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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Dados do World Footwear Yearbook mostram que a produção mundial cresceu 8,6% em 20021, mas está ainda 2 mil milhões de pares abaixo de 2019. A indústria portuguesa já fabricou tanto o ano passado como antes da pandemia.

A produção mundial de calçado cresceu 8,6% em 2021, para mais de 22 mil milhões de pares, mas está ainda 2 mil milhões de pares abaixo dos valores de 2019. Já as exportações aumentaram 7,6%, para 13 mil milhões de pares, um valor que, mesmo assim, é o segundo mais baixo da última década, só ultrapassado pela performance de 2020, em que a quebra foi de 19% para 12,1 mil milhões de pares.

 

Os dados são do World Footwear Yearbook 2022, divulgado esta quinta-feira, e que mostram que o setor está a recuperar, mas "está ainda longe dos valores pré-pandemia". Portugal cresceu "a um ritmo superior ao da concorrência", diz a APICCAPS, a associação do setor.

 

De facto, Portugal exportou, o ano passado, 69 milhões de pares de sapatos no valor de 1.981 milhões de dólares, um aumento de 16,4% face a 2020. Já a produção cresceu 15,15% para 76 milhões de pares, mais 10 milhões do que em 2020. Também o consumo está a crescer, embora a um ritmo mais moderado: passou de 49 para 52 milhões de pares, um aumento de 6,12%.

 

Mas também a indústria portuguesa está, ainda, longe dos valores pré-pandemia. Pelo menos no que às exportações diz respeito, já que em 2019 vendeu ao exterior 76 milhões de pares a 2.002 milhões de dólares. O preço médio de exportação, "o segundo maior entre os principais produtores mundiais de calçado", sublinha a APICCAPS, cresceu 2,9% para 28,60 dólares o par. Comparativamente a 2019, o crescimento foi de 8,9%.

 

O consumo nacional está, também, ainda abaixo de 2019, altura em que foram comprados 65 milhões de pares de sapatos em Portugal, 13 milhões a mais do que em 2021. Significa isto que, antes da pandemia, cada português comprava mais de seis pares por ano, agora só compra cinco pares.

 

Em contrapartida, a produção da indústria portuguesa está já ao nível de 2019, nos 76 milhões de pares, o que permitiu que o país subisse uma posição no ranking mundial: é o 19º maior produtor de calçado do mundo.

 

Destaca, ainda, a APICCAPS que, em alguns segmentos específicos, "Portugal assume já uma posição de grande relevância". E dá o exemplo do calçado impermeável, em que Portugal foi, em 2021, foi o 5º maior produtor a nível mundial, com uma quota de mercado de 3,8%, correspondente a 67 milhões de dólares. Em 2020, a quota nacional era de 3,7%, referente a 49 milhões de dólares exportados em calçado impermeável, mas Portugal ocupava, então, a quarta posição no ranking.

 

China, Itália e França são os maiores exportadores de calçado impermeável, mas com um distanciamento substancial. A China tem 39,6% de quota de mercado, Itália tem 8,6% e França 4,4%. Em quarto lugar estão os Países Baixos com 4,2%.

 

Já no calçado de couro, o segmento mais valorizado e em que a indústria nacional tradicionalmente mais aposta, Portugal ocupa a 9ª posição entre os maiores exportadores mundiais, com 3,1% de quota de mercado. Também aqui a tabela é liderada pela China, com 15,3%, seguida do Vietname (14,4%) e da Itália (13,5%).2

 

Globalmente, e considerado todo o tipo de sapatos, "a pandemia não interrompeu a tendência de concentração geográfica da produção de calçado", com a Ásia a assegurar o fabrico de quase 9 em cada 10 pares de sapatos. O continente asiático é responsável por 88% do fabrico mundial de calçado, quota reforçada em meio ponto percentual face a 2020. Só a China é responsável por 54,1% da produção mundial, assumindo-se como o "maior player internacional", mas, sublinha a APICCAPS, "continua a perder terreno a favor de outros países asiáticos, especialmente o Vietname". Na última década, a China perdeu mais de 6 pontos percentuais de quota de mercado.

 

Sem surpresa, também em termos de consumo, a Ásia é responsável por mais de metade (56,1%) do total mundial. A América do Norte e a Europa asseguraram, o ano passado, 14,9% e 13,3%, respetivamente. Em termos de países, a China e a Índia lideram os principais mercados consumidores de calçado e, juntas, representam quase um terço do consumo mundial. Na terceira posição, os EUA "são o único grande player que recuperou totalmente dos efeitos do da pandemia, com importações e consumo já em níveis pré-pandemia". A União Europeia, enquanto região, representa o quarto maior mercado consumidor de calçado: 1.871 milhões de pares em 2021.

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