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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A transição de motores de combustão interna para veículos elétricos tem um papel importante à escala global na moderação das alterações climáticas causadas pelo homem. No entanto, essa transformação não irá acontecer de forma súbita, mas gradualmente - e isso faz sentido ecologicamente. Em muitos mercados, incluindo a China, Índia, EUA e Alemanha, os veículos elétricos não são necessariamente benéficos para o clima atualmente e a médio prazo.

Na realidade, podem causar até mais 30 por cento de emissões de CO2 do que os motores de combustão. Este é o resultado de uma extensa avaliação de mercado conduzida pela SEG Automotive, um dos principais fabricantes globais de componentes automóveis. Esta análise encontra-se agora disponível na forma de um whitepaper.

 

Com que rapidez a eletromobilidade se irá estabelecer e quais os fatores que irão abrandá-la? Quão amigos do ambiente são hoje os veículos elétricos quando comparados com veículos com motores convencionais? Qual é o ponto da situação na ótica do consumidor? E quais as soluções disponíveis a curto prazo para reduzir significativamente as emissões de CO2, mesmo antes do progresso da eletromobilidade? Essas questões são abordadas num novo whitepaper da SEG Automotive – Transformation of the powertrain – a balanced view of the technologies, que fornece uma visão detalhada do status quo e do desenvolvimento do mercado a nível mundial, bem como de regiões-chave como a China e os EUA, com base em fontes de informação independentes.

 

Equilíbrio do CO2: Por que motivo veículos elétricos nem sempre valem a pena

A eletromobilidade está a atravessar uma fase de crescimento exponencial - as vendas em 2017 aumentaram em 78 por cento comparativamente com 2016, para 668.000 veículos elétricos (EVs) a nível global. No entanto, a sua quota de mercado no que concerne os novos registos em 2017 foi de apenas 0,8 por cento.

 

Nas circunstâncias certas, os veículos elétricos já contribuem significativamente para a prevenção das alterações climáticas. Em países que geram apenas uma pequena proporção da sua energia a partir de combustíveis fósseis (por exemplo, França ou Noruega), um EV economiza mais de 50 por cento das emissões de CO2 ao longo de todo o seu ciclo de vida, quando equiparado a um motor de combustão eficiente. Em muitos mercados automóveis chave, como os EUA, a Índia, a China e até a Alemanha, a produção de eletricidade é muito menos limpa – ao ponto de veículos elétricos puros ou veículos híbridos plug-in (PHEVs) apenas fazerem sentido até certo ponto de utilização ou apresentando mesmo um impacto negativo nas alterações climáticas a longo prazo, quando comparados com um motor de combustão eficiente.

 

Globalmente, em 2017, apenas 26 por cento da energia teve origem em fontes renováveis. Mesmo em 2040, de acordo com as previsões atuais, apenas 31 por cento da procura mundial de eletricidade será satisfeita por energias renováveis – resultando este cenário na mera transferência das emissões de CO2 do motor do veículo para uma central energética convencional/fóssil.

  

Perspetiva do consumidor: Veículos elétricos são significativamente mais caros

Os custos superiores de aquisição dos EVs são amortizados numa extensão limitada. Em última análise, um EV custará ao condutor 5 cêntimos a mais por quilómetro ao longo da sua vida útil - além de um valor de revenda incerto nas condições atuais dos mercados.

 

EVs e PHEVs têm um custo total de posse muito superior

  

A nível global os EVs e veículos com motores de combustão enfrentam diversos desafios quando se trata de restrições de condução: limitações de autonomia, tempos e infraestruturas de recarga continuarão a impedir muitos consumidores de comprar um EV a curto prazo. Por outro lado, os veículos com motores de combustão interna já estão sujeitos a proibições ocasionais de condução ou restrições de registo (maioritariamente em ambientes urbanos), que se mostram bastante eficazes no influenciar do comportamento de compra quando implementados.

 

De entre essas escolhas imperfeitas, muitos consumidores optarão por um motor de combustão, desde que lhes pareça a melhor solução para as suas necessidades individuais de mobilidade. De acordo com as previsões actuais, 85 por cento dos automóveis de passageiros continuarão a ser produzidos com um motor de combustão interna em 2025. Neste sentido, as emissões de CO2 destes veículos devem ser mantidas tão baixas quanto tecnicamente possível.

 

As baterias constituem uma restrição para o EV’s

Avanços adicionais ao nível da tecnologia das baterias são fundamentais, já que estas limitam significativamente os EV’s em variados aspetos:

- Custos de produção adicionais significativos (cerca de 200 USD por kWh de capacidade);

- Elevadas emissões durante a produção de baterias (150 - 200 kg por kWh de capacidade) - uma desvantagem difícil de compensar ao longo de todo o ciclo de vida;

- Matérias-primas raras com preços em alta acentuada, parcialmente extraídas em regiões em crise (por exemplo, o cobalto);

- Restrições de entregas que atrasam projetos (por exemplo: Hunday Ioniq Electric);

- Autonomia limitada desencoraja potenciais compradores.

 

Tecnologia híbrida 48V como alternativa viável

Nos países cuja maior parte da sua eletricidade tem origem em combustíveis fósseis, um híbrido de 48V constitui a solução mais amiga do ambiente, não só atualmente mas também a longo prazo.

  

O alternador convencional é substituído por uma Boost Recuperation Machine de 48V (BRM). Recorrendo à tecnologia de recuperação da força de travagem, familiar à Fórmula 1, o BRM permite uma redução do consumo de combustível de até 15 por cento, o que será indispensável para atingir as metas de emissão de CO2 a curto e médio prazo.

 

Esta solução também se mostra benéfica para os consumidores – contrariamente aos EVs e PHEVs, os custos adicionais de 48V são amortizados através da poupança de consumo combustível.

 

Mercados-chave: a China lidera o caminho

A China estabeleceu-se como o maior mercado automóvel do mundo, sendo também líder em termos de vendas de veículos elétricos. Com um leque abrangente de medidas (subsídios, proibições locais para a circulação de motores de combustão convencional, metas de CO2), o Governo em Pequim continua a promover ativamente essa transformação. Contudo, na China, 70 por cento da eletricidade provem do carvão, e por isso os veículos elétricos mantêm as cidades limpas de emissões, mas ainda não contribuem significativamente para a proteção do clima e níveis de emissão global de CO2 para a atmosfera.

 

À semelhança do exposto anteriormente, os restantes mercados-chave (EUA, Europa e Índia) também se debatem com o mix energético. A mudança para os veículos elétricos progride ainda mais lentamente nestes países. Os EUA e a Europa, em particular, correm o risco de perder o seu papel de liderança na indústria automóvel.  

 

Nestas regiões, torna-se igualmente visível que as atuais metas de CO2 só podem ser cumpridas se as emissões dos motores de combustão convencionais forem reduzidas drasticamente. As tecnologias de 48V e start-stop têm, neste sentido, um papel importante a desempenhar.

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