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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A fase de conceção do projeto, que junta mais oito empresas, decorre até 2023. A empresa portuguesa já liderava o desenvolvimento de um dos sistemas de suporte a projeto da ESA com o mesmo fim.

Critical Software é uma das nove empresas escolhidas pela Agência Espacial do Reino Unido para integrar uma missão de remoção de detritos do espaço, que já está em fase de conceção.

 

A tecnológica portuguesa integra um consórcio de nove empresas, o ClearSpace, liderado pela unidade britânica da empresa com o mesmo nome, e terá como responsabilidade o fornecimento de serviços especializados para controlo dos equipamentos, deteção e recuperação de falhas dos sistemas.

 

Em outubro do ano passado, a Agência Espacial Britânica escolheu o consórcio ClearSpace para realizar um estudo de viabilidade da missão, que pretende remover pelo menos dois satélites abandonados de órbita terrestre baixa, se tudo correr bem, em 2026, de acordo com a nota oficial.

 

Na primeira fase do processo, como explica a Critical, as empresas do consórcio exploraram diferentes cenários da missão, definiram os requisitos e selecionaram as tecnologias necessárias para implementar a missão. Em março deste ano foi adjudicado um novo contrato, revelado só agora, para que o consórcio passasse à fase de conceção da missão Clearing the LEO Environment with Active Removal (CLEAR) , que vai prolongar-se até 2023.

 

Os satélites que vão ser alvo da missão britânica estão inativos há mais de 10 anos, a 700 quilómetros de altitude, e se não forem removidos podem permanecer em órbita durante um século. A remoção será uma forma de precaver a segurança de outros satélites ativos e reduzir o impacto ambiental da operação de sistemas de observação da Terra, que cresce a um ritmo acelerado, com a proliferação dos serviços baseados em localização.

 

“Estamos entusiasmados por nos juntarmos ao ClearSpace como parte deste consórcio pioneiro. Há mais de cinco mil objetos não funcionais a orbitar na Terra e mais de três mil satélites ativos”, sublinha Rodrigo Pascoal, Business Development Manager da Critical Software. “Com a densidade deste tráfego espacial a aumentar, a remoção destes objetos é cada vez mais importante para ajudar a proteger os satélites de colisões”, acrescenta o responsável. O número estimado de detritos na órbita da Terra (alguns multiplicados pelo efeito de colisões) é bem maior e pode rondar já os 130 milhões, dizem os britânicos.

 

O projeto para a Agência Espacial Britânica está a ser realizado a partir de Portugal, em conjunto com o escritório da Critical no Reino Unido. A empresa acredita que a remoção de detritos se vá tornar no segmento dos serviços em órbita (IOS) de crescimento mais rápido, nos próximos anos.

 

A Agência Espacial Europeia também já tem calendarizada a sua primeira missão nesta área. Está prevista para 2025 e conta com a participação de quatro empresas portuguesas. A Critical Software e a Deimos lideram o desenvolvimento de dois subsistemas da missão.

 

A missão, de 86 milhões de euros, é liderada também pela ClearSpace, envolvendo ainda, além de Portugal, companhias da Alemanha, Suécia, Polónia, Reino Unido, Roménia e República Checa.

 

Em 2025, o plano é ir ao espaço e trazer para Terra uma peça de forma cónica com 112 quilos e o tamanho de um pequeno satélite (dois metros de diâmetro e 1,6 metros de altura).

Um veículo controlado remotamente a partir da Terra será lançado e guiado até chegar ao Vespa, que está em órbita desde 2013. Com a ajuda de quatro braços robóticos vai agarrar o detrito e, usando a sua propulsão, vai descer de forma controlada até que ambos se desintegrem de forma segura na atmosfera, explicava-se na altura.

 

A Critical Software está a liderar o desenvolvimento do software de bordo, bem como dos sistemas que vão gerir a captura do Vespa, a deteção e recuperação de falhas do sistema, o controlo do equipamento e a gestão térmica e energética da nave.

 

A Deimos Engenharia lidera o consórcio, que também inclui as portuguesas Lusospace e ISQ e que está a desenvolver os sistemas de Orientação, Navegação e Controlo (GNC) que irão comandar o movimento do satélite, uma espécie de “piloto automático” do satélite. O consórcio será também responsável pela realização de testes para apoiar a Clearspace na montagem, integração, testes e operação da missão.

 
Rodrigo Pascoal explicou ao SAPO TeK que, além destes dois projetos (CLEAR e ClearSpace-1), a Critical está a trabalhar num terceiro projeto na mesma área, o Encore. Trata-se da "extensão de vida de um satélite comercial em órbita GEO, atualmente na fase B (Preliminary Definition)". O Encore também tem o apoio da ESA e previsão de lançamento para 2027, dependente de aprovação da missão.

A missão ClearSpace-1, por seu lado, está neste momento a "entrar na fase C/D de missão, isto é, na fase de Detailed Definition, Qualification and Production", detalhou o mesmo responsável.

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