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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O lítio é uma das apostas de futuro da Bondalti, no âmbito da nova unidade de negócios para a descarbonização que o grupo está a desenvolver, e já foi dado o tiro de partida, com uma parceria com uma empresa australiana, que tem uma tecnologia “inovadora, pioneira, não poluente”.

 “Já tomámos a decisão de investir numa fábrica de demonstração da tecnologia em Estarreja”, avança João de Mello, presidente executivo da Bondalti. “É uma parceria de 50% cada um, e o investimento é à volta de €4 a €5 milhões”, pormenoriza o empresário.

 

“Vamos tratar por eletrólise uma salmoura de lítio e vamos capturar o carbonato de lítio e o cloreto de lítio, que depois será usado nas baterias”, adian­ta. Mas os projetos não ficam por aqui. O braço da indústria química do Grupo José de Mello está a estudar com os parceiros australianos também a reciclagem de baterias. “Queremos ter um ciclo fechado, em que podemos usar o material reciclado de baterias para eletrolisar e voltar a produzir o carboneto e o cloreto de lítio e reintroduzi-lo nas baterias”, afirma.

 

O investimento nesta nova fábrica, que ficará no complexo de Estarreja, está a arrancar agora, e a Bondalti prevê que no final de 2023-2024 esteja já em produção, para que assim possam demonstrar a tecnologia, que é pioneira. João de Mello espera que venha a ser um negócio relevante para a Bondalti, mas sublinha que está dependente de decisões políticas, nomeadamente da Comissão Europeia. “Chegou-se à conclusão de que a dependência da China para o carro elétrico era praticamente total. Os componentes, nomea­damente o lítio para as bate­rias, vêm quase todos da China. Hoje quem sabe tratar o lítio são os chineses. Havendo uma grande vontade da indústria automóvel europeia de enveredar para a eletrificação, isso não se faz sem haver fábricas de baterias na Europa, e para isso é preciso ter lítio e saber tratá-lo”, explica.

 

MINERAÇÃO FORA DOS PLANOS

Apesar de haver projetos para fazer mineração de lítio em Portugal, a Bondalti não está a planear entrar nessa área. “Neste momento estamos só a tentar testar uma tecnologia desenvolvida pelos australianos. Se funcionar, queremos escalar e criar uma indústria de produção de cloreto e clorato de lítio para introduzir nas baterias”, argumenta.

João de Mello adianta que eventuais futuras parcerias irão fazer-se com quem tenha fábricas de baterias. “Não queremos fazer as baterias. Mas queremos fazer consórcios em que nós temos uma parte importante, que é a produção do cloreto e do clorato de lítio verde.” A fábrica-piloto de lítio já está desenhada e na fase de encomenda de materiais.

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