NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O financiamento será aplicado na otimização da estrutura de capital do portfólio eólico de 1 GW a longo prazo.

Em comunicado, o ING Bank informou esta quinta-feira que participou no financiamento de 800 milhões de euros do Finerge Renewables Group Europe, uma carteira eólica portuguesa detida pela First State Investments (FSI), cliente da instituição financeira global com forte presença na Europa desde 2015.

 

O Grupo Finerge detém 508 torres eólicas instaladas nos 43 parques eólicos que explora (com uma capacidade instalada de 908,1 MW, produzindo cerca de 2,12 TW/h por ano) e com os quais reduz a emissão de 844 toneladas de CO2 e é o segundo maior produtor de energia eólica em Portugal, com uma capacidade instalada e operacional de cerca de 1GW. Nesta operação, o ING Bank atuou como “Mandated Lead Arranger” e “Swap Arranger” (cobertura de risco) na operação.

 

O financiamento será agora aplicado na otimização da estrutura de capital do portfólio eólico a longo prazo. Com este financiamento, o Grupo Finerge obtém a flexibilidade financeira necessária para promover o crescimento orgânico e inorgânico, tanto em tecnologias alternativas renováveis, como noutros países europeus. Além do banco holandês, a Finerge conta também com o apoio de um grupo diversificado de entidades, tais como instituições financeiras e investidores institucionais, nacionais e internacionais.

 

Fundada em 1996, a Finerge opera na área da construção, manutenção e gestão de instalações eólicas, e tornou-se líder no desenvolvimento sustentável através de diferentes instalações de produção de energia limpa.

 

Eduardo Camino, CFO da Finerge, explica que “este acordo de financiamento resulta da confiança depositada pelas instituições financeiras no modelo de negócio do grupo, que engloba um plano de expansão ambicioso, sustentado numa base de ativos renováveis de alta qualidade, assim como numa equipa de gestão, com vasta experiência no setor”.

 

Apesar de Pedro Norton de Matos, CEO da Finerge, a segunda maior operadora em eólicas em Portugal, com mais de mil milhões investidos no país, ter alertado recentemente para o perigo dos investidores internacionais fugirem de Portugal na sequência do relatório preliminar da comissão parlamentar de inquérito às rendas excessivas de energia, a empresa anunciou recentemente que assinou “um acordo com 12 instituições de dimensão mundial, com vista ao financiamento do grupo. Os mais de 700 milhões de euros assegurados nesta operação, irão permitir acelerar o crescimento da Finerge, em Portugal e no estrangeiro”, informou a empresa em comunicado.

 

A empresa fatura anualmente mais de 170 milhões de euros, com um investimento de mais de 1,2 mil milhões de euros, em Portugal. “Esta plataforma financeira, agora constituída, agrega sob um único acordo, as vantagens e a flexibilidade de diferentes modalidades financeiras como: empréstimos de longo prazo, emissão de títulos, project finance estruturado. As instituições financeiras que estão a apoiar esta operação são: ING, Santander, DWS, BNP Paribas, IFM Investors Pty, BBVA, Novo Banco, KommunalKredit, Generali, Schroders, SMBC, Bankinter”, explica o documento.

 

Com este acordo, a Finerge assegurou um financiamento de 706 milhões de euros e mais 92 milhões de euros em linhas de crédito. De acordo com a operadora de energia eólica, “esta operação de financiamento, com uma estrutura inovadora, é a maior alguma vez montada na Europa destinada a uma plataforma eólica onshore”.

 

“O acordo responde aos objetivos ambiciosos de crescimento da Finerge e demonstra a confiança que as instituições financeiras têm no business plan da empresa. O perfil de risco do grupo, a qualidade da equipa e dos ativos existentes, a capacidade demonstrada na seleção e a gestão de novas oportunidades, mereceu uma consideração positiva do mercado e conseguimos que financiadores com perfis muito diferentes e provenientes de diversos países, se juntassem ao projeto”, disse Pedro Norton, CEO da Finerge, no mesmo comunicado, acrescentando que “a plataforma não só aumenta a maturidade da dívida em condições mais favoráveis, como foi desenhada para providenciar a flexibilidade necessária para suportar os investimentos do grupo em aquisições e no desenvolvimento de novos projetos em Portugal e por toda a União Europeia”.

 

O empréstimo cumpre os critérios inscritos nos Green Loan Principles 2018, e foi certificado como “Empréstimo Verde”, em conformidade com a política de sustentabilidade do grupo.

 

Numa intervenção recente na conferência “O Desafio da Transição Energética”, que decorreu em Lisboa, o CEO da Finerge lembrou que há dois anos a maior parte dos projetos eólicos quase entrou em default, à conta de tentações de mudar retroativamente regras estabelecidas. “Se isso tivesse acontecido, os investidores que queremos ver a entrar nos leilões de junho tinham todos desaparecido. Boa parte dos financiadores – grandes bancos internacionais – também teria deixado de nos apoiar. Esta vontade masoquista de estar sempre a questionar o passado é a pior maneira possível de discutir metas para o futuro. Espanha, por exemplo, atravessou um deserto de investimento de seis ou sete anos por ter caído na tentação de reverter leis.”

 

Lidando de perto com os grande investidores internacionais, o CEO avisou que nem é preciso chegar a fazer alterações legislativas, como sugere o relatório preliminar do deputado do BE Jorge Costa.”Cada vez que se fala publicamente nestas ideias peregrinas [aumenta a perceção de risco para o país. Os investidores pedem logo mais retorno ou vão investir para outro país. Se apostam cá partem do pressuposto de que as regras são para cumprir. Portugal não é o único com metas e a precisar de financiamento”, diz o CEO da Finerge.

 

Fundada em 1996, a Finerge é o segundo maior produtor de energia renovável em Portugal e tem atividade nos vários níveis da cadeia de valor, desde a fase de conceção e desenvolvimento de projeto, passando pela construção até à exploração de centrais.

 

Wafaa Ermilate, responsável do ING pelos investimentos em ativos de infraestruturas e energia renovável em Portugal e Espanha afirma: “estamos muito satisfeitos por poder apoiar o Grupo Finerge e o seu acionista FSI neste financiamento, que irá contribuir para reforçar a sua liderança no setor das energias renováveis, no mercado português e europeu. Mais uma vez, o nosso conhecimento alargado do mercado e das necessidades dos nossos clientes, juntamente com os nossos produtos inovadores, permitem-nos manter a liderança no financiamento sustentável”.

 

O ING tem como objetivo continuar a promover e a financiar a mudança para uma economia sustentável. Desta forma, para apoiar os seus clientes nesta transformação sustentável, o Banco disponibiliza produtos inovadores, como o sustainable improvement loan, vinculado ao comportamento e plano das empresas nesta área.

Partilhar