NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A maioria dos investidores globais continua à procura de oportunidades de negócio, apesar da expetativa de quebra de receitas nas suas ‘portfolio companies’ e de um regresso ao normal apenas em 2021. As conclusões são de um inquérito global à forma como a COVID-19 teve impacto nas empresas de capital de risco e nas previsões e estratégias dos investidores realizado pela Mazars, empresa internacional de auditoria e consultoria.

O inquérito Covid-19 and the world of private equity, que revela as preocupações e mede a perceção do otimismo sobre o futuro, foi realizado a mais de 150 investidores na Europa, América e Ásia, revela ainda que a maioria considera que o trabalho a partir de casa permite concretizar os negócios, indicando uma boa adaptação ao novo ambiente laboral.

 

“Os resultados do inquérito revelam que os investidores estão abertos ao negócio, mas que os tempos ainda são desafiantes. Ao mesmo tempo que aparentemente as saídas serão adiadas, muitos dos fundos existentes têm alta liquidez e continuam à procura de novos negócios e ‘bolt-ons’ para as ‘platform companies’”, comenta Stéphane Pithois, Global Head of Corporate Finance da Mazars.

 

“À medida que o mundo dos negócios volta lentamente ao trabalho, é tranquilizador observar uma clara noção de otimismo e resiliência dos fundos de capital de risco”, acrescenta.

 

Redução das previsões de receitas

O estudo revela que 50% dos inquiridos espera uma descida entre os 11% e os 25% nas receitas das empresas que fazem parte do seu portefólio nos próximos 12 meses e quase um quarto (22%) antecipa uma quebra entre os 26% e os 50% durante o mesmo período. Os fundos de maior dimensão são, na generalidade, os mais otimistas, com quase metade a responder que espera uma quebra de menos de 10%, talvez assinalando que o otimismo comercial é uma questão de escala.

 

Trabalhar remotamente

Quase 88% dos investidores e empresas de capital de risco inquiridos afirma ser possível finalizar os negócios trabalhando a partir de casa, mas 74% admite que ao fazê-lo o desafio é maior. A correlação entre o tipo ou tamanho do fundo e o impacto esperado na capacidade de finalizar os negócios é pequena, indicando que os fundos existentes no mercado se adaptaram bem ao novo ambiente de trabalho.

 

Foco nos próximos 12 meses

Perto de 45% dos inquiridos afirma que novas oportunidades e aquisições nas ‘platform companies’ e “bolt-ons” serão o seu foco no próximo ano, enquanto 24% dizem que não haverá alterações na sua estratégia em resposta à COVID-19. E 79% dos inquiridos afirma que o timing de saída para as suas empresas de portfólio será atrasado.

 

Antecipando o ‘business as usual’

Quando questionados sobre a perspetiva de regresso à normalidade, apenas um em cada cinco dos inquiridos (22%) aponta o terceiro trimestre de 2020, enquanto 14% prevê que tal aconteça no quarto trimestre e 61% revelou-se mais cauteloso, afirmando esperar melhoras em 2021. Apenas 4% diz que as condições de negócio normais regressarão ainda este trimestre. Segundo 82% dos inquiridos a recuperação terá a forma de “U”, a forma de “V” de acordo com 10% e, de acordo com 8%, seguirá uma trajetória diferente.

 

Resposta mista às medidas governamentais

Apenas metade dos que foram questionados (51%) pensa que o seu governo respondeu de forma adequada à situação. No entanto, quase um terço (31%) diz ser muito cedo para avaliar esta situação.

 

Oportunidades na crise

Apesar do impacto financeiro da pandemia, 44% afirma que ainda não vislumbrou oportunidades na crise, o que é provavelmente um indicador do modo como as iniciativas governamentais estão a ajudar a prevenir que os negócios procurem medidas de insolvência a curto prazo. Dois terços dos inquiridos (66%) afirmam que estariam interessados em oportunidades de crise, indicando que os investidores estão dispostos a olhar para além dos seus critérios habituais no atual ambiente ou encorajaram as suas empresas de portfólio a serem oportunistas na sua estratégia de aquisição.

 

“Olhando para o futuro, é provável que haja uma maior competição por ativos de qualidade e uma possível desaceleração em termos do fluxo de negócio. Os investidores que se conseguirem diferenciar e mover-se rapidamente posicionam-se para ganhar a vantagem”, acrescenta Stéphane Pithois sobe os resultados do estudo.

Partilhar