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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Apesar dos riscos de travagem económica nos Estados Unidos, as trocas comerciais continuam robustas. No ano terminado em abril, as exportações de bens portugueses para o país cresceram 41%, segundo o INE. E as importações mais que duplicaram.

As exportações de bens portugueses tiveram o maior crescimento no mercado norte-americano, o segundo que mais pesa nas vendas ao exterior.


Apesar dos riscos de travagem (e mesmo de recessão) nos Estados Unidos, que pode ter efeitos a nível mundial dada a dimensão e o papel da economia norte-americana à escala global, não é possível antecipar qualquer efeito nas trocas comerciais entre os dois países.


Pelo contrário, no que às exportações diz respeito, o momento é positivo: as vendas de bens para os Estados Unidos (EUA) rondaram os 1,46 mil milhões de euros entre janeiro e abril, mais 37,6% do que no período homólogo, segundo dados do INE. São mais cerca de 400 milhões em exportações (dados nominais).


Mas considerando o ano terminado em abril, a subida é ainda mais expressiva - 41,6% - e a maior entre os mercados importa dores de bens portugueses, acrescenta uma análise do Gabinete de Estudos Económicos (GEE), do Ministério da Economia.

Por outro lado, os dados do INE mostram que o montante de vendas é também bastante superior ao registado no mesmo período de 2019, antes da pandemia de covid-19. Entre janeiro e abril desse ano, foram vendidos aos Estados Unidos cerca de 964 milhões de euros em bens.


Os dados mostram que os bens com maior peso nas vendas aos Estados Unidos são os produtos minerais (em que se incluem os combustíveis refinados). Nesta componente foram exportados 304,5 milhões de euros (cerca de 20% do total) entre janeiro e abril deste ano, mais 37% do que no mesmo período de 2021.


A indústria de metais, com um peso de 9% no grupo das vendas aos EUA viu as exportações mais que duplicarem entre janeiro e abril deste ano face ao mesmo período do ano passado, para 136 milhões de euros. Mas apesar de estar em alta, a indústria não parece estar preocupada para já com uma potencial perda de procura dos Estados Unidos.


A Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), que falou recentemente ao Dinheiro Vivo, mostrou-se mais preocupada com os efeitos da guerra na Ucrânia, da inflação e do aumento e falta de matérias-pri- mas. A AIMMAP teme que estes fatores venham a condicionar as vendas ao exterior nos próximos meses. A falta de mão de obra é outra das grandes preocupações.

Importações duplicam


O cenário também é, para já, positivo nas importações. Segundo os dados do INE, as importações de bens aos Estados Unidos mais que duplicou entre janeiro e abril deste ano, quando comparado com o período homólogo do ano passado. Agora, as importações representaram cerca de 1,12 mil milhões de euros, quando nos mesmos quatro meses de 2021 custaram 547 milhões.


Contas feitas, Portugal tem um saldo comercial positivo com os Estados Unidos de cerca de 340,5 milhões de euros (ainda assim inferior ao registado entre janeiro e abril do ano passado).


Segundo uma análise do GEE publicada no final do ano passado, abalança comercial de mercadorias entre Portugal e os Estados Unidos esteve a engordar desde 2011 até 2017 tendo recuado para cerca de 1,5 mil milhões de euros e mantendo-se mais ou menos assim até ao final de 2021.


Segundo o INE, os EUA foram o quarto cliente das exportações portuguesas de bens em 2021, com uma quota de 5,6% no total. A economia norte-americana ocupa a nona posição ao nível das importações (2,4%). Ao longo do período 2017-2021 verificou-se um crescimento médio anual das exportações de 6,9% e de 22,3% nas importações. As contas são do AICEP, com base no INE.

4.0
CLIENTE
Os Estados Unidos foram o quarto principal cliente das exportações portuguesas em 2021. Entre 2017 e 2021, as exportações para o país cresceram em média 6,9%.

340,5
BALANÇA COMERCIAL POSITIVA
Portugal exporta mais mercadorias para os EUA do que importa e, por isso, até abril, tinham um saldo da balança comercial positivo de 340,5 milhões de euros.

EXPORTAÇÕES PARA A RÚSSIA DESCEM MAIS
Variação das exportações por destino, ano acabado em abril, em percentagem
Segundo o GEE, as exportações para os Estados Unidos, seguindo-se os Países Baixos e Angola, foram as que mais subiram em termos homólogos. As vendas para a Rússia, Marrocos e Suíça foram as que mais caíram.

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