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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A iniciativa foi avançada em primeira mão na sexta-feira ao JE, mas só hoje foi lançada oficialmente.

Qualquer pequena e média empresa poderá dar uso às ferramentas abertas do programa, nomeadamente o guia de boas práticas e o scoring digital. Para as médias empresas, está ainda disponível uma Bolsa de Conselheiros mediante candidatura e seleção.

 

A Business Roundtable Portugal (BRP) e o Instituto Português de Corporate Governance (IPCG) lançaram esta segunda-feira um programa integrado para profissionalizar a gestão e governance das Pequenas e Médias Empresas (PME) em Portugal, ambicionando contribuir para o crescimento de 50 mil numa primeira fase. A iniciativa foi avançada em primeira mão na semana passada ao Jornal Económico.

 

O programa Metamorfose foi apresentado esta manhã no Museu Nacional de História Natural e da Ciência por Vasco de Mello, presidente da Associação BRP, João Moreira Rato, presidente do IPCG, António Rios Amorim, vice-presidente e líder do grupo de trabalho Empresas da Associação BRP, e Ana Paula Marques, administradora executiva da EDP e coordenadora desta iniciativa.

 

A parceria quer ajudar as pequenas empresas a tornar-se médias, as médias em grandes e estas em globais, evitando que as empresas com bom desempenho estagnem à conta do esgotamento dos seus modelos baseados no empreendedor original, explicou Vasco de Mello. Em Portugal, as cerca de 1.300 grandes empresas que existem representam 29% do Produto Interno Bruto, quando em Espanha, seguindo o mesmo critério, pesam 40%, na Alemanha 48% e em França 52%. Como as grandes empresas são mais produtivas, investem mais, pagam salários mais elevados e mais impostos, é imperativo aumentar a escala das PME, disse por sua vez António Rios de Amorim.

 

O Metamorfose começa por querer dar a conhecer e desmistificar o tema do governance com um guia de boas práticas aberto à consulta de qualquer empresa. Depois, medir e quantificar essa dimensão de gestão através de um scoring digital intrinsecamente ligado ao guia, para que cada empreendedor saiba com precisão onde está e consiga antever o resto do caminho, sabendo os seus pontos fortes e fracos, conforme explica a coordenadora Ana Paula Marques. Esta ferramenta também permitiria aos financiadores distinguir e premiar os mais bem posicionados – há aqui a ambição de, a prazo, se obter certificação. A última dimensão foca-se no desafio, na forma de Bolsa de Conselheiros, pretende dar mais tempo para se desenvolver o negócio e trazer uma visão externa e independente a partir do ponto de vista de empresas globais. Só esta última ferramenta é que carece de candidatura e consequente seleção por parte da associação.

 

Esta parceria surgiu depois de a BRP ter concluído que a gestão familiar prejudica o crescimento e sucesso destes empreendimentos após ter auscultado inúmeras empresas e especialistas. No seio da associação, aproveitou-se a experiência dos seus 42 membros – que representam 21 sectores e evoluíram até empresas globais – para se identificar três dimensões críticas para apoiar as PME, mas mais especificamente as médias, para as quais até se desenhou a ferramenta da Bolsa de Conselheiros.

 

“Governance é transversal e não deve ser apenas pensado e aplicado nas grandes empresas”, afirmou João Moreira Rato, presidente do IPCG. “A baixa qualidade da governance empresarial impede o crescimento em todas as suas vertentes, desde a captação de clientes, a investidores e talento”, continuou, salientando que o objetivo deste programa é atuar nesta dimensão para se potenciar a criação de valor e a expansão da sua performance.

 

Questionado sobre quantas empresas pretende abranger a iniciativa, Vasco de Mello reforçou que “este é só o início de um longo e árduo caminho que obriga a muita comunicação e alteração cultural, mas que pode ter um impacto brutal nas condições de crescimento do país”. De um universo de 1 milhão e 100 mil empresas em Portugal, “se na primeira fase tivermos taxa de sucesso de 5%, são 50 mil empresas”, indicou.

 

O presidente da Associação das Empresas Familiares, Peter Villax, presente no evento, disse que considera importantíssimo serem lançadas ferramentas deste género porque é necessário “mitigar o risco e haver mais transparência nas práticas empresariais”. Em concreto, olhando para a sua realidade, destaca que “há mais risco associado aos laços familiares”, apelando à união das visões e programas através do diálogo e cooperação para fazer crescer as empresas.

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