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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A APICCAPS, como representante da indústria portuguesa do sector do calçado, dará início à defesa do couro junto dos compradores e consumidores internacionais da Micam, a maior feira internacional do calçado, que decorre em Milão entre os dias 18 e 21 de setembro.

Segundo o presidente da APICCAPS, o designer de calçado Luís Onofre, o objetivo é "desmistificar ideias preconcebidas", contrapondo argumentos que "tornam o calçado em couro um produto de excelência", sendo a pele "indiscutivelmente a melhor matéria-prima disponível no mercado", designadamente em termos de sustentabilidade e economia circular, e de durabilidade, reforça ao Dinheiro Vivo.

Sendo o couro por tradição a matéria-prima mais utilizada na indústria portuguesa, quase exclusivamente e durante décadas vocacionada para o segmento de sapatos clássicos, há que unir forças e fundamentar motivos para a defesa deste mesmo material.

Por sua vez, Paulo Alexandre Gonçalves, diretor de Comunicação da APICCAPS, assinala a existência de "ideias preconcebidas que não correspondem à verdade", pelo que a APICCAPS pretende centrar a sua comunicação internacional em ações de pedagogia para que o consumidor possa ter acesso à verdade do couro tradicional, que é por si só mais ecológico e sustentável do que o sintético (mais ainda quando reciclado), para tomar decisões informadas.

Note-se que, em 2010, o calçado de couro assegurava 91% das exportações nacionais, que atualmente se registam em 85%, já que o comportamento dos consumidores mudou, tendo vindo a dar preferência ao calçado mais desportivo, que é basicamente produzido noutros materiais. Por outro lado, a proliferação de produtos vegan também levou muitos consumidores a recusarem a compra de artigos em pele. Com 76 milhões de pares produzidos em 2021, Portugal é o 19.º maior produtor do mundo, sendo o 9.º maior exportador de calçado de couro. 

"São artigos que podem ser tratados e recuperados, fazendo com que o produto ganhe uma nova aparência. E isso agrega valor", diz ainda Paulo Alexandre Gonçalves ao DN.

"Procurámos, durante o último ano, e envolvendo entidades suecas, estudar todas as métricas que nos permitam comparar os diferentes materiais usados na indústria do calçado, procurando perceber o impacto do couro comparativamente a outros produtos, e como o podemos tornar ainda melhor", explica por fim, apontando não apenas a promoção da economia circular, mas outros fatores determinantes para a sustentabilidade, como a durabilidade ou a dispensa de lavagem, e o uso de água.

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