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CABEÇALHO

Em setembro, os titulares das pastas dos transportes dos governos de Portugal e Espanha irão encontrar-se para negociar a questão espinhosa das ligações ferroviárias entre os dois países.

Em setembro, os titulares das pastas dos transportes dos governos de Portugal e Espanha irão encontrar-se para negociar a questão espinhosa das ligações ferroviárias entre os dois países, praticamente sem ligações diretas desde março de 2020 e com visões diferentes em relação às prioridades a dar na construção de novas linhas.

 

O jornal espanhol "Cinco Días" desta terça-feira, 23 de agosto, escreve que os ministros com a pasta da ferrovia, o ministro português das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, e a ministra espanhola dos Transportes, Raquel Sánchez, vão reunir-se em setembro para debater as ligações de alta velocidade entre os dois países para a próxima década e os serviços ferroviários internacionais de curto e médio-prazo.

 

A primeira medida que os dois governos deverão tomar para remediar, para já, este estado de coisas - que desperta a estranheza da Comissão Europeia numa altura em que se quer privilegiar o transporte ferroviário - é reforçar ligações já existentes. Mas em Espanha quer-se uma ligação diurna entre Madrid e Lisboa, já proposta pela Renfe, a congénere da CP. Em Portugal, a prioridade vai para um reforço do Celta, a ligação entre Porto e Vigo.

 

E nas novas linhas a diferença também é de prioridades: a principal ligação, para Madrid, é por Badajoz; ao mesmo tempo Portugal quer investir forte na linha de alta velocidade entre Lisboa e o Porto, com ligação a Vigo e à alta velocidade espanhola.

 

Em Espanha, a ligação de alta velocidade de Madrid à Estremadura espanhola, um investimento de 1,2 mil milhões de euros, está a ser feita por fases, tendo já sido inaugurada uma parte da linha entre Plasencia e Badajoz, de 150 quilómetros - apesar de 200 quilómetros desta linha ainda estarem em fase de projeto. Mesmo assim, os 150 quilómetros já abertos permitiram diminuir o tempo de viagem entre a cidade fronteiriça e a capital de Espanha em quase uma hora, melhorando um pouco uma rota ferroviária conhecida pelas suas constantes falhas, tempos de viagem longos, e materiais não-eletrificados.

 

Do lado português da fronteira, prevê-se o fim das obras da nova linha de velocidade alta Évora-Caia, pensada para transporte de mercadorias do porto de Sines mas que terá tráfego de passageiros, para o final de 2023, possibilitando uma ligação mais rápida de Lisboa a Madrid. Porque atualmente viajar de comboio entre as duas capitais implica no mínimo três transbordos e nove horas de viagem.

 

Apesar do investimento na linha Évora-Caia, a grande aposta vai para a linha de alta velocidade entre Lisboa e Porto, já anunciada várias vezes pelo ministro Pedro Nuno Santos no âmbito do Plano Nacional de Investimentos 2030, e a ligação Porto-Vigo, num bolo total de 5,4 mil milhões de euros a despender.

 

O ministro apelou a que os espanhóis dessem "corda aos sapatos" no investimento que deverão fazer do seu lado para que a linha não chegue a Valença e dê com o vazio do outro lado do Minho. O que colide com uma certa indiferença do governo de Madrid, que não dá tanta prioridade a este projeto, apesar de a congénere espanhola da Infraestruturas de Portugal, a Adif, já ter previsto 35 milhões de euros para a ligação à rede portuguesa.

 

Os dois países também debaterão a ligação por Salamanca, com eletrificação em curso do lado espanhol. Para mais à frente, mas também na mesa de negociações, estão as linhas Aveiro-Mangualde e a ligação Faro-Huelva.

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