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Com passaporte de Singapura a São Francisco, as 10 empresas escolhidas para integrar o programa de aceleração da Techstars e da Semapa pisaram o palco da Fundação Champalimaud para conquistar mais investidores. “Ao trazer uma aceleradora internacional e startups de todo o mundo melhorámos muito o ecossistema em Portugal”, diz Ricardo Pires, CEO do braço de capital de risco da Semapa.

Cinco ou seis minutos para agradar, pelo menos, um investidor internacional. Foi em contrarrelógio que as 10 startups que já conquistaram a portuguesa Semapa e a aceleradora norte-americana Techstars tiveram a missão de encantar o público mais difícil: a audiência.Do “Waze dos perdidos e achados” à plataforma de inteligência artificial que controla florestas, as empresas escolhidas pela dupla Semapa-Techstars apresentaram esta quarta-feira as suas soluções e modelos de negócio na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

 

O auditório estava cheio, a plateia efusiva – como é comum nos “Demo Days” – e os cartões e cocktails na mesa prontos para fazer mais negócios depois dos pitchs. No palco, startups dos Estados Unidos, de Singapura ou da Austrália falaram dos seus projetos de mobilidade, logística, sustentabilidade ou turismo. As empresas selecionadas tiveram oportunidade de receber investimento e de participar num bootcamp de 13 semanas que finalizou com este derradeiro dia das demonstrações a investidores.

 

“Ao trazer uma aceleradora internacional e startups de todo o mundo melhorámos muito o ecossistema em Portugal.

 

Envolvemos executivos, o que permitiu ao grupo aproximar-se destas novas tendências. Tem de haver cada vez mais atenção para o que estas empresas estão a fazer e a tentar realizar”, afirma o CEO da Semapa Next ao Jornal Económico.

 

O braço de capital de risco da Semapa tem cerca de 40 milhões de euros para investir diretamente em startups com alguma maturidade. Para as mais bebés, que estão nas rondas de financiamento inicial [seed], o grupo industrial português coloca capital em fundos como o da Armilar ou o da Alter VC.

 

Ricardo Pires explica que é na altura em que estas empresas começam a mostrar resultados, com produtos concretos e vendas, que a Semapa investe diretamente, uma vez que o seu “ADN” está mais ligado a rondas de financiamento entre pré-série A a B, por exemplo. “Sentimos que existe dinheiro, fundos e oportunidades de investimento no mercado nacional para seed e early stage, para uma fase mais embrionária, mas há alguma lacuna quando começamos a falar de rondas de milhões de euros, onde não existem fundos nem corporate VCs a apostar”, refere.

 

Apesar de não revelar o montante desse ‘bolo’ de 40 milhões de euros que já foi gasto, Ricardo Pires garante que ainda existe disponibilidade financeira para investir em mais startups. “Vamos continuar a fazer este caminho, que também é de aprendizagem. Investir em startups é diferente de investir em negócios tradicionais e, portanto, queremos estar aqui para o médio e longo prazo”, assegurou, em declarações ao jornal.

 

O que vieram as startups estrangeiras mostrar a Lisboa?

 

A francesa EVA, criada por Olivier Le Lann, trouxe um ‘avião’ na mala. A empresa opera no setor do transporte aéreo e tem pequenas aeronaves, de carbono e com IA incorporada, capazes de serem monitorizadas através da aplicação e levar medicamentos e mercadorias do ponto A ao ponto B. O aparelho deste ‘Glovo dos céus’, uma vez que pode ter vários sensores, pode ser utilizado como mecanismo de deteção de incêndios.

 

Já a Chipolo é o “Waze dos perdidos e achados”, conforme apelidou Jorge Bravo, da Food Tec. Entre pulseiras, relógios, carteiras ou computadores, a empresa acha que “todos perdemos coisas”. “As famílias norte-americanas gastam aproximadamente 2,7 mil milhões de dólares a repor todos os bens que perdem”, exemplificou o CEO. Através da aplicação que desenvolveu e dos chips que criou, os objetos podem ser encontrados no mapa.

 

De Silicon Valley para a Avenida Brasília, Hugh Geiger apresentou a menina dos seus olhos: a Verbz. “Todos os dias os empresários dizem frases como «Dou-te uma resposta quando chegar ao escritório» e 70% dos executivos passa tempo em reuniões. Isto afeta a produtividade”, defende. Com a missão de evitar o burnout ou o stress de uma agenda preenchida, a aplicação sincroniza a agenda dos colaboradores, cria tarefas e delegá-as consoante o trabalho que os funcionários têm em mãos, priorizando o trabalho a executar – i.e. integra com apps como o Gmail, softwares como SAP ou Salesforce, calendário pessoal, entre outros sites.

 

Jacinta, que representa a liderança no feminino desta dezena de startups, mostrou a sua Seek Sophie, um projeto que visa facilitar as viagens de aventura – um mercado que vale 55 mil milhões de dólares –, torná-las mais baratas por interligar com operadores turísticos locais da Ásia, cuja maioria (80%) está offline e sem recursos para marketing digital.

 

A TagSpace, de Paul Martin, quis divulgar novidades em Lisboa. A partir desta quinta-feira, os utilizadores do Lisboa Secreta podem visitar a capital portuguesa através da app da TagSpace – que funciona através de Realidade Aumentada – e ter descontos em entradas de museus e outros monumentos. No fundo, a aplicação pretende tornar o telemóvel “numa janela” interativa. No radar estão essencialmente os festivais, um mercado que movimenta milhares de milhões de euros em todo o mundo, e os grandes eventos. “A melhor experiência que se dá aos clientes é através do mobile”, disse Luís Araújo, da Turismo de Portugal.

 

A única aluna portuguesa desta turma era a 20tree.ia. Fundada por dois holandeses e liderada por Indra den Bakker, que se mudou para Lisboa, a startup procura combater desflorestação através de inteligência artificial (IA), ver a distribuição de árvores no mapa e ajudar a monitorizar os recursos naturais. Indra den Bakker aproveitou para lançar o apelo à indústria florestal, às, utilities, aos governos e ONG: “Se estás interessado em falar de florestas, do planeta e de inteligência artificial estamos aqui”. Cristina Fonseca, da Indico Capital Partners, concorda que estes softwares devem ser utilizados de forma a ter impacto social e económico: “As tecnologias, de que sou fã, só fazem sentido se forem usadas para o bem”.

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