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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Números são influenciados pela falta de garrafas, rótulos e transportes no primeiro semestre, diz o presidente da ViniPortugal, que alerta para o facto de, excluído o vinho do Porto, os dados estarem já em terreno positivo.

As exportações nacionais de vinho recuaram 0,85% no mês de julho, para um total de 82 milhões de euros. No acumulado dos primeiros sete meses, o setor regista uma quebra de 1,34% para quase 514 milhões de euros. São 6,9 milhões de euros a menos do que em 2021. Mas o preço médio está a crescer 2,41% para 2,78 euros o litro. O presidente da ViniPortugal mostra-se confiante na capacidade de inversão do setor até ao final do ano.

 

"Vemos com alguma preocupação esta quebra, depois de vários anos de crescimento consecutivo. No entanto, esta quebra era esperada pela falta de garrafas, rótulo e contentores que se fez sentir no primeiro semestre", diz Frederico Falcão. E acrescenta: "Temos forte esperança que os valores se invertam e se tornem positivos até ao final do ano".

Os dados são do Instituto Nacional de Estatística e mostram que, entre janeiro e julho, as empresas portuguesas exportaram 185,1 milhões de litros de vinho no valor de 514 milhões de euros, o que representa uma quebra, em volume, de 3,66% e os já referidos 1,34% em valor.

 

Em termos de mercados, Portugal perde em quase todos os seus principais mercados, mas nos EUA, que ascendeu a principal destino das exportações de vinhos português, há uma perda em volume (-11%), mas um crescimento em valor (+1,28%), realidade que acontece também no Canadá (-4% em quantidade, mas mais 6,91% em valor). Significa isto que o preço médio nos Estados Unidos cresce 13,85%, comparativamente ao período homólogo, para 4,15 euros por litro e, no Canadá, aumenta 11,28% para 4,02 euros. Os EUA compraram quase 66 milhões de euros e o Canadá 31,7 milhões.

No Top 10, destaque ainda para a recuperação do mercado angolano, que cresce 52% em volume e 63,4% em valor, passando de 12,9 para 21,1 milhões de euros. Mas o preço médio, que até cresceu 7,5%, é de 1,27 euros por litro exportado.

França, Reino Unido e Brasil são outros mercados fundamentais para Portugal, e que, embora estejam a perder em quantidade e em valor, registam crescimentos do preço médio: + 1,16% em França para 2,68 euros, + 2,10% no Reino Unido para 3,10 euros e + 6,36% no Brasil para 2,89 euros por litro.

 

E este é um dos fatores destacados pelo presidente da ViniPortugal, que lembra que o objetivo do país "é precisamente aumentar as exportações assente no crescimento do preço médio".

 

Frederico Falcão refere ainda que, sem a influência do Vinho do Porto, "os resultados são positivos em valor e em preço médio". Efetivamente, os dados mostram que as exportações de Vinho do Porto recuaram 4,68% entre janeiro e julho para 157,9 milhões de euros. Sem esta denominação, as exportações totais de vinhos portugueses caíram 2,5% em volume para 155 milhões de litros, mas cresceram 0,22% em valor, num total de 356 milhões de euros. O preço médio, sem vinho do Porto, cresce 2,79% para 2,3 euros o litro.

 

A segunda denominação de origem mais exportada, o Vinho Verde, está em linha com o ano passado (+0,04%), num total de 51,8 milhões, e os vinhos do Alentejo, que encerram o Top 3, estão a crescer 13,7% para 44 milhões de euros. Nas subidas, destaque ainda para o Dão (13,95%), Madeira/Moscatel (16,3%) e Bairrada (27,46%). Os vinhos do Douro caem 2,31% e Lisboa e Península de Setúbal perdem 4,7% e 13,1%, respetivamente.

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