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CABEÇALHO

A paragem de três dias do gasoduto Nord Stream 1 imposta pela Rússia para "manutenção" está a pressionar o euro face ao dólar. Moeda única atingiu valor mais baixo em duas décadas.

A paragem de três dias do gasoduto Nord Stream 1 imposta pela Rússia para "manutenção", mas que está a ser interpretada pela Europa como uma chantagem de Moscovo às portas de um inverno em que a energia vai ser escassa, está a pressionar o euro face ao dólar de tal forma que a moeda única caiu para mínimos de duas décadas nesta terça-feira, 23 de agosto.

Segundo a Reuters, a moeda única chegou a cotar na manhã desta terça-feira nos 0,9909 dólares, um valor alcançado pela última vez no final de 2002.

 

A Europa está a tentar reduzir a dependência do gás russo, até aqui abundante e barato, depois da invasão da Ucrânia por Moscovo a 24 de fevereiro. Sem ter acautelado alternativas nos últimos anos, as economias da Europa Central, com destaque para o "motor" económico europeu, a Alemanha, estão agora à mercê dos altíssimos preços do gás praticados nos mercados internacionais, e sem perspetivas de abrandamento.

 

Nesta corrida para assegurar as reservas para o inverno, com a Europa e a Ásia a competirem para comprar o pouco gás que há no mercado, a grande prejudicada é a indústria alemã. Privada de energia barata, está com grandes dificuldades em adaptar-se a estas novas condições de produção, o que terá impacto no crescimento económico do país. O banco central alemão, o Bundesbank, já veio confirmar que o pessimismo é justificado.

 

Perante taxas de inflação em recordes de sempre nas economias desenvolvidas alimentadas pelo encarecimento da energia e pela quebra das cadeias de abastecimento - e alguns elos, que se romperam devido à pandemia da covid-19, não deverão voltar a restabelecer-se - os bancos centrais globais estão a contrair, pela primeira vez em vários anos, a sua política monetária, aumentando as taxas de juro.

 

A Reserva Federal dos Estados Unidos é um dos bancos centrais mais agressivos, tendo aumentado as taxas de juro de referência de forma agressiva em 2022, ao passo que o Banco Central Europeu tem ficado aquém desta estratégia, optando por uma contração menos acelerada. O que faz com que o dólar, mais caro, se reforce ainda mais face à moeda única nos mercados internacionais.

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