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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Modelo de contratação desenhado para o setor da hospitalidade tem presença nas cidades de Lisboa e Porto, e já captou o interesse de 250 empresas e 1200 trabalhadores independentes.

Quando em 2021 se cruzaram os conhecimentos tecnológicos, jurídicos e de gestão de capital humano e de ativos hoteleiros, nasceu a Merytu, a startup de origem portuguesa que propõe um modelo de trabalho inovador para a hospitalidade, alterando a lógica de identificação de talento através do matching automatizado entre empresas e profissionais independentes.

 

Surgida da "necessidade de fazer algo diferente, que contribuísse para que as pessoas não continuassem a trajetória de abandono do setor", a plataforma permite aos trabalhadores encontrarem oportunidades de trabalho flexível e construírem uma carreira de forma autónoma. "Liberdade, autodeterminação e mérito" são as palavras que João Santos Silva, cofundador e CEO da empresa, usa para descrever ao Dinheiro Vivo a solução, que alia tecnologia proprietária a uma forma de contratação disruptiva.

 

Presente em Lisboa e Porto, a Merytu já conta com 1200 profissionais inscritos, levando uma taxa de crescimento mensal de 200 novos registos. Até à data, são mais de 250 as empresas que recorrem à plataforma, das quais se destacam nomes como o Grupo Nicolau, o Onyria Quinta da Marinha Hotel e o Chef Kiko. Com uma média de 50 a 100 convites lançados por dia, a aplicação tem tido "uma boa aceitação de mercado", afirma o diretor executivo.

 

Guiada pela premissa de "encaixar o trabalho na vida e não a vida no trabalho", a Merytu captou o interesse da Portugal Ventures, que investiu um milhão de euros no projeto, em ronda pre seed, e tem o apoio de vários parceiros, que ajudam a "descomplicar as questões burocráticas do mercado de trabalho tradicional". Todos os serviços realizados através da plataforma incluem seguro de trabalho, criado propositadamente pela Tranquilidade, faturas automáticas, geradas pela Magnifinance, e pagamentos imediatos, agilizados pela tecnologia do Santander.

 

Como funciona

 

Após instalarem a app e efetuarem o registo, indicando a sua função entre as 16 elegíveis, os trabalhadores ficam aptos para receber convites profissionais, "que podem ser ocasionais ou regulares" e de "quatro horas ou vários dias", clarifica o CEO, destacando que não existe qualquer obrigação: "aceitam quando e quantos convites pretendem, criando eles próprios o seu horário". Já as empresas, na hora de se inscreverem, "encontram um espaço para criar um perfil, no qual se podem diferenciar", tendo à sua disposição "todo um apoio comercial", caso necessitem.

 

"O profissional só tem de se focar em dar o seu melhor, até porque é dessa performance que depende o valor que ganha", diz João Santos Silva. Os meryters - assim chamam aos trabalhadores independentes - entram na plataforma com um patamar inicial, que só evolui para outro nível consoante o número de serviços prestados. É através destes níveis que a empresa consegue identificar a experiência de cada profissional e, consequentemente, o que lhes vai permitir alcançar um valor por hora superior.

 

Um trabalhador que se destaque na aplicação pode ter propostas de empresas - e isto "tem acontecido muito no último ano", revela o diretor executivo. Contudo, esta é uma prática que vai além da operação da Merytu, cuja intervenção única é "permitir que as partes se conheçam".

 

Passos a dar

 

Não sendo esta uma solução estritamente desenhada para o setor da hospitalidade, há passos a dar, nomeadamente no que à abrangência de outras atividades diz respeito. Logística e tecnologias da informação são áreas que estão a ser consideradas pela startup, revela João Santos Silva.

 

Até ao final do ano, o objetivo da Merytu passa por captar mais 100 empresas e duplicar o número de profissionais inscritos na plataforma. A expansão geográfica é também uma prioridade para a empresa, que prevê englobar a região Centro na sua operação ainda este ano e chegar ao Algarve em 2023. "Queremos consolidar a nossa presença a nível nacional", atesta o responsável. No entanto, o futuro da startup passará também pela internacionalização - e, não sendo uma garantia, o Reino Unido representa uma possibilidade de mercado.

 

Em forma de perspetiva, o CEO destaca que o primeiro ano da Merytu foi "gratificante e que, apesar dos ajustes pelo meio, as expectativas foram superadas". Daqui para a frente, espera que a tendência se verifique e que seja possível "alcançar ainda mais sucesso".

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