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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O XIII Fórum do Turismo “Portugal- América Latina”, que decorrei em Lisboa, promovido pelo IPDAL (Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas), apelou a uma maior dinamização das relações turísticas entre os dois territórios.

Na sessão, que contou com a presença de vários embaixadores da América Latina em Portugal, e em especial do diplomata colombiano Alejandro Zaccour, uma vez que o fórum teve a Colômbia como país convidado, contou, igualmente com intervenções de vários embaixadores da América Latina creditados em Portugal, como também de players portugueses, como de Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, Cristina Siza Vieira, presidente executiva da AHP, e da reitora da Universidade Europeia, Hélia Gonçalves Pereira. De destacar a presença Manuela Barber Country Manager da Iberia em Portugal, que representa a companhia aérea que mais ligações oferece entre a América Latina e Portugal, via Madrid.

 

O tema “Os desafios do turismo pós pandemia” foi abordado via videoconferência por Natalia Bayona, diretora de Inovação da OMT, enquanto na mesa redonda o fórum contou, via online, com intervenção da presidente da ProColombia, Flavia Santoro. O encerramento esteve a cargo de Rita Merques, secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços.

 

Em jeito de balanço, e dirigindo-se a Rita Marques, o presidente do IPDAL, Paulo Neves comentou que, neste fórum de turismo “falámos das relações turísticas entre a América Latina e Portugal, e constatamos que existem aspetos que nos preocupam, questões que preocupam também os players portugueses do turismo na relação com a América Latina”.

 

Desde logo, segundo Paulo Neves, “foi levantada a questão dos vistos, É inaceitável a exigência e a complicação do pedido de vistos para alguns países da América Latina e que naturalmente essa dificuldade não favorece as relações turísticas entre a América Latina e Portugal”. Outra questão que também foi falada, disse o presidente do IPDAL, tem a ver com a mobilidade aérea. “Já não falo só do desastre que está a ser o aeroporto de Lisboa à vista de todos, e o Governo tem que fazer alguma coisa para evitar a má imagem que está a dar em Portuga, mas também das conexões. Foi levantada de forma muito clara que as conexões entre a América Latina e Portugal estão piores do que estavam, isto porque já tivemos ligações com a Colômbia, já não temos, com o Panamá que é só o principal hub da América Latina, também já não temos, ou seja, em vez de estarmos melhores, estamos piores”.

 

A questão do turismo religioso foi igualmente abordada neste fórum, em que participaram cerca de 50 convidados. Paulo Neves recordou que “são várias as vezes, nos fóruns que organizamos que falamos muito, e os embaixadores voltaram a realçar as potencialidades do turismo religioso em Portugal, mas pouco se faz ao nível da promoção deste segmento do turismo na América Latina e todos sabemos que a grande parte dos latino-americanos quando chegam a Portugal, aquilo que desejam visitar de imediato, é Fátima.

 

Além disso, disse, “estamos a perder oportunidades de negócio com a América Latina. Há também uma questão importante que foi aqui falada que é juntarmos, Portugal tem um know how fantástico nesta área do turismo, somos um destino turístico de excelência, e os últimos anos têm corrido tão bem”.

 

A secretária de Estado não fugiu às questões e agradeceu os reparos feitos dizendo que “temos vários desafios no turismo, mas o que  nos distingue sempre é a humildade e, a análise que fazemos, bem como esta capacidade de melhorar. As críticas são legítimas e pertinentes, e garantimos trabalhar todos os dias para as tentar ultrapassar”.

 

Rita Marques lembrou que o setor do turismo viveu tempos difíceis, e hoje, “para além das notas que ouvimos, há outros que se prendem com o custo da inflação, inibidor do bom crescimento também no setor do turismo, bem como a capacidade de angariar talento nesta altura em que os recursos humanos faltam no setor”.

 

Sobre os vistos, esclareceu que “temos uma grande procura, mas temos os serviços consulares e do próprio SEF uma equipa que está reduzida e que têm ainda alguns procedimentos administrativos que carecem de melhorias. Temos duas deficiências que nos impossibilitam de prestar o serviço de excelência que todos gostamos. Temos vindo a trabalhar, mas a forma não será suficiente e boa para responder de forma imediata”.

 

“Aquilo que estamos a fazer a nível do Governo é introduzir um projeto piloto, nomeadamente com os países da CPLP. E já está na Assembleia da República uma proposta de lei para agilizar o processo de atribuição de vistos, em várias perspetivas, desde logo permitindo que o SEF possa não intervir ativamente no processo. Estamos a confiar e a acrescentar competências à rede consular para agilizar administrativamente o processo, e por outro lado estamos também a permitir naturezas mais díspares dos vistos, nomeadamente os de procura de trabalho, tendo em conta que a captação de talento é uma prioridade”

A governante espera que este projeto piloto possa rapidamente, junto da CPLP, ver a luz do dia, e que possa ser estendido a outras geografias, distinguindo-se a América Latina.

 

Em relação à conetividade aérea, sinaliza que Portugal “é o país da Europa que mais rapidamente recuperou as rotas aéreas depois da tragédia que todos vivemos durante dois anos, o que quer dizer que estamos a recuperar mais rapidamente do que os nossos competidores  e, portanto estamos a fazer um grande esforço para dialogar com as companhias aéreas para recuperar as rotas, mas ainda não chegámos a 2019, sendo certo que temos vindo a estimular a reposição dessas rotas”.

 

A secretária de Estado apontou que, já em 2022 “mobilizámos, através do Turismo de Portugal, cerca de três milhões de euros para recuperação das rotas aéreas, e o que está em causa é concertarmos com as companhias aéreas novos modelos de negócio, partilhando os custos no que toca ao marketing que garanta a boa ocupação dessas aeronaves. Mas não nos enganemos, a retoma da conetividade aérea com a América Latina depende do apoio do Turismo de Portugal, mas também da viabilidade do modelo de negócio, portanto depende da companhia aérea é que decidirá se faz sentido ou não, se o modelo é sustentável a médio e longo prazo”, considerou.

 

Sobre o turismo religioso, “temos trabalhado com todas as geografias da América Latina, a vários níveis, desde logo, na estruturação de produto, ajudando-as a estruturar determinados produtos turísticos, para destacar que “falava-se em Fátima na perspetiva do incoming, mas também temos trabalhado numa perspetiva do outgoing. Isto é importante nesta relação que se tem de estabelecer”.

 

Rita Marques lembrou que tem havido várias missões do Turismo de Portugal, para determinadas geografias da América Latina várias “para podermos promover o turismo religioso, não só cá, mas também lá, porque a maior parte desses países o turismo religioso é também um ativo”, acrescentando que “temos trabalhado a parte da capacitação dos recursos humanos nessas geografias, emprestando o nosso know how e, por fim, temos trabalhado na promoção do destino cruzado, mas sabemos que há muito a fazer”.

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