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CABEÇALHO

As tensões comerciais com a China perduram, mas isso não deverá significar o abrandamento do crescimento do PIB norte-americano no primeiro trimestre de 2019, face aos últimos três meses do ano passado. Os analistas do ING salientam até que os EUA se encontram numa boa posição “para extrair concessões” aos chineses.

A segunda leitura do crescimento da economia norte-americana no primeiro trimestre do ano, que será divulgada esta quinta-feira, deverá confirmar que a maior economia mundial tem (por enquanto) capacidade para aguentar as consequências da guerra comercial com a China, que se iniciou no ano passado.

 

No contexto das tensões comerciais, os analistas do banco de investimento holandês ING destacam a “posição de força dos Estados Unidos”. No entanto, salientam que, embora se tenha registado um arrefecimento na manufactura, “o mercado de trabalho está a ter um bom desempenho com o desemprego em mínimos de cinquenta anos e com os trabalhadores a terem melhores salários”.

 

Investimento público e exportações suportam expansão do PIB

 

Segundo a estimativa rápida apresentada pelo National Income and Product Accounts, citada pelo Bureau of Economic Analysis (BEA), o PIB norte-americano terá crescido 3,2% nos primeiros três meses de 2019. A confirmar-se, a economia dos EUA cresceu 1% em cadeia (2,2% no último trimestre de 2018) e trata-se da terceira maior expansão trimestral em cadeia da economia desde o segundo trimestre de 2018.

 

Segundo os dados da BEA, o crescimento do PIB norte-americano terá sido suportado, em primeira linha, pelo investimento a nível estadual e local em infraestruturas, que subiu 3,9% em cadeia e representou 10,7% do PIB, medido em dólares.

Destaque também para o aumento das exportações inserido no contexto da guerra comercial. As exportações cresceram 3,7% em cadeia, sendo sobretudo impulsionadas pelas exportações de bens, o indicador que mais subiu no período em análise (4,7%  em cadeia).

 

“A aceleração das exportações reflectem primariamente a subida em produtos alimentares e bebidas, além de, no setor automóvel, motores e componentes”, explica a BEA.

 

As importações, que constituem uma subtração no cálculo do PIB, caíram 3,7% em cadeia, mas, em dólares, ainda têm um peso maior do que as exportações na economia (14,9%).

 

O consumo, apesar tendência de crescimento a um ritmo mais baixo dos salários, cresceu 0,8% em cadeia, o crescimento mais lento desde o segundo trimestre de 2018.

 

A confirmar-se a expansão do PIB em 3,2%, a economia norte-americana materializa a tendência positiva, “enquanto o resto do mundo arrefece”, salientam os analistas do ING. Entre os sete blocos económicos analisados – EUA, Zona Euro, Canada, Reino Unido, México, Japão e China – apenas a economia norte-americana cresce consecutivamente desde o primeiro trimestre de 2017, com uma ligeira perda no quarto trimestre do ano passado. Por seu turno, a economia chinesa tem caído desde o final do primeiro trimestre de 2018.

 

Desta forma, os analistas do ING estimam que os “EUA estão numa boa posição para extrair concessões da China”.

 

Tensões comerciais vão prolongar-se e podem penalizar crescimento 

 

Os analistas do ING antevêem que as tensões comerciais irão perdurar, embora se mostrem confiantes na celebração de um acordo comercial entre as duas maiores economias mundiais. Ainda assim, mostram-se “céticos” quanto à possibilidade de um acordo ser alcançado na próxima cimeira do G-20, que se realizará no fim de junho, em Osaka, no Japão.

 

Neste cenário, no qual “a incerteza penaliza o apetite para contratar novos empregados e o investimento”, o ING estima que no segundo trimestre de 2019, o PIB norte-americano deverá crescer 1,3%.

 

Em 2019, de acordo com os dados avançados pela Federal Open Market Committee (FOMC) em março deste ano, a projeção é que a maior economia do mundo cresça 2,1%, abaixo dos 3% registados em 2018. Para 2020 e 2021, a FOMC antecipa o abrandamento do ritmo de crescimento do PIB norte-americano, que deverá creescer 1,9% e 1,8%, respectivamente.

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