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CABEÇALHO

Três centenas de obras refletem sobre o pensamento modernista brasileiro e uma nova era. A exposição, que tem vindo a correr mundo, chega agora a Lisboa no âmbito das celebrações dos 200 anos da Independência do Brasil.

“É assim que, sendo monumental, é também cômoda, eficiente e íntima. É ao mesmo tempo derramada e concisa, bucólica e urbana, lírica e funcional… Brasília, capital aérea e rodoviária; cidade-parque.” As palavras são de Lucio Costa e figuram no Relatório do “Plano Piloto”, vencedor em 1957 do concurso para a construção da nova capital brasileira.

 

“Brasília – Da Utopia à Capital” é, aliás, uma oportunidade para compreender melhor os anseios deste país de escala continental, através da maquete fotográfica do “Plano Piloto” proposto por Lucio Costa, das fotografias de Jean Manzon, Marcel Gautherot, Mário Fontenelle e Peter Scheier, e, também, das esculturas de Alfredo Ceschiatti, Bruno Giorgi e Maria Martins. E, claro, dos projetos riscados por Oscar Niemeyer, nome incontornável da arquitetura brasileira que assina o Congresso Nacional, os palácios da Justiça, do Planalto, da Alvorada, os ministérios e a Catedral Metropolitana, para citar apenas algumas das obras mais significativas na capital.

 

A exposição que inaugura a 15 de setembro no Museu dos Coches, em Lisboa, tem entrada livre e reúne mais de 300 obras e documentos que ilustram o percurso histórico da capital brasileira. Já esteve patente em 12 cidades, nomeadamente Roma, Paris, Berlim e Londres, e resulta de um extenso trabalho de investigação da curadora Danielle Athayde na Fundação Ortega y Gasset, em Madrid.

 

“Brasília – Da Utopia à Capital” chega agora a Lisboa, no âmbito das comemorações oficiais do Bicentenário da Independência do Brasil, e aqui ficará até dia 30 de outubro, para revelar aquela que foi uma cidade concebida como “obra de arte completa”, e como referência da nova fase de interiorização do poder público do país, anteriormente concentrado no litoral.

Esta mudança “despertou um sentimento de euforia desenvolvimentista na população brasileira”, recorda a organização num comunicado sobre o contexto histórico da fundação da cidade, no início da década de 60. O local “transformou-se num canteiro de obras de proporções épicas, cujos núcleos de acomodações precárias, sendo um deles a Cidade Livre, que chegou a abrigar mais de 30 mil trabalhadores durante a construção, que durou três anos e 10 meses”, pode ler-se no mesmo comunicado.

 

A criação de uma cidade que espelha o pensamento modernista brasileiro levou, à época, a que “pessoas comuns, movidas pelo desejo de fazer parte do sonho de construção de uma nova cidade, sede do governo”, se deslocassem das suas zonas de conforto, do seio da família e da sua terra de origem, para se instalarem neste novo território.

 

As obras aqui reunidas provêm de coleções brasileiras, públicas e privadas, nomeadamente do Instituto Moreira Salles, da Coleção Brasília – acervo Izolete e Domício Pereira, e do Arquivo Público do Distrito Federal. Testemunhos do enorme empreendimento que arquitetos, artistas, funcionários públicos e candangos – como eram chamados os trabalhadores de várias áreas do conhecimento, regra geral  “pertencentes às camadas populares” da sociedade brasileira.

 

“Brasília – Da Utopia à Capital” pode ser vista a partir de 15 de setembro até dia 30 de outubro no Museu dos Coches, em Lisboa.

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