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CABEÇALHO

O festival de música Primavera Sound organiza a sua primeira edição nos Estados Unidos entre 16 e 18 de setembro e leva a inspiração ibérica para Los Angeles, onde os organizadores encontraram uma "vibração" semelhante a Barcelona e Porto.

"Embora tivéssemos outras possibilidades nos EUA para localizar o Primavera Sound, há qualquer coisa em LA que nos faz pensar que tem uma vibração semelhante a Barcelona", disse à Lusa o codiretor do festival Primavera Sound Alfonso Lanza. "A proximidade ao mar, o caráter das pessoas, a paixão pela música", exemplificou.

 

"Sentimo-nos mais confortáveis em LA que em qualquer outra cidade e acreditamos que um Primavera nesta cidade vai ser reconhecível como tal", acrescentou. "Isto é algo que também sempre acreditámos sobre o Porto: as cidades podem ser diferentes, as vibrações são partilhadas".

 

Em 2022, o Primavera Sound Barcelona atraiu quase meio milhão de festivaleiros e a edição no Porto levou 100 mil pessoas ao Parque da Cidade.

 

Agora, a edição inaugural fora da Península Ibérica, 21 anos depois da estreia em Espanha e dez anos depois de chegar a Portugal, terá Lorde, Nine Inch Nails e Arctic Monkeys como cabeças de cartaz, e uma seleção eclética em cada um dos dias.

O cartaz reflete a influência latina que se sente em Los Angeles, com artistas como Little Jesus (México), Arca (Venezuela), Paloma Mami (Chile) ou Divino Niño (Colômbia). De Espanha viajarão Bad Gyal, John Talabot, Derby Motoreta's Burrito Kachimba, Marina Herlop e Núria Graham.

 

Um dos aspetos que influenciaram a organização na escolha do alinhamento foi o compromisso com o equilíbrio em termos de género, além do tipo de som especifico que se tornou no cartão de apresentação do festival.

 

"Equilibrar a presença de artistas masculinos e femininos no alinhamento a esta altura do século XXI devia ser algo natural para todos os festivais, não apenas do Primavera", salientou o codiretor.

 

Alfonso Lanza explicou ainda que um dos desafios da expansão foi escolher as pessoas certas e levar o estilo muito específico do festival para um novo local, depois da experiência de nove edições do Primavera Sound Porto para lá de Barcelona.

 

Além disso, este é um contexto de mudança, com bandas que acabaram, cancelaram as agendas ou mudaram de outras formas. "A pandemia afetou-nos a todos, mas o resultado final é que fizemos o festival que queríamos fazer", sublinhou o responsável.

 

Prestes a concretizar a expansão transatlântica, Alfonso Lanza salientou que a organização não quer fazer um "festival franchisado", e por isso todas as novas localizações levam em conta as particularidades de cada cidade e os hábitos dos seus públicos.

 

"Cair na armadilha de ficarmos perdidos na tradução é algo que queremos evitar a todo o custo", sublinhou. "A nossa prioridade é que o público desfrute da música da melhor forma possível e aprecie a experiência gostando dos concertos antes de tudo o resto".

 

Lanza referiu que o festival tem "uma grande percentagem" de fãs que regressam ano após ano, incluindo muitos que viajam de territórios internacionais. "Acreditamos que isso é porque podem apreciar algumas das suas bandas favoritas de todos os tempos e ao mesmo tempo o que é fresco e na moda, e os artistas que vão moldar o cenário musical de amanhã", afirmou. "É algo muito único".

 

Depois de Los Angeles, o Primavera Sound viajará para sul e aterrará em São Paulo, Santiago do Chile e Buenos Aires no início de novembro. É um salto triplo que expande de forma considerável a pegada do festival, uma decisão tomada por haver procura por parte da audiência e interesse mediático internacional. No próximo ano, em junho, será a vez de Madrid.

 

"Uma vez no Primavera, sempre no Primavera", afirmou Lanza. "As cidades podem ser diferentes, mas a vibração será similar porque a curadoria é a mesma, e sabemos que uma grande parte destas audiências locais já esteve em Barcelona", salientou. "Eles sabem o que querem e o que esperar, por isso se somarmos o que está em palco e à sua frente, é uma boa receita para o sucesso".

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