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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Forte exposição solar e fraca penetração no mercado de sistemas solares residenciais motivaram a norueguesa Otovo a apostar em Portugal. "Retorno do investimento vai ser relativamente rápido".

O marketplace de instalações solares e baterias residenciais oficializou esta quarta-feira a entrada no mercado português com a garantia de oferecer “poupanças imediatas na fatura energéticas das famílias”. A empresa, com origens norueguesas, escolheu Portugal como o décimo país para a sua expansão e as expectativas para o mercado nacional são altas: “Portugal é um país chave para a Otovo consolidar a sua posição de liderança como plataforma líder a nível europeu“, revelou ao ECO/Capital Verde Manuel Pina, diretor-geral da empresa em Portugal, anterior responsável da Uber em Portugal.

 

O foco da Otovo é fornecer painéis solares para ajudar “as famílias a tornarem-se mais independentes da rede ao produzirem a sua própria energia renovável”. Como? Através da plataforma online que, com base na localização e na identificação do seu telhado via GPS, calcula qual a melhor oferta para si, recomendando-lhe o tipo (e o número) de painéis mais adequados, estimando o nível de produção anual de energia e calculando as poupanças que resultam desta aposta, sem a necessidade de uma visita a casa. No fim, é feita a soma do valor pronto a pagar pela instalação ou, se preferir, pode também optar por uma subscrição de pagamento mensal.

 

A ideia de reunir numa só plataforma as ofertas de mercado de painéis solares nasceu de Andreas Thorsheim, Simen Fure Jørgensen, Lars Syse Christiansen e Andreas Bentzen. Depois de arrancarem com o projeto em janeiro de 2016, a empresa alega ter-se tornado líder de mercado norueguês na venda de sistemas fotovoltaicos para o mercado residencial, afirmando ser o “único fornecedor” de energia solar independente ativo na Europa, com acesso a mais de 700 empresas de instalação. Mais tarde, partiu para a Suécia, França e Espanha. “A Otovo quer ser a plataforma líder no mercado solar residencial na Europa. Sendo Portugal um dos países da Europa com maior percentagem da população a viver em vivendas, com maior exposição solar e com uma das menores taxas de penetração de sistemas solares residenciais, é um mercado chave para atingir esta ambição“, explica o responsável.

 

Embora não revele o valor do investimento necessário para concretizar a aposta em Portugal por ser uma empresa pública, o responsável pela operação a nível nacional acredita que o retorno será “relativamente rápido” uma vez que estima que atualmente apenas 5% das casas em Portugal tenham instalações de painéis solares e que este mercado mantenha um crescimento de duas décimas nos próximos anos. Neste momento o investimento da empresa norueguesa será direcionado para a construção de uma equipa portuguesa, assim como na aquisição de novos clientes e instaladores. Nesta primeira fase de lançamento, a empresa já trabalhar em parceria com quatro instaladores, mas ambição é alargar a rede ainda este ano.

 

Ainda que o mercado seja competitivo, a Otovo garante que conseguirá diferenciar-se da oferta através da introdução de um modelo de subscrição, “que permite que as famílias instalem o sistema ideal para as suas casas sem qualquer custo inicial e com poupança a partir do primeiro dia”. “Muitas outras empresas estão a oferecer soluções [fotovoltaicas], no entanto nem todas estão de facto comprometidas em aumentar a dependência das famílias da rede através do autoconsumo“, ressalva.

 

A Otovo chega a Portugal numa altura em que se assiste a sucessivos aumentos nos custos energéticos, potenciados pela guerra e aliados à tendência crescente da inflação. E apesar de o cenário não ser o mais otimista, a empresa norueguesa encara isso como uma oportunidade. “Os efeitos da guerra têm-se sentido sobretudo a nível dos preços que as famílias pagam às operadoras e sabemos que, por causa disto, muitas famílias viram infelizmente a sua fatura de eletricidade aumentar”, diz Manuel Pina. “A nossa proposta de valor é precisamente para ajudar as famílias a reduzir a sua dependência das operadores e diminuírem os seus custos de eletricidade”, além de prometerem ajudar a reduzir a própria pegada de carbono do consumidor.

 

A Otovo estima que uma família composta por três elementos (um casal e um filho) e cuja fatura de eletricidade atinja os 98 euros mensais, consiga poupar 7 euros logo no primeiro mês, pagando à norueguesa uma subscrição de 32 euros por mês.

 

O período mínimo da subscrição é de 20 anos, sendo que o valor do contrato pode ser alterado consoante os níveis de inflação. Quanto à habitação do cliente, a instalação é idealmente pensada para telhados de moradias, sendo possível, no entanto, que os prédios instalem também o serviço. “Os prédios muitas vezes têm a dimensão necessária para criar uma poupança no consumo das famílias. Nunca vamos negar a nenhum cliente a instalação num prédio, mas queremos que sejam feitas poupanças”, afirmou Manuel Pina, esta quarta-feira, durante a apresentação do projeto.

 

Esta quarta-feira marca oficialmente o primeiro dia da empresa em Portugal depois de já ter permitido a mais de 11 mil famílias europeias fazer a transição para a energia solar doméstica. E, apesar dos desafios já reconhecidos, Manuel Pina olha “com muito otimismo para o desenvolvimento” do mercado das energias renováveis, “dado o potencial do nosso país”. “Ainda assim, acreditamos que ainda existe um longo caminho a percorrer, especialmente no que diz respeito a permitir que as famílias se tornem cada vez mais auto-suficientes na produção energética”.

 

A empresa está cotada na Euronext Growth com uma capitalização bolsista de 350 milhões de euros. Na última apresentação de resultados, a Otovo registou 80 milhões de receita gerada, um crescimento anual de 200%, tendo registado mais de 10 mil novos clientes.

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