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CABEÇALHO

João Correia Neves nega a existência de "uma situação negativa" na indústria do vestuário, mesmo com as associações a falarem em encerramento de fábricas e perigo de dependência de um só mercado.

As associações do têxtil e do vestuário têm vindo a manifestar preocupação. Falam de encerramento de fábricas, da perda de quota de mercado em Espanha e do perigo da dependência de um só mercado e de um só cliente. Mas, para o secretário de Estado da Economia, João Correia Neves, estes receios não chegam para assombrar o setor. “Não estamos, de todo, com uma situação negativa na área do vestuário e no setor têxtil”, afirma.

 

A Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) denunciou o facto de a Inditex estar a colocar progressivamente menos encomendas em Portugal. Em declarações Jornal de Negócios (acesso pago), Paulo Vaz disse que a situação está a “pôr em dificuldades algumas empresas que tinham grande dependência, se não total”.

 

Confrontado com estas declarações, o secretário de Estado da Economia diz que Portugal tem tido uma “estabilização daquilo que são as relações com Espanha”. “As exportações são muito equilibradas em relação aos anos anteriores e, portanto, não há nenhum decréscimo significativo”, refere João Correia Neves.

 

As exportações do setor têxtil e vestuário português para Espanha terminaram 2017 com uma quebra de 3,9% (ou 68 milhões de euros), para perto de 1.700 milhões de euros, mas aquele país continua a liderar o ranking dos principais destinos, com uma quota de 31,9% (em 2016 este peso chegou aos 34%). Uma liderança que se manteve no ano seguinte, mas com uma nova quebra. Espanha tinha uma quota de 31,9%, mas registou uma queda de 3,9%, ou seja, menos 68 milhões de euros face ao ano anterior. Ou seja, o mercado espanhol registou dois anos consecutivos de quebra.

 

Ainda que admita que é preciso ter “prudência” quando se discute temas relacionados com as grandes companhias que compram produtos em Portugal, apontando como exemplo a Inditex, o secretário de Estado diz que “se, eventualmente, há decréscimo de uns compradores, há aumento de outros”.

 

Sobre o grupo espanhol, João Correia Neves afirma, contudo, que a Inditex é “muito importante” para Portugal “e para as empresas nacionais”. Mas, quando questionado se já houve alguma reunião entre o Governo português e a empresa espanhola, tal como o ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, anunciou perante a Comissão Parlamentar da Economia, para acompanhar esta situação, o secretário de Estado não respondeu.

 

O objetivo era “perceber quais são os seus planos” e como as empresas se podem “preparar para os próximos tempos”, disse Siza Vieira, na altura, mostrando vontade de se envolver pessoalmente no caso. Apesar das insistências do ECO, o Ministério da Economia não revela se essa reunião já aconteceu.

 

Dois meses depois da denúncia do problema, em março, Paulo Vaz, diretor-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) colocou água na fervura e frisou, em declarações à Lusa, que “a Inditex não irá abandonar nunca Portugal, porque vai necessitar da produção de proximidade e do conjunto de competências que lhe trazemos, nomeadamente no design, no desenvolvimento de materiais e na rapidez de resposta”. “Mas aquela dimensão e intensidade que tinha no passado vai restringir-se por questões de preço”, disse.

 

O presidente da Inditex, Pablo Isla, confirmava-o. “Para nós, a produção de proximidade em Portugal, Espanha e Marrocos é importantíssima para a essência do negócio e para a qualidade da confeção, independentemente de qualquer questão ou quebra pontual em determinada campanha”, disse, durante a apresentação dos resultados de 2018 do grupo, na Corunha.

Nuvens a pairar? Secretário de Estado prefere falar de “boas notícias”

 

No início do ano, o líder do grupo Valérius, José Manuel Vilas Boas Ferreira, referiu, em entrevista ao ECO, que “há uma nuvem a pairar sobre o setor [têxtil]”. “Neste momento não está tudo bem, sabemos que há aqui um problema. Sabemos quais as empresas que estão mais preparadas. Houve clientes que tiraram as encomendas de Portugal, havia empresas que estavam preparadas e os clientes de um momento para o outro retiraram. Não posso dizer nomes, mas os clientes que estão a desmobilizar são muito importantes para a nossa fileira têxtil”, explicava.

 

João Correia Neves vê, contudo, a situação no setor têxtil com melhores olhos e espera, até, “boas notícias”. “Estamos muito confiantes de que vamos ter capacidade de continuar a crescer em diversos mercados. As empresas estão muito confiantes daquilo que são os resultados para este ano nas exportações. Penso que vamos ter boas notícias do ponto de vista do clima económico do primeiro trimestre”, diz.

 

Os dados oficiais mostram que, nos primeiros dois meses do ano, as exportações do setor (têxtil e vestuário) cresceram 1,1% face ao período homólogo, com os têxteis a mostrarem maior dinamismo (subida de 3,2%), seguido do vestuário (progressão de 0,4%), com destaque para o vestuário de malha, que cresceu 1,3%.

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