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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Elad Dror, CEO do Grupo Fortera, revela que em pipeline, com os projectos actuais em carteira, o Grupo irá ultrapassar a execução de 350 mihões de euros nos próximos dois anos, de forma faseada. Mas admite que o Governo deve fazer o que estiver ao seu alcance para garantir que os investidores continuem a alocar fundos em Portugal e que é necessário novamente garantir que Portugal seja o mais atraente de todos os países.

 

Como o Grupo Fortera tem encarado este período de pandemia? Que impacto teve no desenvolvimento dos projectos?

Os principais impactos foram os atrasos na construção, e consequentemente o prazo de entrega das unidades, para além da impossibilidade de investidores e parceiros visitarem Portugal nesta época, e ainda os atrasos no planeamento e questões das autarquias.

 

Mas o Grupo teve a flexibilidade e agilidade, a capacidade de responder rapidamente e fazer as mudanças necessárias.

A diversidade do Fortera tem ajudado muito, tanto nos projectos quanto a diferentes parceiros e investidores, não dependendo de um sector exclusivo, como a hotelaria por exemplo, que sofreu um impacto muito grande.

 

Outro facto relevante é que os nossos projectos são de baixa ou nenhuma alavancagem. Todos foram adquiridos com capital total, portanto, não estávamos stressados, como outros poderiam estar.

 

Que balanço faz de 2020?

 

Terminámos 2020 de forma muito positiva, com vendas superiores a 95% nas unidades que tínhamos no mercado, nomeadamente em Espinho, Gaia e Porto.

 

Em 2020 fizemos principalmente aquisições de projectos de desenvolvimento e investimos cerca de 25 milhões e ainda finalizámos os projectos que tínhamos em construção desde 2019.

 

Neste momento, o grupo tem em mãos grande projectos imobiliários. Quais os que estão a construção e quais os que estão previstos para arrancar?

 

Estamos a começar este ano com o AZUL, que tem 64 unidades na General Torres, em Gaia, e está totalmente aprovado. O CAMILO, de cinco estrelas, com 258 unidades e 200 apartamentos, e a fase 1 (espero) do Espinho Business Center, o Convento do Carmo, em Braga, e a primeira fase do SKYLINE, e talvez ainda com nosso projeto na Quinta Santo Antonio.

 

Quanto já investiu o Grupo em Portugal e quanto pensa investir ainda?

 

Nos últimos seis anos completámos nove projetos, distribuídos entre Gaia, Porto e Espinho. Em 2019 investimos 45 milhões de euros em aquisições para o desenvolvimento de projectos.

 

Já em 2020, reforçámos o investimento de 23 milhões de euros adicionais para aquisições com o objectivo de desenvolver novos projectos.

 

Em pipeline, com os projectos actuais em carteira (Skyline, Riverside, Camilo e etc), iremos ultrapassar a execução de 350 mihões de euros nos próximos dois anos, de forma faseada.

 

Portugal continua a ser um destino atractivo para investir?

 

O Governo deve fazer o que estiver ao seu alcance para garantir que os investidores continuem a alocar fundos em Portugal. Este país é óptimo, mas depende muito disso.

 

Muitos países entrarão em recessão e tenho certeza de que todos farão planos e criar incentivos atraentes para garantir que os fundos optem por esses destinos.

 

Os Golden Visa em Portugal, ARU, NHR e outros fizeram a mudança para o país prosperar após 2008, agora é necessário novamente garantir que Portugal seja o mais atraente de todos.

 

Como vê o futuro do mercado imobiliário português? E qual a estratégia do grupo para os próximos anos?

 

O covid-19 não existe apenas em Portugal, é global, e no panorama global penso que Portugal apresenta muitas vantagens e pode recuperar rapidamente desde que o governo possa agir de forma inteligente para atrair investimentos, incentivos de fundos, etc. Vai ser difícil durante um ano ou dois, mas sou optimista. Como sabe, sou israelita e em Israel as coisas estão 90% de regresso à normalidade, então, o futuro é positivo.

 

De que forma as limitações aos Vistos Gold, nas alterações que entram em vigor em 2022, vão afectar o mercado?

 

As mudanças que se propõe em meio de uma crise mundial e uma recessão que se aproxima são ultrajantes.

 

Muitas mudanças que vimos nas grandes cidades são o resultado directo do investimento estrangeiro em curso. Todos nós lembramos como o Porto retrocedeu em 2009-2012 e agora está a ganhar reconhecimento mundial, e o mesmo aconteceu em Lisboa e em outros lugares.

 

Portugal tem uma história incrível e edifícios incríveis à espera de serem renovados e descobertos, o que não acontecerá por si só.

 

E se isso não acontecer, eles perderão completamente seu valor e a capacidade de serem restaurados.

 

Além disso, o programa traz imigração positiva de classe média a alta, que podem contribuir para a economia do país.

 

Admite que a pandemia veio alterar os conceitos de habitar e trabalhar?

 

As pessoas passaram mais tempo do que nunca nas suas casas, e isso vai gerar muita procura para as melhorias dos espaços residenciais, e vemos isso nos nossos projectos. Da mesma forma, as promotoras imobiliárias terão que reconsiderar o tamanho das varandas, áreas comuns e espaços ao ar livre, que são mais necessários e valiosos do que nunca.

 

Se antes olhávamos para as residências como um local para viver, hoje nós visualizamos as habitações como um local de múltiplas interacções, para se viver, se criar, se trabalhar, brincar.

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