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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Ao longo de oito dias, Portugal mostra a sua literatura ao Brasil. No ano em que a Bienal Internacional do Livro de São Paulo convidou o nossos país, como convidado de honra, 21 escritores vão conversar com os brasileiros e dar a conhecer a sua escrita, inquietações e urgências.

No ano em que o Brasil celebra os 200 anos da sua independência convidou Portugal para ser o convidado de honra da 26ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. De 2 a 10 de julho, Portugal tem um pavilhão próprio bem no coração da feira que regressa este ano ao formato presencial, depois da paragem por causa da pandemia.

 

Numa altura em que no Brasil já se sente o nervoso miudinho das eleições presidenciais de outubro e quando as estatísticas indicam que 33 milhões de brasileiros, ou seja, mais de 15 por cento da população passa fome, Portugal leva como mote para a sua presença uma frase do escritor Valter Hugo Mãe que fala de “urgência”.

 

Na Expo Center Norte, onde vai decorrer a bienal, vão estar 21 escritores portugueses a participarem em dezenas de mesas de debate com autores brasileiros. “É Urgente Viver Encantado” é a frase mote para as conversas que além, dos autores portugueses vão também contar com a presença da moçambicana Paulina Chiziane – última vencedora do Prémio Camões – e Luís Cardoso, escritor timorense, vencedor do Prémio Oceanos.

 

Mas Portugal traz também a sua gastronomia com a presença dos chefs Vitor Sobral e André Magalhães e um conjunto de nove editores portugueses para encontros profissionais. Esta embaixada cultural portuguesa foi coordenada por um grupo interministerial que inclui o Instituto Camões, a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, bem como o AICEP, Turismo de Portugal e a diplomacia portuguesa.

 

De que vão falar os autores portugueses?

 

No ano do centenário de José Saramago, é apresentada em São Paulo uma exposição dedicada ao Nobel da Literatura. Com textos do comissário das celebrações, Carlos Reis e desenho gráfico de André Letria, a mostra apresenta “marcos importantes da trajetória do autor”, indica o programa.

 

Mas Saramago atravessa também a programação do pavilhão de Portugal. Além da exibição dos documentários “Herdeiros de Saramago” de Graça Castanheira, autores como José Luís Peixoto e a brasileira Adriana Lisboa, ambos vencedores do Prémio Saramago juntam-se para revisitar o livro “Viagem a Portugal”.

 

Há outro centenário que passa pela programação portuguesa. No dia 6, a escritora Lídia Jorge vai ler e falar sobre a obra de Agustina Bessa-Luís, uma autora que o Brasil muito desconhece referiu em entrevista à Renascença, a curadora Isabel Lucas.

 

Autor bem conhecido dos brasileiros é Valter Hugo Mãe que abre a programação no sábado, numa conversa que junta os brasileiros Daniel Mundiruku e Lilia Schwarcz, num diálogo sobre inclusão e exclusão. O autor português vai também ainda conversar com José Luís Peixoto e Socorro Acioli sobre Saramago.

 

Incluído na programação está outro nome bastante popular no Brasil, o humorista Ricardo Araújo Pereira que, depois dos espetáculos que tem feito com o humorista braseiro Gregório Duvivier, vai participar na Bienal do Livro num encontro que tem como título “Rir na mesma língua”.

 

A cantora Adriana Calcanhotto estará também no Pavilhão de Portugal em várias ocasiões, no domingo, uma delas a ler poetas e excertos de textos de autores portugueses. Nas conversas motivas pela frase de Valter Hugo Mãe, a curadora portuguesa Isabel Lucas junta também dois poetas, Maria do Rosário Pedreira vai falar com o brasileiro Eucanaã Ferraz sobre “O Poema como Lanterna”.

 

Os escritores Dulce Maria Cardoso, Afonso Cruz, Joana Bertholo, Teolinda Gersão, Matilde Campilho ou Valério Romão são outras das presenças portuguesas que vão estar à conversa com brasileiros como o escritor Paulo Scott ou Noemi Jaffe ao longo dos dias da Bienal.

 

Há também espaço à ilustração portuguesa. Numa conversa moderada por José Santos vão estar juntos António Jorge Gonçalves e Afonso Cruz. Já na reta final da bienal estará Gonçalo M. Tavares que, com outro prémio Saramago, o brasileiro Júlian Fuks, irá falar sobre o legado do autor de “Viagem do Elefante”.

 

Outro diálogo transatlântico é o que vão manter o escritor português Francisco José Viegas com o brasileiro Ruy Castro que falarão sobre “Biografias Reais e Imaginárias”, num encontro no sábado.

 

No último dia de bienal, o destaque vai para o encontro entre o autor e músico Kalaf Epalanga e o escritor brasileiro Bernardo Carvalho que se irão questionar sobre se “Existe um Lugar de Fala na Literatura?”.

 

Conversas à parte, o Pavilhão de Portugal terá uma livraria e haverá também na bienal um espaço infantojuvenil.

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