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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Num mundo em constante mudança, em que são cada vez mais evidentes os impactos negativos das alterações climáticas. Conheça algumas organizações que estão a trabalhar para um futuro mais sustentável.

A palavra sustentabilidade é uma palavra muito versátil que tem sido uma bandeira nos mais variados debates seja sobre as mudanças climáticas, a gestão de resíduos e subprodutos do mundo industrializado, os recursos naturais cada vez mais escassos ou até a forma como podemos tornar o mundo mais igualitário para todos.

 

Na Europa o assunto tem sido alvo de preocupação dos governantes e populações, tendo sido assumido o compromisso de atingir a neutralidade das emissões de carbono até 2050 o que vai, inevitavelmente, provocar alterações profundas nas empresas, que terão de se adaptar a uma nova realidade na forma de trabalhar e produzir. Ao mesmo tempo que sobe a fasquia dos objetivos de sustentabilidade com que as organizações se têm que confrontar, o agudizar das consequências das alterações climáticas torna esta questão ainda mais premente. A maior frequência de efeitos meteorológicos adversos (vagas de calor, cheias, tempestades, incêndios) vão também fazer-se sentir no tecido empresarial, salientando-se os riscos de escassez de matéria-prima que expõem as empresas a perdas no volume de negócios ou qualidade nos seus ativos. A adoção de práticas sustentáveis ajuda por um lado a diminuir os custos operacionais e, por outro, eleva o nível da reputação, um fator que tem muito peso no desenvolvimento de qualquer marca, mas as questões financeiras continuam a influenciar na hora de apostar na sustentabilidade.

 

Mais transparência para um mundo mais sustentável

De acordo com o Institutional Investor Study 2022, da Schroders, 70% dos investidores dos Estados Unidos consideram que uma melhoria do desempenho financeiro é importante ou até muito importante para um investimento sustentável. Apesar do aumento da adoção de ESG (Environmental, Social and Governance), a maioria considera estar perante um desafio na hora de investir de forma sustentável. Para apoiar a exploração e adoção de práticas de investimento sustentável pelos investidores, é imperativo que dados transparentes e comparáveis ​​estejam amplamente disponíveis e amplamente compreensíveis”, alerta o estudo.
Para aqueles que estão empenhados em investir de forma sustentável, a integração ESG é a abordagem preferida, com 63% dos entrevistados a selecionar esta estratégia como a sua principal escolha, ao mesmo tempo que asseguram estar preparados para examinar como os seus investimentos impactam o meio ambiente e a sociedade, com base em métodos quantitativos.

 

Empresas com consciência ambiental somam notoriedade

Apesar dos obstáculos que ainda é necessário ultrapassar, não só nos Estados Unidos, mas também nos países europeus um grupo cada vez maior de empresas tem demonstrado que este é um tema ao qual não é alheio e nesse sentido tem contribuído com iniciativas para tornar o mundo um lugar melhor, comprometendo-se com os valores da sustentabilidade ambiental e social. As organizações estão empenhadas em ser mais amigas do ambiente e em desenvolver um portfólio de produtos e serviços que possa refletir uma filosofia de sustentabilidade junto da comunidade. As preocupações com a sustentabilidade estão a tornar-se transversais a todo o setor empresarial e Portugal não é exceção. Os consumidores estão mais exigentes e têm tendência a valorizar as empresas que colocam valores éticos e ambientais em primeiro plano, que se preocupam com o desempenho enérgico dos edifícios, que utilizam veículos mais amigos do ambiente ou que promovem modelos que favorecem o ambiente.
É por isso que a Responsabilidade Social Corporativa, ou seja, o facto das organizações assumirem a responsabilidade de apoiar as pessoas, comunidades e o mundo em geral, integrando de forma voluntária preocupações sociais e ecológicas nas suas atividades, está a surgir associada ao ADN empresarial, por exemplo com o desenvolvimento de projetos humanitários ou ambientais.

 

Marcas que os portugueses mais associam à sustentabilidade

A Delta, Ikea e Nestlé, segundo um estudo divulgado pela consultora OnStrategy, são as marcas que os portugueses mais associam à sustentabilidade ESG. A empresa do Grupo Nabeiro, que ficou em número um neste estudo, tem-se comprometido a introduzir produtos e serviços inovadores, capazes de reduzir o impacto ambiental e maximizar o impacto social positivo, com uma aposta numa produção eco-eficiente, no eco-design, procurando fomentar a sustentabilidade nas origens do café, reduzir as ineficiências no processo produtivo e valorizar os resíduos produzidos, sem esquecer a capacitação dos colaboradores para a mudança.
No Top 2, a IKEA compromete-se a criar uma empresa positiva para o clima e totalmente circular até 2030, reduzindo mais emissões com efeito de estufa do que as emitidas pela cadeia de valor da empresa, estando a implementar medidas para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e do Acordo de Paris, trabalhando para um futuro com aumento de temperatura global não superior a 1,5ºC.
Também a Nestlé está empenhada em garantir 100% de cultivo sustentável até 2022 e 100% das embalagens prontas a reciclar e descartáveis sem plástico até 2025.

 

Novos empreendedores apostam na sustentabilidade

Mas existem também startups e pequenas empresas que, com originalidade, centram o seu negócio em produtos reciclados. É o caso da Garbags, uma marca de acessórios que imprime uma nova vida a embalagens que iriam para o lixo transformando-as em acessórios handmade e amigos do ambiente, a que o Banco Credibom se associou mostrando o seu empenho em contribuir para um mundo melhor e mais ecológico, ou a Cuscuz, uma empresa que produz óculos de sol e brincos a partir de móveis, bancos e desperdícios de fábricas. Só para dar dois exemplos, porque existem muitos mais.
A sustentabilidade é um critério relevante para assegurar a viabilidade das empresas a longo prazo em sintonia com a consciência das novas gerações. O futuro passa não só por cumprir as metas ambientais e obrigações legais aplicáveis, como também ir mais além, investindo mais e melhor nas pessoas e no meio ambiente. É inevitável questionar sobre o que estamos a destruir no planeta e refletir sobre o que podemos fazer para tornar o mundo em que vivemos mais sustentável, uma preocupação que deve ser de todos.

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