação de uma joint venture. A parceria prevê um plano de investimento de até mil milhões de euros na criação de uma rede de 11 mil pontos de carregamento público rápido e ultrarrápido em Espanha e Portugal nos próximos oito anos. O acordo para a criação da joint venture deverá ficar formalmente fechado até ao final de 2022, ainda que sujeito a autorizações regulatórias.

 

Num comunicado conjunto, as duas energéticas sublinham que vão "apoiar a aceleração da transição energética" para a "descarbonização dos setores dos transportes e da indústria" na Península Ibérica. Além da rede de carregamentos, os planos de investimentos conjuntos incluem futuros projetos de hidrogénio verde em grande escala, em Espanha, Portugal e Reino Unido.

 

O primeiro passo da joint venture é a implementação de uma rede de carregamentos para veículos elétricos. Como? "Expandindo significativamente o acesso ao carregamento, quer para automóveis de passageiros, quer para frotas de veículos pesados e carrinhas, acelerando assim a mobilidade elétrica", lê-se.

 

O plano inclui a instalação e operação inicial de cinco mil pontos de carregamento rápido até 2025 e até um total de 11 mil pontos até 2030. Para lá chegar, a BP e a Iberdrola vão começar a investir a partir das infraestruturas de mobilidade elétrica que já detém em Espanha e Portugal.

 

A Iberdrola revela ter já "mais de 2.500 pontos de carregamento em funcionamento e outros em desenvolvimento" em Portugal e Espanha.

 

Já a BP "tem a ambição de expandir rapidamente a sua rede de pontos de carregamento de veículos elétricos a nível global", detendo atualmente dez mil pontos de carregamentos elétricos, sobretudo no Reino Unido e Alemanha. Não obstante, a petrolífera pretende usar a rede de 1.300 postos de abastecimento que tem em Portugal e Espanha para instalar centros de carregamento para a joint venture. Será uma forma de criar pontos de carregamento "em localizações seguras, com acesso a serviços adicionais, como lojas de conveniência".

 

As duas empresas estão também a estudar o desenvolvimento de soluções conjuntas para servir os clientes de veículos elétricos no Reino Unido.

 

Acordo prevê projetos de hidrogénio verde na Península Ibérica e Reino Unido.

 

A par da aposta numa rede conjunta de carregamentos elétricos, a parceria estratégica da BP e da Iberdrola também prevê a "produção integrada de hidrogénio verde em grande escala em Espanha, Portugal e Reino Unido, bem como a produção dos seus derivados, tais como o amoníaco verde e o metanol, com potencial para ser exportado para o norte da Europa".

 

O objetivo das duas empresas é desenvolver centros de produção de hidrogénio em Portugal, Espanha e Reino Unido, com uma capacidade de até 600 mil toneladas por ano.

 

Na área do hidrogénio, os projetos que forem desenvolvidos em conjunto deverão ter lugar na refinaria da BP de Castellón, em Espanha.

 

"As duas empresas, juntamente com o Instituto Tecnológico da Energia, submeteram o projeto de Castellón aos PERTES (Projetos Estratégicos para a Recuperação e Transformação Económica), promovido pelo governo espanhol, relativo à cadeia de abastecimento de hidrogénio", lê-se.

 

Os projetos industriais em desenvolvimento da Iberdrola e da BP, bem como novos projetos, farão parte do acordo comunicado esta quinta-feira. Com base nesta colaboração em Espanha, Portugal e Reino Unido, a Iberdrola e a bp pretendem explorar potenciais oportunidades futuras para a produção de hidrogénio verde noutras geografias.

 

Para o presidente da Iberdrola, Ignacio Galá, a dimensão do desafio da transição energética "requer alianças entre empresas como a Iberdrola e a BP, que têm a tecnologia e conhecimento necessários para ajudar a acelerar o desenvolvimento industrial da Europa e gerar, ao mesmo tempo, bem-estar e novas oportunidades para todos através de energias limpas".

 

Bernard Looney, CEO do grupo BP, por sua vez, considera que os resultados quanto à transição energética apenas surgem "rapidamente e em maior escala" quando as empresas colaboram umas com as outras. "O desenvolvimento de soluções energéticas com baixo teor de carbono que os nossos clientes procuram, exige a integração de diferentes tecnologias, capacidades e formas de energia. Temos um grande respeito pela Iberdrola, que tem sido um dos primeiros líderes na transição energética, e estamos muito entusiasmados com o que podemos entregar juntos", afirma

Partilhar